Novembro
17th 2008
Causa ou consequência

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Segunda-feira não é o dia favorito de ninguém, eu acho. Ainda mais quando é antecedida por um lindo domingo de Sol. Minha Lady Murphy é muito gorda, alguns reveses repetidos, uma sensação estranha de estar sendo perseguida, mas tudo bem, sou meio neurótica… Consigo ser tão feliz quando quero ver o que tenho de bom na vida! É um exercício de gratidão, pr’aqueles dias em que dá vontade de desanimar, de reclamar da própria vida, das coisas que acontecem assim ou não acontecem assado. Eu penso no que consegui e sempre me dou conta de que tenho mais pra agradecer do que pra desejar. Mas, gente nasceu pra querer… EU QUERO MAIS!

Não só pra mim, por mim ou pelos meus. Quero pra tudo, minha expansão é infinita assim como o meu amor. Ainda que tudo fosse perfeito, nem sempre tudo é perfeito. Causamos as consequências e nem percebemos, atribuímos a culpa ao outro. É mais fácil ver um inimigo do que se tornar um amigo. É mais fácil que a culpa não seja nossa - apesar do mundo estar cheio de indivíduos com complexo de culpa - na prática o que é objetivo e pode ser realmente atribuído é sempre evitado. Nem sempre planto o que gostaria de colher, apesar de ser essa minha medíocre filosofia de vida. Algumas vezes somos forçados a fazer coisas que podem magoar alguns, mas deixar de fazê-las pode magoar muito mais gente a longo prazo.

O que realmente importa é minha vontade (só a minha) soberana na minha vida (só a minha). Não temos realmente poder de fazer nossa vontade soberana na vida de mais ninguém. E não deveríamos permitir a vontade alheia na nossa. Sonhar o sonho de outro é tão impossível quanto se alimentar com a boca de outro. O sonho alheio é algo a ser compreendido, admirado talvez…

Liaaaa! Por que você é só uma? Eu queria tanto rir contigo hoje…  Hey Jude - Beatles

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Outubro
2nd 2008
A tia Dirce…

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Começando a temporada de caça às bruxas, ou melhor, de histórias quase reais da minha ilustre família, decidi começar com a pessoa mais… bom, não sei uma só palavra pra definí-la. Por isso resolvi fazer um texto sobre a tia Dirce. Na verdade, ela é minha tia-avó, irmã da minha avó materna. Lembro de quando as duas brigavam em espanhol, minha avó boca suja, una malagueña muy orgullosa y valiente, mandava a tia pra tudo que era canto, e ela, fanática religiosa como sempre, ficava resmungando “Jesús! Cubre con tu sangre!” Eu, meu irmão e meu primo Guto, três pestes entre 5 e 7 anos, ficávamos arremedando e rindo que nem idiotas. Ela ficava p da vida e corria atrás da gente, era a glória!

Pensa numa bruja vieja. Sim, a tia DIrce sempre teve essa cara e, um dia, sei que a genética falará mais alto e não haverá pinça que dará conta dos pêlos das minhas verrugas. Mas enquanto ainda sou só uma feiticeira, posso fazer veneninho com a cara da tia. Desde que eu nasci ela é velha, muito mesmo. Mas um grande mistério da humanidade é o fato de, aos 78 anos de idade, ela não ter nenhum cabelo branco e nunca ter tingido os mesmos (sua religião não permite quase nada, só falar mal dos outros). Aliás, o cabelo dela é uma entidade. Ele não cresce, e ela fica louca com isso. Seu figurino é o de uma bruxa mesmo, mas quando ela inventa de pregar pedaços de babosa com grampos pela cabeça, fica um primor de alegoria. Ela também adora fazer coques com cabelos estranhos, e não fica nada discreto…

Diz a lenda que quando ela nasceu, tinha um “chifre” na testa e que seu pai queria jogá-la no rio por achar que se tratava de coisa do “demo”. Sua mãe não permitiu, claro, leoa como sua linhagem, e criou a penúltima filha, que era realmente diferente dos outros. A lenda também diz que até uns 9 anos de idade ela não falava nada, só cantarolava coisas como “lalala”. O lendário chifre não existe mais, nunca tive coragem de perguntar pra ela se é verdade, e também evito a fadiga. Ela parece ser meio surda, mas também parece que escuta muito quando se trata de alguma fofoca. E também é meio lelé quando quer. Um exemplo: ela odeia que deixem o portão de casa aberto, um dia comentou: “Portão que deixa aberto é o da padaria, do mercado. Mas se você vai no mercado e leva uma bolsa grande, tem que deixar no guarda volume!” Dizem que o pensamento dela sempre foi assim, que ela sempre foi assim.

E apesar de muito estranha, ela trabalhou durante quase 20 anos e se aposentou por invalidez (alguém percebeu que ela não batia muito bem da cuca depois desse tempinho), ficou casada por quase dez anos e não teve filhos, nunca teve outro homem na vida, tem habilitação para dirigir, vai pra igreja super protestante de extrema direita onde as pessoas se vestem como se fossem pr’um casamento todos os dias, cozinha muito mal, mas vive inventando maneiras de aproveitar alimentos e fazer coisas horríveis pra toda família experimentar (temos amor pela vida e fingimos que vamos guardar pra comer depois, pois acabamos de lanchar, sempre), não assiste TV ou ouve rádio, não lê jornais, só faz crochê. Higiene também não é lá o forte dela, nem paciência com crianças. Parece que os pequenos percebem isso e sentem um imenso prazer sádico em quebrar suas plantas e mostrar-lhe a língua.

Apesar de muito solitária, ela não perturba nenhum mamífero com sua carência, além de nós da família. Já teve uns passarinhos, mas acabou matando os bichinhos por excesso de comida. Não curte cachorro, muito menos gato. Fala cuspindo, muito, e pegando. Suas verrugas pinicam e ela fala portunhol quando quer meter o pau em alguém. Todo mundo entende tudo, mas ela dá uma de louca e tudo certo. E por tantos encantos é que a tia Dirce é um capítulo importante da minha vida. Não sou muito próxima afetivamente, não temos muita afinidade além da praga que ela jogou de que serei eu a próxima louca da família. Mas, ela foi e é muito importante, quando minha mãe se separou do meu pai, ela ajudou mais do que minha avó . De certa forma, ela é minha avó desde que a Dona Julia foi pra luz. Tia Dirce, uma figura. Ainda vou fazer um vídeo dela e colocar no youtube pra vocês verem que encanto…

Música da família na versão mais original possível: La Malagueña - Plácido Domingo

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Setembro
29th 2008
Pensar grande

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Muitos me dizem isso, que eu deveria pensar grande, que sou praticamente um vértice da sabedoria entre meus contemporâneos (em terra de cego… vc sabe, né?), que poderia chegar no alto…  Claro, quem me diz isso pensa somente em níveis profissionais. É muito fácil, também, resolver o problema dos outros. Lá do alto a queda pode ser maior, minha megalomania é utópica. Eu não faço muita questão de ser…

No momento em que terminava a frase acima, uma vela virou do meu altar, sem que nenhum vento ou objeto a tocasse, e derramou parafina por todo lado. Parei, limpei, acendi outra e acho que foi um aviso pra eu não questionar minha grandeza, não subestimar meus poderes e continuar megalomaníaca em tudo. Lia Exagerada Drumond. E eu deveria investir na melhor estória de todas: a minha. Escrever sobre minha família, raízes, coisas que sempre quis. Deveria também ir bater à porta da National Geographic com uma sugestão de pauta bacana e pedir emprego de repórter especial, logo de cara.

Enfim, se tem algo em que acredito mais do que em mim mesma é na minha sorte. Tipo o clichê “O Universo conspira a seu favor” - minha cara. Estou um pouco confusa entre quantidade e qualidade. Quando fico perdida assim, deixo minha imensa sorte me guiar e vou em frente, trabalhando com o que ela me trouxer. Não é deixar a vida me levar, é levar a vida do meu jeito, plantando o que quero colher com boa vontade e dedicação, mas acreditando que a cada colheita terei uma super safra.

Som pra semana começar up: Yolanda - Simone e Pablo Milanés

É, eu ando romântica… “Guiliada” demais…

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Setembro
16th 2008
Propriedade

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É minha propriedade, falar sobre o que sei, o que vejo, o que penso. Mais egocêntrico, impossível. Mais justo também é impossível. Sabe, aquela piada infame: “Copiar algo  de uma pessoa é plágio, de várias é tese”. Nunca me senti confortável com trabalhos em que tinha de analisar os pensamentos de pessoas de outras épocas, outros lugares. Pessoas não são tão iguais, o ambiente é fundamental para uma análise justa. E aí que a coisa pega, analisar uma obra fora de seu ambiente, de sua atmosfera geral, é leviano e digo mais: vulgar. Claro, o dom da criação é divino e nem todos acreditam possuí-lo, mas é mais interessante ter propriedade pra criticar se não há coragem pra criar.

Tampouco acho que esse pensamento seja novo, mas tenho propriedade pra falar do que vejo, do que aprendo nesse meu tempo, sobre as pessoas que acredito conhecer. Fico fula quando uma pessoa velha fala mal da juventude de hoje, pois acredito que suas análises não possuem propriedade, apenas a experiência da distante juventude que viveram, outro tempo. Acho que arte também não poderia ser criticada sem haver antes uma mente realmente aberta para o conceito de que expressão é tudo e tudo pode ser expresso, mesmo que o conceito não agrade e, algumas vezes, a intenção é essa.

O jornalismo… Putz, não consigo me livrar do idealismo egocêntrico, que me dá síndrome de Lara Croft e me faz querer revirar tumbas da podreira que sei que rola em tanto lugar, aqui perto, ali na esquina, “gente fina” - meu advogado jura… Não consigo parar de pensar em propriedade ao escrever, poderia fazer uma lista enorme e tão presunçosa quanto eu de tudo que acredito ter propriedade pra escrever a respeito. Ou não… A inconstância é mãe da minha imaginação e da insegurança em meus próprios talentos. Mas, tudo bem… Se eu não conseguir dominar o mundo com uma revolução hedonista, posso fazer uma tese sobre isso.

Música oferecida com demência: Come out and play - The Offspring

E uma linda imagem do meu fim de semana, meus dois amores mais lindos:

Americo e Thomas

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Setembro
8th 2008
Vale quando se perde

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É assim que funciona, na maioria das vezes. Não sabemos dar valor ao que temos, só quando não se pode mais ser é que importa, que faz falta. É comum ver homens que mandam chocolate, flores e jóias quando levam um pé na bunda, sei até de casos suicidas, a morte como homenagem ao fim mais trágico que a falta de amor pode causar. O amor acaba… Antes acaba a admiração, não se pode amar sem admirar. Mas o valor ao que se perde não se aplica só ao envolvimento emocional, é comum. Aquela velha estória de que só quem já passou fome aprendeu a não desperdiçar comida. Eu nunca passei fome, não me excluo dos que só valorizam quando perdem.

Já perdi muitas coisas, muitas vezes. Cada perda me trouxe novos ganhos, de outras maneiras. Hoje eu valorizo a liberdade que não tenho mais, pois hoje sou modelo de comportamento pro meu filho, não posso ser inconseqüente, viajar semanas, ficar bêbada, morrer. É incrível como ser responsável por uma nova vida nos faz dar muito mais valor para coisas que antes eram triviais. Ainda não precisei perder a infância do meu filho pra sentir o quanto faz falta, mas deixá-lo na escolinha sempre me faz sentir uma invejinha daquelas mães que não fazem nada além de criar seus rebentos. Hoje eu valorizo o tempo, pois sei que desperdicei bastante construindo essa personalidade fugaz, não me faz falta o tempo que foi, mas queria esticar ao máximo o que tenho agora. Queria mais tempo pra poder perder tempo…

Valorizar o que perdi tentando enxergar o que ganhei. Leva algum tempo… Sei que ganhei experiência, e com ela talvez um pouco mais de maturidade mas… não me basta. E ninguém me perdeu pois, até aprender a valorizar o tempo da liberdade, eu era só minha… Hoje eu sou só dele e vivo meu tempo para que sua liberdade seja a mais linda do mundo. Um dia vou perdê-lo pra vida, pro mundo. Quando o tempo da liberdade dele atingir o auge, vou sentir falta da sua dependência e ganhar netos. Tomara! A cada dia eu tento valorizar mais o que tenho, pois quanto mais o tempo passa mais percebo que tudo acaba, tudo muda, nada dura pra sempre. E eu não quero dar valor ao que realmente amo só quando for tarde demais…

Música pra uma segunda reflexiva e introspectiva: Thirty-Three - The Smashing Pumpkins

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Setembro
1st 2008
Perigosa pra quem?

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Só se for pra minha própria integridade psicológica…

Eu não queria parecer “a” perigosa, uma fêmea perigosa, uma rival, oponente perigosa… Mente perigosa, moça presunçosa… No fundo, queria ser perigosa pra quem me incomoda e me faz chorar quase todo dia: a intolerância aliada à indiferença (des)humana(s). QUase todo dia eu passo por uma escada onde dorme um menino que não tem nem 10 anos de idade. Ele dorme só ali, ninguém que pareça ser sua “família”, nenhum cobertor, sempre sujo, sempre invisível. Todos os dias, sempre invisível… É uma criança que não é muito diferente de outras tantas que perderam suas famílias para o vício, a violência, a doença ou as várias formas nojentas de guerra que ainda comprovam a incapacidade humana para a paz. São orfãos da vida, cujas origens só prestam como referência de desespero, só servem pra enriquecer pesadelos. Essas crianças fazem parte dos meus sonhos mais tristes, aqueles que me fazem chorar e gritar sem conseguir acordar e escapar. E não consigo deixar de olhar, virar o rosto, fingir que não é comigo. Algo de fascínio mórbido, mau gosto, síndrome de super-heroína frustrada, complexo de madre Tereza… Não sei o que pode ser, só sei que não consigo evitar.

Desde pequena me sinto desconfortável por ter mais e por não saber dividir o suficiente. Claro que mi madre, canceriana que só, sempre teve coração muito mole, sempre incentivou que doássemos o que não nos fizesse falta, estimulou nosso espírito altruísta com chantagens emocionais que sempre evocavam imagens das pobres crianças famintas da África ou do sertão árido tupiniquim, deu exemplos de generosidade e conduta benevolente e, assim, criou dois filhos que queriam carregar o mundo no colo. Meu irmão, apesar de ser um oposto, também tem latente essa vontade de acabar com a injustiça e a desigualdade de oportunidade, é o tipo de cara que é capaz de dar as próprias calças e andar pelado pra ajudar quem lhe procura. Mas nem sei se algum dia ele sentiu vergonha por ser caucasiano num país de miscigenados, por ter mais brinquedos que o coleguinha, por ter dinheiro pra pagar lanche na cantina enquanto a maioria comia da merenda gratuita.

Queria ser perigosa para os avarentos, os insensíveis e injustos o mundo, os emergentes que sobem pra pisar na cabeça de quem os serve; morro de vergonha alheia toda vez que vejo um “cliente” maltratar e/ou humilhar um funcionário por algum problema que o pobre empregado não poderia  resolver, como procedimentos que são regras estabelecidas por uma matriz invisível e distante, coordenada por algum “deus” que também é invisível e distante.  Queria ser mesmo uma ameaça aos que fomentam a desigualdade, mãe da injustiça. Aos que têm “coragem” de aumentar a margem de lucro sem pagar melhor seus funcionários, aos que têm “coragem” de bater em alguém indefeso, aos que não doam os bens que estragam em seus depósitos e porões, aos que não contribuem com a qualidade da educação para todos, aos que viraram o rosto pro menino que dorme todo dia nas escadas do Metrô Luz… Talvez eu seja uma hipócrita por não levar aquele menino pra minha casa, algumas vezes sinto que estaria muito mais realizada como pessoa se trabalhasse apenas pelos outros, em vez de pelos meus e para os outros…

Músika: Stand By Me - John Lennon

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Agosto
28th 2008
Deliciosamente perigosa…

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Super vontade de…. FÉRIAS!!! Sim, essa é uma vontade constante nos hedonistas. Pior é que nem sou tão ocupada assim, nada além do que é comum para as pessoas da minha idade. Ok, trabalho, estudo, sou mãe e filha. Mas não é um mistério da humanidade, muitas pessoas já fizeram assim antes e acho que não morreram ou ficaram aleijadas pelo esforço. Ser urbana e quase sedentária dá nisso. Ok, agora não sou mais tão sedentário porque voltei pro Jazz, mas chacoalhar o esqueleto uma vez por semana não me deixa “mais disposta”, como prometem os entendidos das atividades físicas.

Super vontade de viver uma aventura. Daquelas que o fundo é um cenário paradisíaco, e uma companhia de tirar o fôlego pra fazer tudo ser inesquecível. Ou mesmo ficar uma semana toda (ou mais) só com meu filhote, perto do mar, perto da natureza… Uma semana é um luxo que não posso me permitir, por enquanto. Mas seria tão legal… Curtir a vida mais intensamente. Claro que minha vida não é um tédio, tem dias chatos e dias incríveis, mas nunca dias iguais. Apenas queria mais… Tanta coisa, aliás.

Queria ser uma estrela do rock, uma sereia, uma pena flutuando na ventania, um espelho, uma janela, uma palavra bonita… Queria ser tudo pra sentir mais vida… Movida a sensações, as restrições sempre me desapontam muito.  Quando você é um tipo de pessoa muito imaginativa, que enxerga além e vislumbra muitas possibilidades em tudo, quase sempre acaba com aquela estúpida sensação de ser a cobra para qual os deuses negaram asas… Queria poder mais e também mais poder, talvez até superpoderes…

“Tia Lia, por que você sempre indica uma música em seus posts?” - Oras, porque eu posso! E quero dizer que considero meu gosto musical razoável. Claro que o mau gosto impera, mas não no meu caso. Posso ter mau gosto pra gente, mas pra música, não. E pra hoje, pra vocÊ, ouve isso, baby: I Put A Spell On You - Creedence Clearwater Revival

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Agosto
25th 2008
Contemplação compulsiva

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Dias em que não quero olhar pra fora, dias em que preferia poder curtir um silêncio, uma distância, um isolamento de verdade. Tem dias em que não sei o que dizer, que só queria ouvir uma boa estória, alguma mentira, ser entretida, pra variar… E aí eu ataco um chocolate, parece que sinto uma carência de mim, da minha energia, vontade de não ser a Lia pra encontrar com ela, e dar muita risada, ouvir teorias da sua imaginação louca e cômica. Rir, talvez chorar. Rir até chorar, ou chorar até me sentir ridícula e começar a rir. Eu me quero tanto quando me sinto assim. Que sem graça ser peça única no mundo… (ok, caríssimo leitor, todos somos). Seria legal me ver, me encontrar, falar comigo e me escutar. Como é impossível, fico a contemplar a impressão que causei, as marcas que deixei e as bostas que escrevi. Hoje, especialmente, chego a conclusão que padeço de um antigo mistério da humanidade: intolerância. Quando ninguém é como eu, nesses dias de contemplação compulsiva, sinto aversão. Medo também. Por que as pessoas não podem ser eu? Que saco… Só eu seria capaz de me fazer rir hoje, só eu conseguiria dar o que quero e preciso. Por que não sei explicar, só sentir e contemplar essa sensação que lembra um desgaste misturado com agonia… Que merda.

Música chata de hoje: Black - Pearl Jam

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Agosto
15th 2008
Ela é uma boboca…

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Sexta-feira. Um dia aparentemente comum para os seres humanos, mas pra mim é sempre um dia estranho, e tem sido mais estranho ultimamente. Hoje eu até tive um siricutico pela manhã, por que esqueci de comer devido ao atraso de sempre. Levar filho pra escolinha, ir trabalhar voando sem vassoura, chegar e ter de estar animada, motivada. Eu estou sendo muito paparicada aqui, tipo uma boneca que não pode ser quebrada. Quando os chefes disseram pra equipe que todo mundo tem que ajudar no que eu pedir, me senti tão vulnerável, tão boboca. Mas tudo bem, quero muito aprender a confiar e permitir. O pior que pode acontecer é aborrecer as pessoas ou eu mesma com essa idéia de cooperação, pois todo mundo parece curtir mesmo é competição, autoafirmação. E eu ainda estou meio zonza, meio fraca… Daria muito por uma soneca nesta tarde… Pra estar inteira à noite. Bosta. Sem fome, fraca e de mau humor. Minha cara deve estar mais pálida que o habitual e devo estar com um aspecto vampiresco. Já com saudades do filhote que fica com o pai nos finais de semana, rezando pra ele voltar inteiro, pra variar. Ai ai… pensa num desânimo grande… Ainda bem que a noite chega e eu vou ter melhores motivos pra ficar animada. Isso é, se eu chegar em pé até à noite…

Ah, e ‘ele’ disse que me ama…

Som pra essa sick friday:   I just want you - Ozzy Osbourne

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Agosto
12th 2008
Cansa a beleza

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Beleza nem sempre é vantagem. Ok, pra acasalar é mais fácil conseguir parceiro se sua casca é comestível, mas não vejo muitas outras benesses além dessa. Um indivíduo pode até conseguir um emprego por ser mais apresentável que um concorrente, mas fatalmente terá de se esforçar o dobro para convencer de que não está ali por que está dando/comendo algum superior.  Ser belo é não se preocupar muito com a embalagem e então pode se encontrar duas vertentes básicas de gostosões no mercado: os que fazem da própria beleza conteúdo e se bastam na própria futilidade; e os que acham que ser só bonito não é suficiente e, por isso, entram em crises existenciais.  Ser bonito e não achar que isso basta é problemático e ridículo. Só quem passa por essas agruras é capaz de entender e avaliar o tamanho da estupidez, afinal a beleza vai acabar um dia, é só ter paciência de esperar e esperteza pra aproveitar enquanto ela dura assim, de graça.  Cansa a beleza a desconfiança que a mesma traz; o bonito acha que só o querem pela aparência e quem ama o bonito sempre desconfia dos  sentimentos da beldade. Como se beleza e volubilidade fossem sinônimos em alguma outra esfera que não a do tempo… Beleza é inconstante e muito particular. NADA é unânime quando o assunto é beleza. Uns acham que a cor mais bonita é o azul, muitos preferem o vermelho e o mesmo padrão pode se aplicar aos estúpidos que somos nós. Somos lindos enquanto temos todas as nossas partes inteiras, quando estamos limpinhos e perfumados, enquanto o tempo ainda não nos castigou o suficiente pra sumir com nossa esperança… E a vida é bela, a gente é que cansa dela…

Som pra hoje: Clocks - Coldplay

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