Setembro
24th 2008
Onde isso vai parar?

Posted under Brisas

Tanta violência na TV contra crianças deixa muita, mas muita revolta mesmo. Pedofilia, agressão, assassinato. Que vontade de sair matando esse tipo de criminoso… Claro que qualquer violência é revoltante, mas contra anjos inocentes e totalmente indefesos é MUITO mais grave. Fico besta, me pergunto com anda a cabecinha dos pequenos que assistem ao show de horror dos noticiarios, como olham pros adultos que deveriam zelar pelas felicidade em suas vidinhas.

É todo dia. A cada dia uma nova barbárie, não há punição decente para esses criminosos, a justiça no Brasil é ridícula. Morosidade na investigação, demora no processo judicial, assistência social ineficiente. Mais a pobreza… Essa é fator constante. Com exceção do caso da Isabela Nardoni, que teve tanta repercursão exatamente por ser de classe média, todos os que surgem diariamente são retratos da miséria humana. Mães, que o são por não terem condições de pagar um aborto clandestino em clínica bacana, abandonam filhos nos lugares mais desgraçados que se pode imaginar, dá vontade de ver a sujeita castrada pra nunca mais ter chance de errar assim com a vida de outro filho, sempre imagino por qual motivo essas fulanas não deixaram esses bebês em lugares seguros, pelo menos. Pais que estupraram filhos respondendo aos processos em liberdade, crianças que crescem fumando crack e sendo espancadas, babás que judiam. É tanta coisa que nem sentimos muito.

A classe média, vítima da culpa mas não da fraternidade cristã, sente-se mal para protestar e reclamar. Poxa, não podemos reclamar da nossa comida enquanto tantos são os que passam fome, não podemos reclamar do caos nos hospitais quando temos plano de saúde, se nossos filhos estudam em escola particular fica mal reclamar da pública. E por aí vai, há até quem diga que só paga imposto de renda quem ganha o suficiente pra isso. Verdade, segundo as leis imorais do nosso país. Se ganhar 1.500 reais por mês já leva mordida do leão, já é classe média. O salário mínimo, ridículo no nosso país, talvez não aumente por que quem ganha cinco deles já se acha rico demais pra reclamar. Essa omissão garante o ciclo de pobreza, que passa de pai pra filho, assim como o ranço burguês dos que tiveram oportunidades mas acreditam que conquistaram tudo sozinhos.

A sociedade discute ambientalismo enquanto tem criança se prostituindo em Brasília por 3 reais. Claro que um assunto não desmerece outro, mas vamos combinar que essa criança vai crescer sem ter a menor oportunidade de se maravilhar com a reciclagem mágica, muito menos saber do que se trata educação ambiental. As pessoas estão esquecendo das pessoas mais importantes: as que estão crescendo. O futuro sempre é delas, mas somos nós, os adultos, que seremos os responsáveis pelos monstrinhos que estamos criando. Se omitir em relação ao descaso do governo com essa pobreza que gera tanta tragédia é irresponsabilidade. O assistencialismo das bolsas-esmolas poderiam ter fim se a classe média se manifestasse em favor da dignidade do salário mínimo. As oportunidades seriam melhores se as famílias não tivessem só sexo e TV como formas de entretenimento. Se a desigualdade não diminuir, continuaremos a assistir de cima ao freak show dos flagelados na TV, e teremos parte da responsabilidade quando essa violência nos atingir.

Som do protesto: Perfeição - Legião Urbana

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Março
15th 2008
Questão de criação

Posted under Maternidade

Dizem que a lendária Fênix renasce das próprias cinzas, isso é bem dramático… Eu fui criada para ser bem forte, descendo de uma linhagem de mulheres fortes e independentes. Até que ponto isso foi bom pra mim, só eu sei e agradeço horrores, afinal eu não me trocaria por outra por nada nesse mundo. Ser assim é uma delícia, desse jeito como eu sou… Mas será que foi bom pro meu irmão? Até que ponto ser uma mulher mais macho que muito homem pode transformar os filhos homens em cagões? Eles crescem acostumados que serão protegidos pelas mulheres, amparados, superestimados, superexigidos… Como será que aprendem a lidar com a frustração de não serem tão versáteis quanto suas mães, mulheres e filhas?  Acho que alguns nunca aprendem, e chegam até a agredí-las em tentativas covardes de autoafirmação. Alguns lutam a vida toda para escapar da opinião materna, aliás, as mães quase sempre nem fazem idéia de quanto suas opiniões pesam e podem atrapalhar a vida dos filhos. É um ditado (olha eu dando uma de mi madrezita) que é bem aplicável: o fruto nunca cai muito longe de sua árvore. Os filhos vão refletir a criação que tiveram, vão copiar os exemplos até que comecem a questioná-los, se tiverem aprendido que isso é bom. Até que ponto uma mãe forte pode sufocar seu filho? Eu me preocupo muito com isso, por que quero muito criar um filho forte, mais do que eu até. Fico sempre me policiando para não tratá-lo como um bebê mais novo do que ele é, para não subestimá-lo ou desencorajá-lo a viver suas aventuras. É difícil, já dá saudade de quando ele era menor, quando cabia nos meus braços inteirinho… Sei que um dia nem meu colo inteiro será capaz de comportar sua presença, sei também que meu coração todo vai sempre morrer de medo da sua ausência. Ser mãe é viver no limite das emoções, é viver sem limites.  Quando bate a incerteza, a dúvida sobre o futuro, sempre penso: A vida é curta, mas eu não tenho pressa…

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Fevereiro
11th 2008
Adaptação ao Berçário

Posted under Maternidade

Hoje, segundona, primeiro dia de adaptação do Américo na escolinha. Como é novidade ele foi o único bebê que não chorou nem um pouquinho, mas fui advertida para não ficar muito animada, pois quando ele perceber que será uma rotina ficar ali, longe dos pais todos os dias, começa a chantagem emocional e as crises de choro que partem o coração…

Eu gostei bastante do lugar, a “tia” que vai cuidar dele me lembrou muito a minha “tia Nazaré” do jardim de infância. E até hoje a “tia Nazaré” é a “Tia Nazaré” e, quando a encontro em qualquer lugar, sempre dou um abração e sinto que ela foi muito importante na minha vida de criança. Obrigada, tia Nazaré. Nunca esquecerei a “Dança das Caveiras”(que eu gostava só porque era das “caveiras”), e hoje eu que canto pro meu filhote. Tumba lá catumba,  tumba tá!

As crianças dão o maior escândalo enquanto as mães e pais se despedem. Os pais ficam numa situação de dar pena. Dá pra ver a sensação de culpa estampada na cara deles. Mas é só virarem as costas e os pequenos esquecem e logo vão brincar. Na verdade só querem chamar atenção e conseguem. Imagino que essas mães e pais devem passar o dia pensando nas lágrimas da despedida… Eu passaria, acho.

Apesar de ter lido as revistas de praxe sobre educação, ter conversado com pais que passaram por isso, googlado o assunto, visitado outras escolinhas, sinto que não estou preparada para o dia em que ele chorar me pedindo para não ir embora. Eu sempre cedo aos bracinhos esticados do meu filhote me pedindo colo. Sempre. Ok, sei que isso não é bom e pode “estragar” o menino e etc… Mas se EU não posso mimar MEU filhote, quem pode? A vida de gente grande é muito difícil e dura muito tempo. Melhor ele ser mimado agora…

A trilha sonora perfeita para hoje é: Whole Wide World by Wreckless Eric

Essa música também é maravilhosa, né? Eu sei que é…

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Janeiro
28th 2008
Filhos e Gatos

Posted under Bichanos

É chato admitir, mas é mais pura verdade. Depois que o Américo nasceu, eu não dou a mínima pra Raiona. Dou comida, água, mando dar banho no veterinário, vermífugo, antipulgas e tal. Mas é difícil eu ter tempo para pegar ela no colo e apertar sua fofura loira. Eu sempre fui louca por gatos, mas desde que meu filhote nasceu, deixei a bichaninha de lado. Ela entende, parece. Deixa o Américo brincar com ela, ou seja, não reage ao seu carinho agressivo. Vive tentando entrar em casa, pede atenção sempre que tem oportunidade, caça passarinhos e traz quase todo dia pro nosso minúsculo quintal. Ela é uma graça de gata. Eu me sinto bem culpada por não dar mais toda aquela atenção fanática. Ela foi nossa primeira filha, mas quando o Américo nasceu, perdeu o posto. Agora ela é nossa primeira guardiã. E tenho certeza que entende a nossa ausência. Aposto que ela não trocaria toda a liberdade que tem junto com as mordomias por uma dona carente que a fizese de cadelinha… Mas, isso não é impossível de acontecer. Se ela durar uns 30 anos, talvez pegue a fase “ninho vazio” da minha vida…. Haja vidas pra chegar até lá.

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