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Espero que ele não fique super bravinho, adora fazer um tipo reservado e ranzinza o meu irmão. Putz, meu único irmão, meu melhor amigo. Por ele é que vou fazer um(a) irmãozinho(a) pro meu pequeno. Por ele é que sou o que sou hoje e sem ele minha história não teria significado nada. Parece exagero? Tenho uma teoria… Ok. Não quero falar a teoria do que penso sobre ter irmãos ou ser filho único nesse post. Quero falar dele, do Pequia. Claro, esse não é seu nome. Na verdade, era pra ser Wellington, mas diz a lenda que o “cara do cartório” nao sabia escrever isso, então nosso progenitor sacou a cédula de identidade e disse: ” - Então copia esse nome aí, seu analfabeto!”. Não duvido muito da lenda porque nosso pai não era bem um exemplo de elegância e paciência. E aí ficou o mesmo nome do meu pai, um nome que parece um espirro. Eu não sabia falar seu nome quando nasceu. E quando tentava pegá-lo do berço pra brincar, como se ele fosse um boneco, mi madre sempre dizia que eu não podia, que ele era pequeno. Eu também não sabia falar pequeno, repetia: ” - Ele é pequia, mamái?”. Foi seu primeiro apelido e durou a infância toda - PEQUIA! Ele não se incomodou com o apelido nos primeiros 12 anos de sua vida e sei que sempre, no fundo de sua mente, seu apelido secreto é Pequia; será esse nome que ele vai usar se um dia precisar esconder sua identidade enquanto brinca de super herói, e fui eu que batizei.
Meu irmão, na verdade, não é o tipo que brinca de herói valentão, mas de “Rei da Razão”. Ele sempre foi muito mais pacífico, mais “bonzinho” que eu. Deixávamos la madre louca! Claro, a culpa quase sempre era minha, que o levava junto. Muito ciúme, ele nasceu e eu ainda mamava no peito, só um ano e dois meses de diferença. Já fiquei ressentida aí. Então, quando ele tinha só três meses de vida, um procedimento mal feito no hospital resultou em infecção, pneumonia e o escambau. Ele, que chegou ao hospital aos três meses e pesando seis quilos, saiu aos seis meses pesando três, depois de extrema-unção e até atestado de óbito. Imagina que mi madre ficou muito mals, não saía de perto dele no hospital. E eu, que tinha uma saúde de ferro, ficava meio em segundo plano. Durante toda a infância ele teve a saúde mais frágil, mas isso não me impediu de judiar bastante, como uma boa irmã mais velha e ciumenta. A gente brigava por tudo e qualquer coisa. Se hoje eu sei brigar pelo que quero, aprendi com ele.
Tinha um terceiro irmão, que não era filho da nossa mãe, mas da irmã dela. Nosso primo Guto, que é apenas vinte um dias mais velho que eu, mas sobre ele vou escrever em outro post. Ele morou conosco durante os anos dourados da infância, era nosso parceiro de fugas e campeonatos de arroto. Meu irmão sempre tentava imitá-lo, mas aos oito anos ele foi morar com a mãe e aí éramos só nós, de novo. Brigas e brigas, altas cicatrizes nele, o menino parecia podre mesmo. Uma vez, depois de ter levado uma super mordida canibal no ombro, ele me deu um soco no nariz daqueles que tiram sangue, tinha catorze anos e já estava mais alto. Nunca mais eu poderia ser mais forte então paramos de brigar e começamos a discutir. Ele, na busca da propria personalidade, foi se distanciando, e eu também. Dois adolescentes que queriam ser diferentes, ter outros referenciais. Eu fui a rebelde, ele foi o ajuizado. Seu temperamento me fazia defendê-lo dos valentões na infância, da adolescência até hoje é ele quem me defende. E ele é grande, viu?
Sempre foi um político nato, o tipo que conhece até os cachorros de rua pelo nome. Dirige melhor que eu, me salva quando eu mato o computador, entende mais dos mecanismos ocultos da economia nacional, é mais cabeçudo, mas sempre perde pra TV quando está passando qualquer jogo de futebol, não importa se for campeonato da série J do Ziniguistão, ele assiste. Comia até pedra quando era pequeno, hoje tem várias frescuras pra comer. Urbano no nível máximo, o melhor que ele já pescou foi a própria orelha aos sete anos (e eu que tirei o anzol, hahaha). Caramba, meu irmão é um oposto, mas é totalmente complementar. Sem ele eu seria muito pior, com certeza… E ontem sua obra-prima completou 5 anos de vida, meu único sobrinho, o Thomas. Parabéns, Buliga! Eu queria ter tido um pai tão legal quanto o seu!
Uma música que ele ama: Nothing else matters - Metallica