Novembro
25th 2008
Vinte e sete

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Aniversário é uma coisa complicada pra mim… Dois dias depois de eu completar 9 anos meu pai morreu e depois disso é impossível lembrar que quando chega a data de comemorar mais um ano da minha vida também é tempo de lembrar mais um ano sem ele. Não, meu pai não foi um super pai, mas foi o que eu tive e fez falta. Fico super reflexiva nessa época, pensando se mereço ser parabenizada por mais um ciclo da Terra ao redor do Sol, se evoluí. Vinte e sete é quase trinta, levo quase seis meses pra me acostumar com a nova idade real e mesmo assim ainda não perdi a mania de aumentá-la. Vinte e sete translações desde que nasci… É, eu evoluí em alguns aspectos.

Sem dúvida, minha maior realização é meu filho. Por ele eu cresci muito, mas isso acontece com quase todo mundo que tem filhos. Aprendi com ele o valor da minha mãe e foi a melhor lição que ele me ensinou até agora. Hoje eu sou mais calma, menos agressiva (juro!). Aprendi que não tenho de ser forte, mas flexível. Estou aprendendo que quem não sabe argumentar, agride, ou sente-se ofendido pela verdade. Também aprendi que quase sempre vale a pena acreditar nos próprios instintos…

Mas não pense que por isso tudo eu estou melhor, não. Eu estou pior, muito pior! Hahhahaha!!! Sim, agora meus planos são maiores e mais perigosos, quero mais, quero TUDO, quero agora! Minha acidez só se equipara ao meu jeitinho meigo de ter só a cara de santa. Veneninha louca… Um pouco sádica, talvez. Sim, eu confesso, ainda A-D-O-R-O ver gente perdendo a compostura e mostrando quem realmente é, nem que eu tenha de provocar um pouquinho pra isso acontecer. Já teve aniversário em que eu fiz todo mundo ir embora da festa “surpresa” que mi madre preparou, por que não eram meus amigos mesmo. Só deixei minha família, quatro pessoas, presentes no momento em que soprei as dezoito velinhas… A cara dos excluídos foi impagável, pois não acreditavam que eu teria cojones de acabar com minha própria festa.

Hoje tem cara de qualquer dia. Não fui eu que fiz a Terra girar ao redor do Sol, não mereço parabéns. Feliz Aniversário é mais adequeado. E é feliz mesmo. Nem tudo vai como eu gostaria, mas por ter fé vida e sabê-la linda e caprichosa continuo sonhando… Um ano a menos de vida e a mais de experiência. Espero não estar me tornando aqueles velhos que falam com os jovens como se soubessem mais da vida por terem mais experiência. Meu pedido desse aniversário é para que o tempo não apague minha fascinação pela vida, que ao passar ele não leve meu idealismo…

Música pra festa: Candela - Buena Vista Social Club (delícia)

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Novembro
21st 2008
Não quero perder minha leveza

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Essa bobeira que me envolve e só mostro pra quem eu gosto, esse jeito de achar graça na desgraça, de ver mistério em tudo, de estar envolvida com tudo, tragar a vida com minha boca e deixar as impressões. Já que não vamos sair dessa vivos, é bom que a vida seja boa. Que seja com força ou com jeito, viver é o que há. Tento ao máximo não cair, tento ao máximo não me machucar quando caio, tento ao máximo não ficar caída por mais do que um segundo… Nem sempre consigo ser tão imbatível. O velho nó na garganta, o mais velho de todos… Sentada aqui, onde cresci e sei que já senti isso aqui tantas outras vezes. Apesar de já ter aprendido a fazê-lo diminuir, ele volta. O nó na garganta que sentia toda vez que a saudade do meu pai apertava. E, um dia, ele nunca mais voltaria pra consertar o que fez. Então a ferida nunca cicatrizaria e revelaria um nó na garganta a cada despedida. A incerteza de não saber se é realmente um adeus… Como últimas palavras eu ouvi: Juízo! Talvez você também não ouça e seja inconseqüente. E, um dia, esse nó pode apertar sua garganta também…

Música in, pra uma sexta in: Samba sobre o infinito - Marisa Monte

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Novembro
17th 2008
Causa ou consequência

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Segunda-feira não é o dia favorito de ninguém, eu acho. Ainda mais quando é antecedida por um lindo domingo de Sol. Minha Lady Murphy é muito gorda, alguns reveses repetidos, uma sensação estranha de estar sendo perseguida, mas tudo bem, sou meio neurótica… Consigo ser tão feliz quando quero ver o que tenho de bom na vida! É um exercício de gratidão, pr’aqueles dias em que dá vontade de desanimar, de reclamar da própria vida, das coisas que acontecem assim ou não acontecem assado. Eu penso no que consegui e sempre me dou conta de que tenho mais pra agradecer do que pra desejar. Mas, gente nasceu pra querer… EU QUERO MAIS!

Não só pra mim, por mim ou pelos meus. Quero pra tudo, minha expansão é infinita assim como o meu amor. Ainda que tudo fosse perfeito, nem sempre tudo é perfeito. Causamos as consequências e nem percebemos, atribuímos a culpa ao outro. É mais fácil ver um inimigo do que se tornar um amigo. É mais fácil que a culpa não seja nossa - apesar do mundo estar cheio de indivíduos com complexo de culpa - na prática o que é objetivo e pode ser realmente atribuído é sempre evitado. Nem sempre planto o que gostaria de colher, apesar de ser essa minha medíocre filosofia de vida. Algumas vezes somos forçados a fazer coisas que podem magoar alguns, mas deixar de fazê-las pode magoar muito mais gente a longo prazo.

O que realmente importa é minha vontade (só a minha) soberana na minha vida (só a minha). Não temos realmente poder de fazer nossa vontade soberana na vida de mais ninguém. E não deveríamos permitir a vontade alheia na nossa. Sonhar o sonho de outro é tão impossível quanto se alimentar com a boca de outro. O sonho alheio é algo a ser compreendido, admirado talvez…

Liaaaa! Por que você é só uma? Eu queria tanto rir contigo hoje…  Hey Jude - Beatles

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Outubro
15th 2008
Gente carente

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Gente, eu já falei sobre o amor mais importante. Talvez seja duro pra alguns, mas é verdade: somos seres singulares que sociabilizamos em maior ou menor grau, mas não vivemos realmente junto com outra pessoa depois dos nove meses da gestação. Temos de aprender a nos bastar e amar para sermos felizes, bem resolvidos e blá blá blá… Isso parece tão básico pra mim que meu sonho de velhice é uma casa antiga, tomada pela vegetação, cheia de gatos e sossego, solidão. Claro que vou querer assustar meus netos de vez em quando, mas não quero continuar tão estressada pelos outros todos os dias até o fim da vida. Quero um tempo, lá no final, pra pensar em todas as coisas incríveis que já fiz e vou fazer, pra lembrar e tentar negociar com a entidade responsável por um fim tranquilo.

As pessoas incomodam, em geral. Não todas e nem sempre, claro. Mas pode perceber como quase todas as situações que queremos que acabe logo envolve outra pessoa. Gente carente é triste. Geralmente são tipos que impressionam num primeiro momento, logo você começa a desconfiar de tanta lorota e depois não agüenta mais conhecer a figura. Por algum motivo, falta de atenção na infância, déficit de criatividade ou puro desespero de se encontrar sozinho consigo mesmo, os carentes perturbam o sossego das pessoas legais. Realmente deve ser chato pra caramba estar com alguém que quer ser amado custe o que custar, por isso os carentes não conseguem ficar na deles, nem eles se toleram. Ok, eu sou considerada antisocial por quem não me conhece direito e por quem eu não gosto. Quando eu sou boazinha… bom, eu nunca sou boazinha.

Gente carente geralmente inventa muita coisa pra ser aceito, conta histórias extremas de muita tragédia ou muito sucesso (ou os dois), são “bondosos” e prestativos para estarem perto, adoram mostrar que estão ali fazendo alguma coisa que julgam ser certa e querem que todos vejam e aprovem, buscam na personalidade mais independente um escravo, uma autoafirmação, um troféu. Pessoas independentes não se incomodam tanto com as carentes, apenas vivem o mais distante possível delas. Quando é impossível escapar, usar de paciência e educação até quando for possível. Tenho pena das pessoas bem resolvidas que por excesso de idealismo, paixão ou compaixão não conseguem se livrar da teia grudenta desses carentes…

Sempre penso que esses complexos têm origem materna, claro, a culpa sempre é da mãe. Com meu filhote eu sou a pessoa mais doce e atenciosa do mundo, e mesmo assim não posso garantir que ele seja seguro e saiba se bastar e amar quando for preciso. Acho que o importante é dar o exemplo, nada pior que um bom conselho acompanhado de um mau exemplo…

Som pra lembrar do meu filhote, que acho minha cara quando vejo as fotos de quando eu era pequena  (diz aí se não é), meu pequeno príncipe adorava quando eu escutava essa durante sua gravidez: Rebel Rebel - David Bowie

P.S. Hoje é dia dos professores. Feliz dia para os bravos e corajosos heróis que compartilham seu conhecimento, tarefa tão bonita, por tão pouco reconhecimento nessa terra burra de meus Deuses…

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Agosto
25th 2008
Contemplação compulsiva

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Dias em que não quero olhar pra fora, dias em que preferia poder curtir um silêncio, uma distância, um isolamento de verdade. Tem dias em que não sei o que dizer, que só queria ouvir uma boa estória, alguma mentira, ser entretida, pra variar… E aí eu ataco um chocolate, parece que sinto uma carência de mim, da minha energia, vontade de não ser a Lia pra encontrar com ela, e dar muita risada, ouvir teorias da sua imaginação louca e cômica. Rir, talvez chorar. Rir até chorar, ou chorar até me sentir ridícula e começar a rir. Eu me quero tanto quando me sinto assim. Que sem graça ser peça única no mundo… (ok, caríssimo leitor, todos somos). Seria legal me ver, me encontrar, falar comigo e me escutar. Como é impossível, fico a contemplar a impressão que causei, as marcas que deixei e as bostas que escrevi. Hoje, especialmente, chego a conclusão que padeço de um antigo mistério da humanidade: intolerância. Quando ninguém é como eu, nesses dias de contemplação compulsiva, sinto aversão. Medo também. Por que as pessoas não podem ser eu? Que saco… Só eu seria capaz de me fazer rir hoje, só eu conseguiria dar o que quero e preciso. Por que não sei explicar, só sentir e contemplar essa sensação que lembra um desgaste misturado com agonia… Que merda.

Música chata de hoje: Black - Pearl Jam

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Julho
30th 2008
in & eu

Posted under Brisas

Incompreendida, como qualquer juventude, em qualquer tempo. Nem tão jovem, nem tão adulta, ainda… Inconstante, indecente, incoerente. Insossa, invertebrada. Insatisfeita, não pela juventude, mas pela velha guarda que chacoalhou muito suas pulgas pelo direito de expressão, e hoje a maioria nada tem a dizer, só lamentar. Inquieta pela avaliação, não dos velhos, mas dos jovens que amanhã podem achar que a velha aqui se conformou e calou também. Não quero deixar pro meu filho o fardo de dominar o mundo, pretendo fazer isso por ele, e ensiná-lo a fazer o mesmo, para que ele faça no tempo dele. Insuportável. Ter opinião é inaceitável. Saber pensar parece inválido. Inacessível, invejada, iniciante. Inflamada e com a vontade impotente, insolente ao olhar inquisidor. Indomada e, ainda sempre, inconformada…

Som bem in: Infected - Bad Religion

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Julho
21st 2008
Segunda-feira, segunda chance…

Posted under É com a Lia

Como pode? Não sei, nem quero saber e não me submeto ao escrutínio por aprovação. Let it be, live and let die… Oh, rainha dos provérbios! Preciso criar coragem pra te contar uma coisa. Mas não tenho pressa. Não tenho mesmo… Só vontade, muita. Fim de semana com meu filhote, meio final de semana, na verdade. Sabadão eu estava fazendo um curso durante o dia inteirinho. Só cheguei pra colocá-lo na cama. E ele já está na cama, nada de berço, ele é muito grande pra um berço conseguir segurá-lo. Aliás, ele está tão independente que faz muitas saudades da época em que cabia inteirinho em meus braços. Só come sozinho, bebe no copo sem ajuda, sabe o que quer e como quer e não tem dificuldade para expressar isso. Eu estou cada vez mais coruja, cada vez mais preocupada também. Ele é rei absoluto da minha vida, do meu tempo, de todo o espaço. Mas é algo que não posso resolver ainda… O que posso resolver, está complicando, ou não. Ando boba, estou feliz, mais do que esperava pra essa época. Estou até inspirada…

Melodia pra você… Across the Universe - Beatles

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Junho
17th 2008
Medo ou Indiferença

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Eu sei o quanto já sofri por me achar insensível algumas vezes, por não me comover com declarações feitas sob forte impacto de emoções, por agir bem sob pressão e conseguir ver situações por ângulos diferentes dos meus. Talvez eu seja bem calculista, mas sempre me considerei tão impulsiva… Estou numa fase de questionar esse aspecto da minha vida. Percebi que muitas vezes eu não fui impulsiva, apenas fiz o que quis. As vezes que considero ter agido por puro impulso me valeram de experiência, mas foram poucas. Apesar de ser taxada até por mim mesma de impulsiva, vejo que meus impulsos estão cada vez mais sob controle. E ando com um sorriso no rosto, deixando as pessoas preocupadas com minha calma, saboreando escolhas e me divertindo comigo mesma até. É gostoso ser dona da própria vida… Claro, por uma questão de tempo ainda não tenho tudo o que quero, mas já consegui quase tudo que preciso. Viver com medo e indiferente ao medo que se sente. Nunca fui tão segura e forte quanto pareço, mas quanto mais medo eu sinto, mais coragem tenho. E, putz, eu tenho que me agradecer por isso! Obrigado, amada Lia, por ser tão corajosa e fazer da nossa vida uma história de amor! De nada, adorada eu.

Medo e indiferença. Parece feio sentir isso? Mas é só um lado da moeda que tenho agora. Tudo na vida tem, no mínimo, dois lados. Toda nuvem escura tem uma face iluminada voltada pro infinito…

Quase esqueci, o som de hoje: Little Acorns - The White Stripes

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Maio
18th 2008
Dancing days

Posted under É com a Lia

Estou de volta e dá vontade de gritar quando coisas boas acontecem. Tentando não me isolar, não me impedir de tentar mais uma vez, não me sabotar, pra variar… Não quero me tornar amarga pelas decepções, medrosa nunca fui. Reaprender a ser livre, a me deixar ao alcance, saborear aventura de novo, me permitir. É, eu estou muito bem hoje, queria agradecer a mim mesma por não ter sido covarde. Valeu muito a pena. Hoje o dia começou gostoso, estou de ótimo humor (raridade, pata Donalda), vontade de beijar o céu e deitar, de novo, nas nuvens… E pensar na noite.

Ouvindo nas nuvens: Dancing days - Led Zeppelin

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Maio
1st 2008
Sem ele aqui

Posted under Maternidade

Sem ele aqui, a casa fica tão vazia… Meu dia parece tão longo, tão sem graça. O silêncio domina o ambiente, os brinquedos não querem brincar, falta meu toquinho de gente. E eu fico tão perdida! Desde que sou mãe, vesti a carapuça de leoa e me acostumei a nunca abandonar a cria. Mas sei, eu sei, tenho que me acostumar com essa rotina, infelizmente. E cada vez mais, como manda o figurino. A cada dia ele está mais independente, cresce rápido, e eu vou precisar ser muito forte cada vez que ele não estiver sob meus cuidados. Fico inerte, sem saber oque fazer do meu dia, acostumada com a rotina estreita dos horários dele, com as brincadeiras e músicas que ele gosta. Sem ele aqui, meu dia fica tão cinza, tão sem graça… Dá vontade de dormir e só acordar quando ele chegar, mas isso seria uma fraqueza, um fracasso da minha parte. Preciso continuar vivendo, seguir em frente e não me deixar abater, pois ele vai voltar. E, hoje, eu tive um ataque de cabelo e cortei tudo, fiz uma franja e enchi de pontas… Agora estou aflita: será que meu gatinho vai gostar ou vai estranhar? Afinal, a opinião dele é a que mais me importa.

Trilha de hoje: Leãozinho - Caetano Veloso

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