Novembro
30th 2008
Lágrimas

Posted under Brisas

Quando a pessoa nasce, chora pra mostrar que está viva. Seria, no mínimo, estranho ver a vida tão diferente do lado de fora da mãe e dizer: “- Olá! Que sufoco lá dentro!”. No tempo que se segue o bebê chora por que não sabe o que se passa, não sabe como lidar com as próprias sensações, chora pra ser satisfeito, atendido. Quando já se comunica, a criança chora pra demonstrar que algo não está como gostaria, claro que há o choro de dor física, mas aí é coisa pra pediatra, então, a criança chora por que foi contrariada, por que não consegue o que quer. Chora por que não sabe argumentar pra conseguir o que deseja. A criança chora, basicamente, por que não sabe. E por não saber é que o choro da criança passa logo, a ignorância é a chave da felicidade. Criança que vive como criança deve viver é feliz.

Aí o adulto chora. São tantas emoções… O adulto também chora quando não sabe, mas tem capacidade e habilidade pra saber. Lágrimas de gente grande talvez sejam mais falsas. Moi, je, moi, je, moi, je… Quase sempre é uma repetição da condição infantil de despreparo ante as próprias sensações, mas diferente dos pequenos, o adulto busca/provoca suas sensações, de uma maneira ou de outra. O ponto que me intriga nesse pensamento é: até quando esperar que outro lhe ampare é saudável? Talvez todos tenhamos dias ruins, em que um ombro amigo (ou mais que isso) é o refúgio de qualquer amargura. Dias ruins não acontecem todo dia… Os dias bons têm de ser mais numerosos para se poder contar com alguém num dia de cão. Lágrimas podem ser armas, ou armadilhas. Em ambos os casos, só escuto mesmo o choro de quem ainda não sabe o que fazer pra parar de chorar sozinho…

Música feliz (putz, viva meu servidor! recuperou meus textículos e tudo voltou ao normal!): Stop crying your heart out - Oasis

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Outubro
5th 2008
Exercício de convivência

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Minha maior auto-sabotagem é a imaginação. Por causa dela é que me tornei um ser idealista e utópico em quase todas as esferas da sobrevivência. Já controlo um pouco melhor a impulsividade. Dizem que o tempo aprimora a reflexão… Não que hoje eu seja calculista, mas aprendo a cada dia como ser mais objetiva comigo mesma. E a maior angústia que sinto nessa fase é o “não saber”, tipo: “O que sinto em relação ao futuro? - Não sei!” Se sentisse medo seria mais fácil, era só buscar maneiras de me sentir protegida, precavida. Se sentisse vontade, era só esperar acontecer. Sinto que não posso deixar minha imaginação me sabotar de novo. Existem coisas concretas, como o fato de que no futuro ainda serei eu mesma a mãe do meu filho e a filha da minha mãe. Existem coisas que só têm futuro na minha imaginação. E ela é idealista e utópica, já falei.

Preciso me munir de coragem para encarar com realismo a vida. Preciso enxergar a verdade como ela é, as pessoas como são. Não devo continuar superestimando quem eu gosto e subestimando quem detesto. Nem o contrário, também… As coisas são como são, nós é que não enxergamos quando deixamos a expectativa dominar o bom senso. Algumas coisas me incomodam demais, tipo a covardia. Preciso parar de enxergar herói onde não existe sequer atrevimento, cojones. Não quero mais me decepcionar comigo mesma, quero dar essa chance pra alguém. Pois me enganei sempre sozinha, sempre por conta. Não consigo admitir que, sendo tão incrível e poderosa como penso ser, tenha me deixado enganar por seres tão frágeis e medrosos. Mea culpa, como sempre, de preferência. Se é pra escolher, sou sempre o algoz, jamais a vítima. Convivo com uma carrasca muito desastrada…

E, apesar de tentar não me auto-sabotar dessa vez, apesar de tentar enxergar a realidade crua, apesar de não esperar que me surpreendam de maneira positiva, ainda assim, consigo me decepcionar com coisas que podem parecer irrelevantes. Não entendo o mecanismo do desengano, como pode haver decepção sem expectativa. Como pode haver vida sem expectativa, ou esperança sem imaginação. Quanto mais a vida passa, mais confusa eu fico.

Música pra essa vida, louca: Ah, se eu fôsse homem - Ultraje a Rigor

P.S. Na verdade, não sei se idealismo e inconformismo são a mesma coisa ou se ambas dominam minha personalidade. Não me contento e nem quero me contentar com menos do que sei que mereço, do que realmente quero. Ok, posso não saber ao certo o que quero, pois vivo me confundindo entre o que é real e o que é só minha imaginação. Só sei que não quero me contentar com menos do que a intensidade que invisto, não quero menos do que cartas e canções de amor do começo ao fim e não só no começo, não vou me contentar com menos do que minha própria perspicácia e coragem, menos do que minha capacidade intelectual, menos do que idealizo pro mundo, menos do que dou. Não vou mais me misturar com a gentalha… Tomara.

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Setembro
15th 2008
Ausência

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Sumi da web pro caderno, não passo de lá pra cá pra evitar a fadiga… Mulheres são de fases, estou numa complicada por questões profissionais, mas de resto está tudo belesma. Ansiedade e insegurança e, pô, eu sou alfa e tenho de levar o mundo nas costas, tenho que conseguir fazer isso tão bem quanto minhas ancestrais… A incerteza atual me deixa na pior, mas tento sempre esperar pelo melhor. Esse é um dos meus lemas, aliás: “Espere pelo melhor, se prepare pro pior e desenvolva com o que conseguir”. Seria uma bela solução ganhar na mega-sena, mas sem jogar é difícil…

Filhote, tão lindo… Ele que cresce tão rápido, que fica longe de mim tantas horas por dia, queria nunca ser ausente pra ele, mas tento mentalizar que é mais importante qualidade que quantidade, dá até medo de estragá-lo de tanta saudade e vontade de lhe demonstrar meu amor, minha presença. É por ele que quero mais e melhor, por ele que vou à luta todo dia, em todos os meus sonhos ele está presente como a pessoa fundamental e por ele  quero ser feliz, pois sei que um exemplo vale mais do que mil palavras. Meu filhote é meu pequeno príncipe, looonge de mim ser coruja, mas nunca houve uma criança mais linda em todo o universo.

Vida louca é a do nosso tempo, tanta facilidade pras pessoas fazerem cada vez menos, tanta vontade de sentir tudo que esquecem que vontade também é um sentimento, todos os caminhos já foram percorridos mas nunca encontraram a saída. Ser ausente é o que há, não há empenho, apesar da vontade, em estabelecer e manter os vínculos. Estamos ali virtualmente, e estamos todos bem, sempre. Amigos de longa data são cada vez mais raros, sentimos falta mas não sentimos vontade de encontrá-los e nos depararmos com a realidade de que nós mudamos e tudo muda. Não queremos ter a certeza de que nosso grande amigo de ontem é um idiota. Ou que ele perceba o mesmo de nós.

Muitas saudades dos meus amigos de ontem que somiram da minha vida e nem por orkut eu acho. Todos idiotas como eu, claro. Poucos, mas cada um foi fundamental na minha história. Os que desapareceram de vez me fazem imaginar tanta coisa, tanta vida. Os que não desapareceram me enriquecem com a compreensão da minha limitação em ser presente em suas vidas. Por me conhecerem tão bem, sabem que não adianta encher meu saco, eu não ligo pra ninguém mesmo…

Musicaaaa: Primeiros Erros - Capital Inicial

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Setembro
8th 2008
Vale quando se perde

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É assim que funciona, na maioria das vezes. Não sabemos dar valor ao que temos, só quando não se pode mais ser é que importa, que faz falta. É comum ver homens que mandam chocolate, flores e jóias quando levam um pé na bunda, sei até de casos suicidas, a morte como homenagem ao fim mais trágico que a falta de amor pode causar. O amor acaba… Antes acaba a admiração, não se pode amar sem admirar. Mas o valor ao que se perde não se aplica só ao envolvimento emocional, é comum. Aquela velha estória de que só quem já passou fome aprendeu a não desperdiçar comida. Eu nunca passei fome, não me excluo dos que só valorizam quando perdem.

Já perdi muitas coisas, muitas vezes. Cada perda me trouxe novos ganhos, de outras maneiras. Hoje eu valorizo a liberdade que não tenho mais, pois hoje sou modelo de comportamento pro meu filho, não posso ser inconseqüente, viajar semanas, ficar bêbada, morrer. É incrível como ser responsável por uma nova vida nos faz dar muito mais valor para coisas que antes eram triviais. Ainda não precisei perder a infância do meu filho pra sentir o quanto faz falta, mas deixá-lo na escolinha sempre me faz sentir uma invejinha daquelas mães que não fazem nada além de criar seus rebentos. Hoje eu valorizo o tempo, pois sei que desperdicei bastante construindo essa personalidade fugaz, não me faz falta o tempo que foi, mas queria esticar ao máximo o que tenho agora. Queria mais tempo pra poder perder tempo…

Valorizar o que perdi tentando enxergar o que ganhei. Leva algum tempo… Sei que ganhei experiência, e com ela talvez um pouco mais de maturidade mas… não me basta. E ninguém me perdeu pois, até aprender a valorizar o tempo da liberdade, eu era só minha… Hoje eu sou só dele e vivo meu tempo para que sua liberdade seja a mais linda do mundo. Um dia vou perdê-lo pra vida, pro mundo. Quando o tempo da liberdade dele atingir o auge, vou sentir falta da sua dependência e ganhar netos. Tomara! A cada dia eu tento valorizar mais o que tenho, pois quanto mais o tempo passa mais percebo que tudo acaba, tudo muda, nada dura pra sempre. E eu não quero dar valor ao que realmente amo só quando for tarde demais…

Música pra uma segunda reflexiva e introspectiva: Thirty-Three - The Smashing Pumpkins

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Agosto
20th 2008
Intrigas do Amor

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Até onde você se julga capaz de ir por amor? Amor de homem e mulher (ou coisa similar), amor paixão, daqueles que fazem os encalhados sonharem e os apaixonados sofrerem. Será que a sinceridade e o diálogo são peças fundamentais para o sucesso de uma relação? Ou será que são tantos os fatores que se torna mais uma enorme estupidez da minha parte chacoalhar minhas pulgas sobre o tema? Who cares?

Minha “vasta” experiência, nesse exato momento em que estou pensando sobre um determinado caso em particular, me faz parecer mi madre, a rainha dos provérbios, pra variar: “Quanto mais você abaixa, mais a sua bunda aparece…” É fato. Nos apaixonamos por uma pessoa que pode, com o passar do tempo, mudar totalmente para nos agradar ou testar. A primeira opção acontece quando a pessoa se anula e deixa a outra controlar sua vida. Claro que a maioria acha que cabe nessa primeira descrição, afinal somos todos mártires, super altruístas e jamais somos egoístas, né? O fato é que somos tão egocêntricos que só enxergamos o nosso próprio sacrifício, ignoramos o martírio alheio, empatia nem pensar quando são os nossos valiosíssimos sentimentos que foram feridos.

E testamos nosso oponente, ops, parceiro… Sim, queremos testar o limite do amor alheio, mesmo sabendo (se não sabemos, o problema é bem nosso) que é frágil e totalmente condicional. Só o amor de mãe pode ser incondicional, mas muita gente busca esse amor nos relacionamentos, e não só amor: estímulo, aprovação, compreensão, aceitação de mãe. Quando, na verdade, o outro não é nossa mãe, não nos conhece como quem nos pariu e criou, não sabe da gente como ela sabe e, logo, não é capaz de oferecer um amor tão intenso assim. Buscar esse amor num romance é doença corriqueira hoje em dia, muita gente perdeu a noção do que é mãe e pra quê ela serve.

Se bem que algumas pessoas amam o sofrimento, o drama, o melodrama, a coisa problemática em vez da problemática da coisa. Tem gente que faz questão de rimar amor com dor, em vez de rimar com calor, sabor, valor. Há quem se amarre num platônico, nem que tenha de partir o próprio coração só pra curtir a dor de cotovelo de ver a pessoa amada ser feliz ao lado de outro alguém. Tem amor que precisa de intriga pra se afirmar, pro casal poder dizer um dia: “enfrentamos o diabo, mas estamos juntos há quinze anos!” - claro que a esquisitona aqui prefere dizer que foi eterno durante o ano que durou a contar vantagem em cima do sofrimento, mas como sou gonza demaaais, nem me considero referência.

Sem contar o ciúme, a grande intriga quase favorita do amor. Tem fulanos que A-D-O-R-A-M se autoafirmar citando exs, como se o fato de ser bem rodado fosse qualidade. Ja passei algumas vezes pela cena de passar num determinado lugar e o infeliz ao meu lado me presentar com uma jóia do tipo: “Eu namorava uma menina que mora nessa rua!”. Nesses momentos tive de ter muito sangue frio pra ficar calada. Que eu poderia dizer, afinal? “Ah, sério? Nossa, obrigada pela informação! Qual o endereço exato pra eu visitá-la e pedir referências?” Ou, quem sabe: “Nossa, saber isso mudou minha vida e por isso nunca mais vou passar por aqui!”. Provocar ciúmes desse jeito soa como um grito desesperado por atenção, parece que a pessoa quer valorizar o produto, te dizer: “Olha, tem muita gente me querendo, você deveria se sentir muito feliz e se submeter totalmente à minha imaturidade.”

O fato é que parece que todo amor vive cercado por intrigas. Ciúme, família e/ou terceiros mal intencionados, diferenças de hábitos e opiniões, rotina, desgaste. Amor sem intriga é praticamente impossível. Há quem também acredite que o melhor de um romance é a briga, pois o sexo de reconciliação é melhor. Claro que a maluca aqui discorda, sexo de reconciliação não existe com pessoas não partidárias da segunda chance…

Som para corações partidos de hoje: Dido - Here with me

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Julho
28th 2008
Juventude careta?

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Realmente vivemos numa geração de juventude careta. E por que não seria? Nada é mais careta que querer enfiar um maldito rótulo de esquerda ou direita em toda maldita geração. O que determina a liberalidade das opiniões são os assuntos velhos, assuntos que talvez nem interessem. Pedir para um jovem escolher o que é mais importante em sua vida, dando opções como família, amigos, dinheiro, beleza é, no mínimo, besteira. Declarar que essa juventude tem um cabedal pobre para discernir sobre esses assuntos é chover bem no molhado, mesmo. Perguntas sobre maioridade penal para um menor de idade deveriam ser feitas apenas de maneira retórica, para não ficar ridículo. Claro que a juventude é careta, claro que a nossa imprensa é esquerdista e não representa a sociedade que a consome, claro que o idealismo juvenil deixou de existir. Não há por que ser diferente… Os valores nunca mudaram, na verdade. A sociedade não evoluiu no que diz respeito ao comportamento, apenas no que se refere à tecnologia, e mesmo com tamanha capacidade de informação e de comunicação, não há estímulo a criatividade, ao questionamento. Só massa, muita massa e muita homogeneização de tudo e todos. Os desejos da juventude sempre são ignorados. Claro que a juventude quer dinheiro e bens, mas também quer sonhar, quer sentir-se representada. Podem ser contra a legalização das drogas ou do aborto, mas são a favor da liberdade de escolha, com certeza. Não conheço jovens que gostem de ter suas vidas decididas por outros. No momento, o que representa a juventude na grande mídia é a MTV, 99% besteirol e 1% de tentativa de aparentar consciência. Não poderia ser de outra maneira, pois é uma geração criada nos valores do entretenimento, o “veículo de informação” deixou de informar para influenciar, todos eles, principalmente os que não admitem. Essa é uma geração que não se informa por osmose, apenas ligando o rádio ou a TV. Quando se interessa por algo, quando tem qualquer dúvida, não pergunta para os pais ou amigos, simplesmente pesquisa na web. E o crescimento progressivo dos dados na internet é prova de que a juventude tem interesse, sim, mas não pelo que interessa aos velhos. Aliás, velhos não deveriam escrever sobre jovens. Há sempre um ranço de nostalgia, inveja e prepotência na avaliação que os velhos fazem dos jovens. Os velhos deveriam, sim, analisar a evolução da sociedade, já que têm experiência de vida pra isso. Mas não deveriam tentar explicar o que se passa na cabeça de gente que viveu de outra maneira, não deveriam tentar massificar mais essa. Esse tipo de padronização é o começo de toda a idiotice que as gerações futuras sofrem, desde já, e como sempre…

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Julho
21st 2008
Segunda-feira, segunda chance…

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Como pode? Não sei, nem quero saber e não me submeto ao escrutínio por aprovação. Let it be, live and let die… Oh, rainha dos provérbios! Preciso criar coragem pra te contar uma coisa. Mas não tenho pressa. Não tenho mesmo… Só vontade, muita. Fim de semana com meu filhote, meio final de semana, na verdade. Sabadão eu estava fazendo um curso durante o dia inteirinho. Só cheguei pra colocá-lo na cama. E ele já está na cama, nada de berço, ele é muito grande pra um berço conseguir segurá-lo. Aliás, ele está tão independente que faz muitas saudades da época em que cabia inteirinho em meus braços. Só come sozinho, bebe no copo sem ajuda, sabe o que quer e como quer e não tem dificuldade para expressar isso. Eu estou cada vez mais coruja, cada vez mais preocupada também. Ele é rei absoluto da minha vida, do meu tempo, de todo o espaço. Mas é algo que não posso resolver ainda… O que posso resolver, está complicando, ou não. Ando boba, estou feliz, mais do que esperava pra essa época. Estou até inspirada…

Melodia pra você… Across the Universe - Beatles

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Junho
13th 2008
Há 2 anos

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Há exatamente dois anos eu estava vivendo o dia seguinte a maior descoberta da minha vida: grávida. E eu fiquei tão feliz, mas tão feliz… Claro, fiquei muito insegura e ansiosa também. Mas, acima de tudo, me senti poderosa. Gerava uma nova vida. Nunca tinha ficado grávida antes, nenhum sustinho… Tinha até uma suspeita de que teria de fazer algum tratamento quando resolvesse ser mãe, mas quando tem quer ser, não adianta. E ele veio, eu não tive nem um segundo de dúvida que viria, que o queria… O neném mais lindo da maternidade. O dia seguinte da descoberta da gravidez foi um dia de pensar em nomes. Foi onde, por uma intuição presunçosa e errada, eu perdi uma aposta para o pai do meu filho. Eu apostava que seria menina e ele, que seria menino. Foi quando eu sugeri: se for menino, você pode escolher o nome! E eu adoro o nome dele, apesar de ter resistido no começo. Se um dia eu lhe der uma irmãzinha, seus nomes vão até combinar: Américo e Amora.

Hoje ele foi passar o fim de semana com o pai, e eu fico perdida em casa. Tudo é tão silencioso, sinistro sem ele. Ele é um neném tão gostoso que ganhou até presente de dia dos namorados de uma tia que é super coruja e o adora. Um carro, daqueles que pode entrar dentro e pedalar. Poxa, que tia legal! E ele fala pra ela: “Tia!” E ela se derrete! Guaci, eu sei que você me lê! Obrigada, amore! Você tem sido uma grande amiga!

Há dois anos eu já imaginava que tudo poderia estar assim, que ele me mudaria muito, mudaria minha vida. Claro que nunca poderia imaginar o quanto ele me ofereceria em troca, o quanto ele me ensinaria sobre felicidade, amor, paciência, vida. Nem em sonho eu imaginava ser capaz de fazer um ser tão melhor que eu, tão perfeito e iluminado. Claro, talvez coruja, talvez leoa, mas sem dúvida mãe. Há dois anos eu tinha decidido que seria isso, que queria mais esse título, fardo e honra! Há dois anos me tornei mulher, deixei de ser apenas menina. Valeu a pena, vale cada sacrifício!

Trilha de hoje: O Rato - Palavra Cantada

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Maio
1st 2008
Sem ele aqui

Posted under Maternidade

Sem ele aqui, a casa fica tão vazia… Meu dia parece tão longo, tão sem graça. O silêncio domina o ambiente, os brinquedos não querem brincar, falta meu toquinho de gente. E eu fico tão perdida! Desde que sou mãe, vesti a carapuça de leoa e me acostumei a nunca abandonar a cria. Mas sei, eu sei, tenho que me acostumar com essa rotina, infelizmente. E cada vez mais, como manda o figurino. A cada dia ele está mais independente, cresce rápido, e eu vou precisar ser muito forte cada vez que ele não estiver sob meus cuidados. Fico inerte, sem saber oque fazer do meu dia, acostumada com a rotina estreita dos horários dele, com as brincadeiras e músicas que ele gosta. Sem ele aqui, meu dia fica tão cinza, tão sem graça… Dá vontade de dormir e só acordar quando ele chegar, mas isso seria uma fraqueza, um fracasso da minha parte. Preciso continuar vivendo, seguir em frente e não me deixar abater, pois ele vai voltar. E, hoje, eu tive um ataque de cabelo e cortei tudo, fiz uma franja e enchi de pontas… Agora estou aflita: será que meu gatinho vai gostar ou vai estranhar? Afinal, a opinião dele é a que mais me importa.

Trilha de hoje: Leãozinho - Caetano Veloso

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Março
18th 2008
Cada

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Cada dia é um ano novo  e cada coisa te ensina outra. Tudo flui e nada estanca, a não ser você. A vida é cheia, mesmo quando os dias parecem vazios, os minutos estão carregados de lembranças e sensações, um dia este dia será apenas uma lembrança do ontem, e eu vou rir de mim, como sempre. Amanhã eu vou estar melhor que hoje, como hoje estou melhor que ontem. O tempo me faz bem, eu acho. O meu tempo. Cada coisa que pensei e não desenvolvi são o gatilho para as novas idéias, muita vida. Muita coisa pra ver ainda, muita vida pra viver e coisa pra fazer. A cada dia sei que pessoas morrem e que, um dia desses, eu vou morrer, todos morreremos. Mas nada vai parar, então, por que eu o faria? Não tenho medo de viver por que morrer é uma certeza para todos… E vou errar muito ainda, talvez até me redima dessas arrogantes palavras e pensamentos um dia, talvez nem esteja errada pra isso. Mas cada erro me ensinou mais sobre mim do que sobre a vida. Então, acho que percebi que ninguém aprende a viver, mas vive aprendendo. Cada vida tem muita vida para não ser desperdiçada.

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