Novembro
23rd 2008
Ser vendaval

Posted under Brisas

Pensa em alguém que é assunto. Oi!! Sou eu. E nem sempre é por opção, mas geralmente é algo que poderia ser evitado. Não que essa seja a intenção, mas é a conseqüencia de ser impulsiva, espontânea. Alguém que, de primeira, ou você ama ou detesta. E, pra ser otimista, eu considero que a proporção está em 50% pra cada. Gosto de ser otimista em relação à aceitação desse meu jeito cruel, afinal, eu penso que se todo mundo gostasse de mim, minha vida seria um inferno…

Meu grande defeito é não saber enfiar a língua dentro da boca quando o que vou falar vai ferir o orgulho alheio. Não sei se é por não saber usar de muito eufemismo, se é por ser direta e falar olhando nos olhos, se é por que estou dizendo o que estou dizendo, só sei que já causei várias situações pentelhas… E o pior é que nem sempre sou a única envolvida, algumas vezes tem um ‘bendito’ que me escuta com o ouvido que quer (ou o que é capaz ter) e sai repetindo, um disse-que-disse que não acaba, triste… Em geral, não engulo o que falo. Em geral, fico puta por não poder evitar que a limitação alheia em aceitar verdade cause maiores estragos. Ser vendaval pode ser legal, se aceitar o mal de não sofrer igual mortal, o que é normal…

Minha presunção, objetividade, franqueza, extroversão e beleza estúpida são espinhos. Se eu fosse um ser pensante e quieto tudo seria mais fácil. Seres pensantes causam reações quando se expressam, como se opinião fosse incomum e expressão, crime. Eu sei que falar tudo o que der na telha não é civilizado, é importante levar em conta o sentimento alheio e tals. E eu levo isso em consideração, sim. Se eu não levasse, seria espancada toda semana. A verdade dói, principalmente se quem a escuta for menor que quem a diz… Talvez a verdade incomode muito mais quem não faz nada pra mudá-la…

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Novembro
17th 2008
Presuntão

Posted under Brisas

Lembro que essa palavra sempre me escapava - presunção - e me definia tão bem… Talvez ainda defina. Alguns confundem com arrogância, falta de humildade ou caráter, agressividade. Eu sei que se trata apenas de  imaginação hiperativa. Quando alguém presume, não conclui, apenas deduz. Isso aliado à verborragia causa situações… Todas elas. Um sábio não falaria sobre presunções, talvez. Talvez um sábio só falaria sobre certezas e verdades… Ahááá!!! Aí é que minha presunção cresce. Não existe verdade e certeza absoluta, não existe sábio. O que pode existir é um monte de presunção, um monte de verborragia, um monte de imaginação. O que há é gente sem imaginação que se apropria da presunção alheia… Questionar, argumentar, acrescentar e evoluir são itens básicos para quem não pretende estancar numa presunção pessimista da própria condição. Nada é eterno, tudo se transforma, presumo que é o que devemos fazer na vida: transformarmo-nos - e se for em algo melhor: BELEZA!!!

Os incomodados que se mudem, se renovem, se transformem… Pelos Deuses, não chacoalhem suas pulgas em cima de mim. Talvez minha presunção esteja evoluindo pra megalomania. Onde já se viu escrever tanta besteira existencialista numa segunda-feira? Eu deveria ser mais jornalística e falar das coisas da mídia. Mas é chover num molhado lamacento, seria mais do mesmo. Um texto no cibermundo, um texto que vale o dobro se eu colocar uma foto “interessante”. Desde que a imagem vale mais que mil palavras, poucos se importam com as sentenças. Importante é parecer não perecer. E aparecer… Quando eu crescer, quem sabe?

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Novembro
8th 2008
Só os gatos

Posted under Bichanos

Podem consertar esse mundo cão…

Música felina: Stray Cats - Stray Cat Strut

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Outubro
30th 2008
Revolta letiva

Posted under Versos

Vá se foder, professor!
A cultura está fodida mesmo
Cada palavra acrescenta vazio
Todo dia a mesma coisa
Tanta coisa sem sentido
Sem vontade, desistência
Cultura virou ofensa
Nada importa pra quem é pouco
Quem sabe é estranho
Quem ignora é feliz
Qual a droga pro nada?
Pra entorpecer a chegada
A partida, a estrada
Irrita todo dia sentir
Que quem sente não existe
É ficção, história, já era
Ainda estou aqui, atemporal
Por que resolvi nascer agora?
Do que vejo pelo mundo afora
Nada me interessa muito…

Escrevi essa dia 11/06/08, achei em um dos milhares de cadernos… Lembro que ficava super aborrecida na aula de Cultura Brasileira Contemporânea, o mais atual que o professor conseguia chegar era a ditadura militar, ele é um super professor bem velhinho que viveu épocas menos hediondas… Mas eu agradecia muito por isso pois, se ele entrasse no contemporâneo de fato, talvez acontecesse uma onda de suicídios pela sala… Ou não, o que talvez fosse pior ainda.

Música da cultura brasileira contemporânea (eu não recomendo mais que 15 segundos, sob risco de ter lesões cerebrais permanentes que causam retardamento mental): Dança do Créu - Furacão Tsunami *** Imagino as futuras gerações discutindo esse primor de música… e o pior, meu filho achar que por eu ser contemporânea dessa…coisa, eu goste dela.

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Outubro
25th 2008
Queixadinha

Posted under Brisas

Ah, eu também resolvi dar uma queixadinha por que sou uma mulher latino-americana que também sabe se lamentar… Duas coisas que me irritam ultimamente: o jornalismo sensacionalista e as “dinâmicas” de grupo. O primeiro me deprime, a liberdade de imprensa está indo longe demais, deixou de ser liberdade para ser libertinagem. Informar a sociedade significa dar notícias que sejam relevantes para a maioria, que sejam realmente de interesse social, no meu ponto de vista que parece o de uma autista cega… O caso Isabela Nardoni e mais recentemente o caso Eloá são evidências claras de como desviar a atenção pública para a tragédia particular, fazendo-os nem prestar atenção em notícias sobre política e economia, você viu mais alguma notícia sobre a guerra das polícias em São Paulo? Claro que não… É muito mais fácil dominar e subjugar uma sociedade massificada e estúpida. O dinheiro que pagou os carros, bombas, armas e fardas que usaram no “protesto” saiu do nosso bolso, mas era mais importante saber do drama doméstico de uma menina que poderia ter saído viva se a imprensa não tivesse se metido… Quando eu pensava que o jornalismo que cobre a vida de celebridades instantâneas fosse o fundo do poço, ele consegue se superar e fazer pior. Numa boa, valeria censura de horário pra violência no telejornal, não sei se meu filho ficou traumatizado ao ver uma menina que tentou salvar uma amiga aparecer com um tiro na cara, ao vivo, numa tarde de primavera…

As malditas dinâmicas. Sou do tipo que puxa papo, uma mala. E quando participo de alguma entrevista de emprego, acabo ficando amiguinha dos concorrentes, afinal estamos todos ali no mesmo barco furado. Estamos ali para mentir, basicamente. Não entendo a utilidade de se contratar uma empresa de RH externa. Se o cara, o chefe, precisa de funcionários, ele sabe que tipo precisa. Ok, o próximo passo seria listar quais requisitos os candidatos devem preencher para concorrer à vaga. Uma secretária é capaz de separar os currículos que correspondem aos requisitos. No final, grande parte da entrevista vai por água abaixo, pois o chefe vai entrevistar os que mais se aproximaram das exigências que podem ser comprovadas (currículo) e vai escolher aquele que ele gostar mais. Isso mesmo: gostar. O sujeito pode ser o mais qualificado que existe, se o contratante não gostar da cara dele, já era. Por que, então, torturar o candidato com tantas etapas? E obrigá-lo a mentir, pois ninguém vai falar a real quando a pergunta é “Quais são seus defeitos?” e a resposta certa vale um salário de quatro dígitos… Quem teria coragem de admitir nessa situação que seu pior defeito é ser muuuuuito preguiçoso? Ou ser rabugento? Ninguém responderia “Quais são suas melhores qualidades?” algo do tipo “Sou gostosa e isso vai facilitar muito as coisas na sua empresa”? Ou quase ninguém, acho… Os defeitos e qualidades reais ficam implícitas ou ocultas, não interessam na sua vida profissional, não nesse mundo máquina, onde tudo é produto, desde tragédia familiar até mão de obra…

Toca Raul! Eu também vou reclamar - Raul Seixas

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Agosto
12th 2008
Cansa a beleza

Posted under Brisas

Beleza nem sempre é vantagem. Ok, pra acasalar é mais fácil conseguir parceiro se sua casca é comestível, mas não vejo muitas outras benesses além dessa. Um indivíduo pode até conseguir um emprego por ser mais apresentável que um concorrente, mas fatalmente terá de se esforçar o dobro para convencer de que não está ali por que está dando/comendo algum superior.  Ser belo é não se preocupar muito com a embalagem e então pode se encontrar duas vertentes básicas de gostosões no mercado: os que fazem da própria beleza conteúdo e se bastam na própria futilidade; e os que acham que ser só bonito não é suficiente e, por isso, entram em crises existenciais.  Ser bonito e não achar que isso basta é problemático e ridículo. Só quem passa por essas agruras é capaz de entender e avaliar o tamanho da estupidez, afinal a beleza vai acabar um dia, é só ter paciência de esperar e esperteza pra aproveitar enquanto ela dura assim, de graça.  Cansa a beleza a desconfiança que a mesma traz; o bonito acha que só o querem pela aparência e quem ama o bonito sempre desconfia dos  sentimentos da beldade. Como se beleza e volubilidade fossem sinônimos em alguma outra esfera que não a do tempo… Beleza é inconstante e muito particular. NADA é unânime quando o assunto é beleza. Uns acham que a cor mais bonita é o azul, muitos preferem o vermelho e o mesmo padrão pode se aplicar aos estúpidos que somos nós. Somos lindos enquanto temos todas as nossas partes inteiras, quando estamos limpinhos e perfumados, enquanto o tempo ainda não nos castigou o suficiente pra sumir com nossa esperança… E a vida é bela, a gente é que cansa dela…

Som pra hoje: Clocks - Coldplay

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Agosto
7th 2008
Coisas minhas

Posted under É com a Lia

Na rua, o olhar e a empatia… sentir o vento nos cabelos, um som no fone de ouvido, um sorriso torto nos lábios e algum plano na cabeça, muitos talvez. Andar se preocupando bem com a postura, com o movimento da minha máquina, com as sensações, cores e cheiros que fazem de cada dia um novo assunto. Eu sempre sou assunto, causo e sou vítima das minhas escolhas, e adoro.  É coisa minha querer assim, é meu estilo ninja usar o sorriso como arma e defesa, é poder meu ser indecifrável, faço questão que não me conheçam mais do que  permito.  São minhas atitudes que me fazem ser tão estúpida e, ao mesmo tempo, tão envolvente. Ser autêntica e destemida com as minhas coisas é fácil. Com essa minha carinha de santa, é até mais perigoso. Não pra mim, claro… Uma coisa bem minha é ter uma camuflagem perfeita, a carcaça quase intransponível, é coisa minha apenas me deixar ao alcance para depois mostrar que estou além de quem tenta. É bem da minha alçada viver pra superar limites e ensinar isso pra quem eu acho que vale a pena. Coisas minhas são sempre melhores e mais interessantes pra mim. Claro que há uma grande porção de egocentrismo nas minhas coisas, mas isso me faz cuidar mais da minha vida que da sua…

E já que fazem tanta questão, segue um som: Fell in love with a girl - White Stripes e uma foto super “acabei de acordar e sou linda assim mesmo” da minha carinha de santa:

92726066o404579904.jpg

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Junho
29th 2008
Fêmea Alfa?

Posted under Brisas

Talvez isso tenha começado na infância, talvez pela falta da figura paterna e ter tido como exemplo de conduta apenas uma grande fêmea alfa, mi madre. Mas acho que ela também não escolheu esse estilo de ser, apenas o assumiu como única maneira de sobreviver e criar seus filhos. Depois de ouvir alguns amigos me definirem assim, perdi o sossego… Fato é que adoraria não ser dominante, adoraria deixar alguém cuidar de mim, decidir o que é melhor, escolher o restaurante, mas não sei fazer isso, acho que nunca aprendi a ser frágil. Sensibilidade não é fragilidade, pelos Deuses… Talvez por ser alfa eu afaste os homens fortes e atraia apenas os fracos. E aí tudo vira uma bosta, porque eu não queria ser alfa 100% do tempo, cansa demais levar o mundo nas costas, cansa mais ainda suportar a fragilidade alheia o tempo todo. Eu adoraria não ser alfa, ser daquelas fêmeas que suportam e fazem de tudo em nome do “casamento”, que se dedicam ao outro e são tão altruístas que só se realizam na felicidade da família. Mas ser fêmea alfa é liderar, é estar só a maior parte do tempo, é ser temida, invejada e admirada de longe. É se bastar demais, e isso é tão solitário… Eu queria muito precisar de alguém, mas não consigo mais. Virei leoa, de verdade…

Som pra domingueira: Diggin the grave - Faith no more

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Abril
7th 2008
Copyright

Posted under É com a Lia

Sou eu mesma que estou dizendo isso, coloque na categoria que sua cabeça comportar. Não me importo se minhas idéias forem usadas, copiadas, deturpadas, fuçadas. São minhas idéias, não é nada demais. Eu produzo esse monte de baboseira a cada instante, se eu tivesse mais tempo para o ócio, teria mais idéias profundas e utópicas. Por ser mulher, sou capaz de tomar banho, desenvolver teorias sobre banalidades na cachola, contar azulejos no banheiro, me olhar no espelho, cantar e lembrar de um compromisso tudo ao mesmo tempo. Todos os dias. Não tenho pressa de ser uma estrela do rock ou uma velhinha naturista num litoral distante. Eu sei que vou chegar lá, em quase tudo, quase sempre. Está tudo em letras, minha compulsão e pensamentos, um dia dou risada da minha História. Escrita no meio do bombardeio de informações que fomenta a cultura do medo e do consumo em que nasci e fui criada, quase sempre com letras virtuais, que passarão pra folha por processo mecânico-tecnológico, sem o qual eu nem saberia viver feliz hoje em dia…

É tudo meu, e tudo de todos. Me ame o odeie por isso ou aquilo, ou seja indiferente. O que importa é o que é meu, e o que eu penso. Não concordo com muita coisa pela vida e tomo medidas para corrigir, minhas medidas e com meu estilo. Apatia, aqui não. Hoje a vida me é doce e escrevo para celebrar a juventude, a capacidade e a boa vontade. Espero sempre celebrar, e até trazer mais pessoas para minha festa… Não guardo a alegria só pra mim, nem o carinho. É mais fácil ser alegre que ser triste, então não quero saber o que não importa, não quero coisas que não acrescentem, nem sentimentos que pesam. A vida é o tempo e são tudo o que tenho.

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Abril
1st 2008
No Mercy

Posted under É com a Lia

Oh, por favor, se você tem a presunção de achar que me conhece um pouco, não sinta dó de mim nem tente me “ajudar”. Quem me conhece de verdade, sabe que eu não sou digna de pena e muito menos conto com os outros pra resolver meus problemas. Sei que minha vida é muito interessante, agitada. Mas isso não dá o direito de alguém vivê-la por mim. Pagar minhas contas, ninguém paga. E eu estou muito bem, se lhe interessa. Não, eu sei que isso não interessa. O podre, infelizmente, sempre parece atrair mais atenção. Sei que muitos adorariam encher minha caixa de comentários com mensagens “positivas”, me oferecer o “ombro” amigo, saber dos detalhes sórdidos para ter mais assunto “interessante” pra falar por aí, para poder dizer: Coitada da Lia… Jamais, baby!  Eu me amo muito para deixar a tristeza inundar meus dias. Eu tenho muito o que viver ainda, muita coisa pra fazer, quase nada pra lamentar. Se você pode dizer com certeza que tem quase tudo o que sempre sonhou, como eu posso, não vai se ocupar da vida alheia.

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