Outubro
8th 2008
Trabalhar o texto

Posted under Contos

Eu estou tentando trabalhar meus textos, como já me disseram algumas vezes: Escrever é a arte de reescrever. Eu tento, juro. Mas sofro de ejaculação precoce das idéias, não sei guardar segredo nem fazer suspense. Sempre que tento, canso da estória. É um exercício de superação, pratico regularmente nos últimos tempos. Releio meus rascunhos, já tem quase vinte aqui, tento acrescentar conteúdo, mas muitas vezes acho que estou enchendo lingüiça. Queria saber fazer mistério de verdade, mas fico presa no meu preconceito de não terminar de ler ou assistir alguma coisa cujo final seja previsível. Não quero enrolar coisas previsíveis. Melhor: quero ter uma idéia imprevisível.

Uma idéia, qualquer idéia, pode se tornar imprevisível, por isso que estou me dedicando ao ato de reescrever. Algumas coisas ficam legais, penso sempre no maior absurdo possível, tento aplicar a técnica do “e se…”, busco inspiração em volta ou na memória, inspiração. Piração… Estou gostando da posição. Não quero só escrever bobagens tipo essa que você está lendo. Quero me dedicar ao romance de fantasia, gênero que mais gosto de ler. Quero criar um Universo paralelo incrível, personagens incríveis, uma aventura incrível. Estou trabalhando pra isso, por enquanto só elaborando mais alguns contos, mas a imaginação não pára, fica criando esse mundo maluco e alimentando referências. Inspiração não falta, não. Vida inspira e estou cercada, tomada por ela.

E quem usa muito a cabeça pode comer quanto doce quiser que não engorda… (segundo o Death Note)

Música pra criar: Generator - Foo Fighters

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Agosto
22nd 2008
Escreve aí

Posted under Brisas

Tanta gente que odeia escrever me fala: “Ai, eu queria tanto ter esse seu ‘talento’, mas eu não sei escrever”. E eu sei? Acredito que todo mundo sabe. Ei!!! Isso aqui, esse blog, é mais pra mim do que pra você, sabia? É um grande exercício de autoconhecimento e superação. Escrever alivia grandes probabilidades de desvios psicológicos na minha conduta quase imaculada. Duuuh! Fico em dúvida se consegui desvendar um grande mistério da humanidade: escrever. Se você pensa e sabe ler, então, você é capaz de escrever. Não requer um árduo treinamento ninja pra se colocar em palavras o que acontece na imaginação. Se as pessoas tentassem escrever o que sentem e guardassem esses textos, teriam material de sobra pra perceber a própria inconstância, burrice, fragilidade e comédia.

Seria bem legal ser lida não fosse pelos que não conseguem acompanhar o raciocínio selvagem das minhas palavras, não fosse o julgamento ao qual sou submetida pelos que nem imaginação têm, não fosse o mal-entendido que qualquer expressão pode desencadear. Seria incrível ganhar dinheiro pela minha grafomania, mas se eu fosse publicada acredito que receberia um prêmio pelo maior “Worst Seller” da história, perdão pela falta de modéstia, mas realmente não creio que alguém pagaria pra ler tanta bobagem. E quando me perguntam se não tenho interesse em publicar, digo que já está publicado na web. E eu acredito na web, gosto dessa liberdade que tenho aqui, gosto de saber que quem lê esse texto encontra o que eu realmente escrevi, sem edição, sem palpites e quase sem noção da própria força.

Escreve aí, cara! Coloca em palavras seus pensametos e leia. Não se surpreenda se começar a discordar de si mesmo assim que começar a se enxergar, ou ainda, se escrevendo você se atenha mais aos detalhes, coisas que passaram despercebidas, ou ainda, o quanto você não se conhece. “Conhece-te a ti mesmo”, socrático, básico, patético. Há quem resmungue que olhar pra dentro é pequeno, limitado. E, graças aos Deuses, há quem acredite que é fundamental se saber antes de fuçar a vida alheia. Somos nossas melhores referências, e somos as únicas que teremos de tolerar até o fim…

Música pra essa filosofia de boteco digna de “fried day”: Dostoievski - Wandi Doratiotto

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Junho
27th 2008
Luz nova

Posted under É com a Lia

Comércio exterior. Parece loucura, uma área totalmente nova, mas será minha nova área graças ao meu estilo de falar pelos cotovelos e até em outros idiomas. Novo desafio, novo emprego… Velha questão ética e sentimental das mães que trabalham quase o dia todo e pouco podem cuidar de seus filhos. Eu sei que já é hora de voltar ao trabalho de verdade, não dá mais pra segurar com aulinhas e freelas meu impulso de comprar logo outro ap. Estou feliz, sabia que voltaria logo ao mercado assim que decidisse, graças aos Deuses sempre me foi fácil arrumar trabalho, segunda-feira já vai ter cara de segundona de gente grande, de novo. Adoro novos desafios, adoro coisas novas, já estou adorando essa nova idéia… Uma coisa não impede a outra. Escrever, meu amor de perdição, é algo que nunca vou deixar de fazer.

Barulhinho de hoje - Nada será como antes - Elis Regina

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Janeiro
29th 2008
Palavras loucas

Posted under Brisas

Coisa inútil tentar se fazer entender. Não me acho artista, mas sou uma incompreendida.  Ok, eu me acho um pouco artista. Ok, eu me acho implacável. Ok, eu não sou um modelo de sanidade… Mas sinto que explicar não resolve. É melhor mostrar.

E eu falo demais, falo até me arrepender do que disse. Falo para expandir, ensinar, aprender, me divertir. Ah, eu adoro uma mentirinha… Se você não me conhece de verdade, pode ser que já tenha sido vítima de alguma história cabeluda que eu inventei só para me distrair enquanto o ônibus estava preso no trânsito. E aposto que, se foi uma das minhas vítimas, deve ter se sentido feliz por conhecer alguém tão interessante. Pelo menos é o que você deve ter pensado… Eu sei que deveria escrever essas ficções, mas sou melhor em contar do que escrever.

E isso pode parecer uma compulsão por mentir, mas eu juro que não é. Eu sou normal. Eu não menti por não conseguir evitar, mas sim para me distrair. Para quê contar minha vida de verdade? Ela até tem graça, mas seria muito mais interessante ser, de brincadeirinha e com sotaque, uma refugiada de Gorazde ou uma turista importada dos States em busca do amor latino de sua vida… Ou ainda, ser uma maluca que sofre de alguma doença que a faz cantar como se estivesse sozinha em seu quarto. É, eu sou bem ridícula. O papel da maluca que canta é o mais divertido, sem dúvida. As pessoas começam a cantar junto quando a música é daquelas que grudam na mente. Aposto que passam o dia inteiro me xingando por cantarem “Olha, olha, olha a água mineral, água mineral!” sem querer…

Não, eu não deveria considerar a carreira de atriz. Não sou bem interpretando papéis que não são meus de coração. Odiaria fazer um papel mais idiota que o que já faço por diversão. E, sim, eu acho divertido isso de envolver as pessoas nas minhas fantasias. O que posso permitir é que admitam, como poucos o fazem, que conviver comigo pode ser qualquer coisa, menos entediante. Só não me acusem de ser contagiosa, por que soaria como elogio…

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Janeiro
17th 2008
Emprego

Posted under Brisas & É com a Lia

Alguém aí quer me pagar pra escrever? Dizem que escrevo bem e que tenho imaginação para melhorar as histórias que, na verdade, são fatos. Uma veia dramática, diriam os (des)entendidos. Sim, eu gostaria de ganhar dinheiro para escrever besteira, escrever sobre a vida e as pessoas, Tenho alguns projetos meio utópicos, escrever as estórias que as pessoas contam e contar sobre quem são. Eu sonho em ajudar a humanidade a evoluir, a se ver como uma irmandade, onde somos todos terráqueos e, por isso mesmo, somos iguais. Diminuir a intolerância, agregar bons valores como a contestação respeitosa das verdades (suas e dos outros), argumentação inteligente, solidariedade ativa, respeito pelo passado e futuro da nossa História e busca da própria felicidade.  Sim, eu sou um pouco intrometida. Medrosa, tenho medo de ser crucificada como John Lennon. Não me levo muito a sério hoje em dia. Preciso ficar viva. O sonho de escrever reportagens em campos de guerra deu lugar ao sonho de viver mais um dia pra ver meu filho crescer. Mas isso não impede que eu escreva sobre as guerras. Não impede que eu ensine meu filho sobre a ignorância humana e o mal da intolerância usada a serviço da avareza. E eu escrevo mais pra mim, hoje em dia. Não ganho nada pra isso. Faço por prazer e aproveito essa liberdade. É a terapia de rir de si mesmo quando ler algum tempo depois. Mas sinto que já está mais do que na hora de aprender a escrever para os outros. Quer me contratar?

Música de hoje: Can´t take my eyes off you - Frankie Valli

Dá uma sensação tão boa quando ouço o começo dessa música… E a letra é maravilhosa! É, sem dúvidas, uma das melhores músicas do mundo! (ok, eu sou piegas…)

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Setembro
23rd 2007
A Revolta

Posted under Brisas

Escrever, para mim, é um ato de desabafo, de terapia. Por que escrever? Nem sei… É algo até compulsivo. Eu ganhei minha primeira máquina de escrever com 8 anos, eu a queria muito. Datilografei muito poeminha fofo que escrevi nessa idade.Mas com 10 anos eu ganhei um computador, na época era MSX sei lá o que e eu abandonei a máquina. Sempre escrevi e desenhei em cadernos e papéis que me caem às mãos. Amo canetas e lápis de cor, amo pincéis e tintas. Amo ler as letras. As letras dos outros têm um ar de inspiração, as minhas, de expiração. A melhor maneira de me lembrar de quem eu sou é ler o que escrevi. Não reviso ou mudo nada, apenas me encontro com aquele momento. E ele me disse que minha escrita tem um ar de revolta. Fiquei meio chocada.

Sim, já fui chamada de revoltada muitas vezes, mas nunca me considerei assim. E, ultimamente, principalmente neste espaço, eu acho que estou mais serena do que nunca. Talvez eu esteja me enganando com a doçura da maternidade, mas eu estava me achando tão zen… Revolta passa longe das minhas intenções. Ou será que as letras deixam um subconsciente revoltado aparecer? Como andará este subconsciente, huh? Cheio de inspiração e sensações novas. O consciente está com medo de não corresponder as minhas expectativas. Talvez eu tenha nascido com uma inquietude latente, e acho que ela é interpretada como revolta; muitos aspectos podem ser distorcidos quando há um certo empenho por parte de quem vive angustiado com a afirmação para si da própria identidade. Como afirmar para mim quem sou? Como manter uma estabilidade quando prefiro dizer uma frase clichê do tipo “eu prefiro ser uma metamorfose ambulante” a admitir que prefiro conhecer tudo e formar opinião, sim. Como negar meu julgamento se eu sei? Se não posso julgar, então o que sei? Um animal não julga, apenas sobrevive. Se sou revolta, talvez esteja apenas julgando saber ser este o comportamento que me cabe no mundo de hoje, à despeito de qualquer situação maravilhosa pessoal. O mundo está revoltante.

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Julho
24th 2007
Escreva!

Posted under Conselhos Inúteis

- Ah, tia Lia… Mas eu não gosto de escrever… Sobre o quê vou escrever?

Sobre qualquer coisa mas, principalmente, sobre você. Por que? Para rir de si mesmo em alguns meses. É uma terapia de autoconhecimento. Hoje você escreve sobre qualquer coisa que lhe aflige, o que sente, com quem está namorando ou saindo, como é e tals… Talvez seja difícil para algumas pessoas, pra mim sempre foi fácil escrever sobre minha própria vida. Meninas costumam fazer agendas e escrever essas coisas ali. Eu prefiro Blog por que já perdi muitas agendas… Mas o legal de se registrar os fatos é a retrospectiva. De nada adianta escrever sobre o que passou se não for para fazer um balanço do que foi legal. E é muito divertido se ver e rir de si mesmo. É incrível o quanto mudamos no espaço de um ano, o quanto nossa vida pode mudar, o quanto nossas velhas idéias nos parecem ridículas…

Se conhecer é muito bom e esse exercício de escrever sobre a vida ajuda. Mas, na minha ilustre opinião, o que importa mesmo é ver depois de algum tempo o quanto as certezas nunca são absolutas, o quanto superdimensionamos alguns problemas e notar que o tempo é o mestre de tudo, e na verdade ele nem existe realmente. Tempo… Isso é outro papo. Até mais!

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Junho
25th 2007
E agora?

Posted under Maternidade

É, eu agora sou uma mãe. Matraca eu sempre fui. Verborrágica, talvez. Escrever é uma forma de aliviar a avalanche de idéias e pensamentos que me inquietam, principalmente quando se desenvolvem. Meu filho é a melhor idéia que eu já tive e, foi meio sem querer… Foi inesperado, mas muito desejado, querido e adorado desde o dia dos namorados do ano passado, quando fiquei sabendo que meu corpo não estava mais sozinho pela vida. E foi o melhor presente que já ganhei na vida.

Hoje ele tem quase cinco meses. Me consome toda vontade de olhar para qualquer outra coisa. E ele é um menino incrível. Sim, eu sou uma mãe coruja, como todas as mães… Mas é fato que ele é um bebê mais simpático que a maioria. Não estranha ninguém, abre um lindo sorriso babado para qualquer um que brinque com ele, adora qualquer colo, não é chorão (a menos que sinta sono, fome ou frio) e, se você cantar para ele uma musiquinha qualquer com voz bem fininha e sorrindo, vai ver a alegria em forma de pingo de gente! É, é minha vidinha linda, mesmo. Agora ele acordou e, para continuar esse texto, coloquei o seu CD favorito para tocar. Acalma que é uma beleza e eu recomendo para todo mundo que tem neném. O CD chama-se “Meu Neném”, do grupo Palavra Cantada. Tem também, do mesmo grupo, um CD de músicas de roda, que é uma viagem aos nossos tempos de criança. É uma delícia ouvir e relembrar as musiquinhas que nossas mães (ou tias, professoras, etc) ensinaram para gente. Chega. Ele já está inquieto e é hora do seu suquinho de laranja-lima. Até mais!

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