Novembro
24th 2008
Res Nullius

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Então, lembram da entrevista que eu fiz com a Soninha? Pois é, o trabalho ficou pronto, mas foi feito meio na correria, claro. Tudo fica sempre pra novembro, inclusive a disposição dos professores para mandar trabalho. Então a revisão não ficou lá essas coisas, mas o que vale é a intenção. Minha parte foi a entrevista com a Soninha, vocês podem ouvir o áudio na íntegra no meu Podcast, está em duas partes por que a conversa foi longa… A revista (quase) como foi entregue é essa:

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Novembro
12th 2008
Lulama

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Lula lambe Obama. O mundo também. Existe esperança, afinal. Mas não muita, não por aqui… Aqui a ignorância faz a esperança e a desesperança também. A ignorância que é mãe da pobreza, da corrupção, da intolerância. O brasileiro pobre não participa, não. Tem que comer pra sobreviver. O brasileiro da classe média está deprimido e impotente diante dos modelos de felicidade que foi criado para perseguir, para a máquina funcionar. O brasileiro rico não está deprimido. Ele vive o modelo de felicidade, pode brincar de filantropia e dormir sossegado. Claro, existem exceções. Mas é tão pouca a mobilização popular à favor da própria sociedade que dá muita raiva. É tão conformada a maioria, é tão pacata… Tudo bem se está tudo errado, não estresse! Brasileiro não estressa… É um povo conformado, é um povo que ri quando deveria xingar, xingar é errado por que se expressar é errado, expressar descontentamento é errado, tem que seguir o padrão do pacato, pedir desculpas por estar sendo lesado. Tem que estar feliz, mesmo humilhado como cidadão. Tem que ter esperança, mesmo diante de toda injustiça… Tanta injustiça que não é mais possível imaginar uma redenção, é muito difícil até pensar numa alternativa. Virtudes… Onde vocês se esconderam?

Música de esperança(?): Redemption Song - Bob Marley

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Novembro
4th 2008
Soninha 2012!

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Olha, que legal, ontem eu e o Euclides, um camarada da facu, fomos entrevistar a Soninha pra um trabalho cujo tema são a relevância da maioria dos projetos de lei apresentados pelos vereadores. Quando o trabalho estiver puronto, eu coloco o link… :P Mas valeu muito a pena ter pensado na Soninha pra fazer uma coisa autêntica, de qualidade. Ela não é hipócrita, fala a real mesmo, sem ensaio… Ela fala com tanta propriedade de São Paulo e dos fatos que impedem a cidade de ser melhor e mais justa que dá até medo. O fato de que a imprensa a procure só pra falar sobre o que pode render ibope, distorcendo idéias e não dando espaço pro que realmente é interessante mostrar na grande mídia foi abordado. Aliás, uma coisa muito interessante é o termo ampla divulgação na mídia. O que isso significa? Um exemplo cruel (créu): o caso Eloá. Aquilo foi um GRANDE exemplo de AMPLA divulgação na mídia. Vocês sabiam que, na lei, um Projeto de Lei que é submetido à votação pelos vereadores tem de, obrigatoriamente, ser amplamente divulgado pela mídia? Isso não acontece por que a mídia não procura os vereadores que disputam a apresentação de seus projetos de maneira trapaceira, valorizando mais a autoria do projeto do que sua relevância para a sociedade. A mídia não divulga amplamente os projetos, nem ao menos os cita, o povo não sabe de nada. Mas, enfim, quando o trabalho estiver pronto eu coloco um link aqui, só sei que a Soninha me conquistou e ao Euclides, a gente saiu de lá super feliz por tê-la conhecido de perto e ouvido de sua boca que vai concorrer de novo à prefeitura em 2012 (eu já comecei a fazer campanha, tá vendo?). Não parece que ela quer o poder só pelo poder, mas por saber que é com o poder que ela vai poder combater a maneira sem vergonha de se fazer política aqui em Sao Paulo, quem sabe no Brasil, um dia.. O site da Soninha, muuuuito informativo sobre suas ações, compromissos e ideologia, vale a pena ser acessado, vou linkar e acompanhar. É bom saber que nem todos os políticos são uns filhos da puta, pra variar…

Música pra hoje: Oh me - Nirvana

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Setembro
24th 2008
Onde isso vai parar?

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Tanta violência na TV contra crianças deixa muita, mas muita revolta mesmo. Pedofilia, agressão, assassinato. Que vontade de sair matando esse tipo de criminoso… Claro que qualquer violência é revoltante, mas contra anjos inocentes e totalmente indefesos é MUITO mais grave. Fico besta, me pergunto com anda a cabecinha dos pequenos que assistem ao show de horror dos noticiarios, como olham pros adultos que deveriam zelar pelas felicidade em suas vidinhas.

É todo dia. A cada dia uma nova barbárie, não há punição decente para esses criminosos, a justiça no Brasil é ridícula. Morosidade na investigação, demora no processo judicial, assistência social ineficiente. Mais a pobreza… Essa é fator constante. Com exceção do caso da Isabela Nardoni, que teve tanta repercursão exatamente por ser de classe média, todos os que surgem diariamente são retratos da miséria humana. Mães, que o são por não terem condições de pagar um aborto clandestino em clínica bacana, abandonam filhos nos lugares mais desgraçados que se pode imaginar, dá vontade de ver a sujeita castrada pra nunca mais ter chance de errar assim com a vida de outro filho, sempre imagino por qual motivo essas fulanas não deixaram esses bebês em lugares seguros, pelo menos. Pais que estupraram filhos respondendo aos processos em liberdade, crianças que crescem fumando crack e sendo espancadas, babás que judiam. É tanta coisa que nem sentimos muito.

A classe média, vítima da culpa mas não da fraternidade cristã, sente-se mal para protestar e reclamar. Poxa, não podemos reclamar da nossa comida enquanto tantos são os que passam fome, não podemos reclamar do caos nos hospitais quando temos plano de saúde, se nossos filhos estudam em escola particular fica mal reclamar da pública. E por aí vai, há até quem diga que só paga imposto de renda quem ganha o suficiente pra isso. Verdade, segundo as leis imorais do nosso país. Se ganhar 1.500 reais por mês já leva mordida do leão, já é classe média. O salário mínimo, ridículo no nosso país, talvez não aumente por que quem ganha cinco deles já se acha rico demais pra reclamar. Essa omissão garante o ciclo de pobreza, que passa de pai pra filho, assim como o ranço burguês dos que tiveram oportunidades mas acreditam que conquistaram tudo sozinhos.

A sociedade discute ambientalismo enquanto tem criança se prostituindo em Brasília por 3 reais. Claro que um assunto não desmerece outro, mas vamos combinar que essa criança vai crescer sem ter a menor oportunidade de se maravilhar com a reciclagem mágica, muito menos saber do que se trata educação ambiental. As pessoas estão esquecendo das pessoas mais importantes: as que estão crescendo. O futuro sempre é delas, mas somos nós, os adultos, que seremos os responsáveis pelos monstrinhos que estamos criando. Se omitir em relação ao descaso do governo com essa pobreza que gera tanta tragédia é irresponsabilidade. O assistencialismo das bolsas-esmolas poderiam ter fim se a classe média se manifestasse em favor da dignidade do salário mínimo. As oportunidades seriam melhores se as famílias não tivessem só sexo e TV como formas de entretenimento. Se a desigualdade não diminuir, continuaremos a assistir de cima ao freak show dos flagelados na TV, e teremos parte da responsabilidade quando essa violência nos atingir.

Som do protesto: Perfeição - Legião Urbana

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Setembro
18th 2008
Brasil passivo…

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Época de eleições, tento sempre provocar discussões políticas, mas ninguém está nem aí pra hora do Brasil; pergunto elegantemente: “Ei, idiota, em quem você vai votar?” - e recebo respostas como “- nulo!”, “- vou viajar!”, “- nem sei ainda!”, “naquele fulano de sempre que diz que rouba ma(i)s faz!”, “- naquele fulano de sempre porque dessa vez o plano de educação que ele promete vai me beneficiar!”… Só merda. Só passividade. Acredito que votar nulo é uma forma de expressar o descontentamento com as opções, mas só expressar não adianta nesse país “Dupiniquim”, pois mesmo que os votos nulos sejam maioria não servem pra anular uma eleição, que só é anulada caso se comprove fraude (que não é impossível no nosso pais, né?). Votar nulo não resolve, só expressa. Votar mal também é crítico, por isso não deveria ser obrigatório. Obrigar o cidadão que, por forças ocultas ou vadiagem, é burro demais pra discernir o que é melhor para a maioria deveria ser considerado crime de perigo.

O brasileiro é passivo, a menos que esteja comemorando alguma coisa. Geralmente destroem coisas pelo êxtase da alegria, basta ver que comemorações, festas, torcidas são sempre focos de violência. Claro, a violência estúpida já dominou a sociedade, ver traficantes como o Beira-Mar rindo pra câmera, programas que mostram a maravilha das Paraolimpíadas para os que perderam movimentos depois de encontrarem balas “perdidas”, a corrupção que insiste em privilegiar quem pode pagar um bom advogado e descolar um habeas corpuzinho… E o patriotismo que ataca o país a cada dois anos sempre é seguido de eleição pra alguma coisa, nunca sobra energia soberana para pensar que os atletas, que foram escolhidos disputando campeonatos e sendo os melhores, não vão decidir a verba pra incentivo ao esporte da escola do seu bairro. Parabéns para os atletas, a grande maioria, aliás, nunca recebeu incentivo nenhum do governo que nós escolhemos…

Toda vez que tenho de usar o metrô em horário de pico aqui em sampa é que fico pasma com a passividade do povo. É coisa de louco,mesmo. Muita gente, tanta que se você conseguir tirar um pé do chão, não encontra mais chão pra pisar de volta, só pés… E o povo se empurra, se aperta, se machuca, agride os outros, todos querem chegar logo. Ninguém questiona se é justo, se R$2,40 por viagem não pagaria pelo menos a dignidade de não ser pisoteado por não querer empurrar uma velhinha que está na frente, e o povo entra rindo nos trens superlotados, deveriam chorar ou quebrar tudo como fizeram nossos hermanos, que são muito menos passivos…

Sei que eu amo o Brasil, apesar dos brasileiros. E tem alguns deles que eu até gosto, mas são a minoria, realmente. Já que não se pode mudar o mundo sempre, me distraio sabendo mais sobre os idiotas que querem meu voto, que não será nulo. Eu me sinto pouco brasileira, apesar de nunca ter brigado por homem, já briguei muito pelas pessoas que não têm culpa da própria ignorância, me orgulho muito de mim por isso, que linda que eu sou… Sou barraqueira diante de qualquer injustiça. Dividir o que se sabe é o maior dos altruísmos. E acredito ser a única forma de erradicar a ignorância, mesmo que seja a longuíssmo prazo…

Música pro Brasil il il il do seu Creysson: Inútil - Ultraje a Rigor

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Setembro
1st 2008
Perigosa pra quem?

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Só se for pra minha própria integridade psicológica…

Eu não queria parecer “a” perigosa, uma fêmea perigosa, uma rival, oponente perigosa… Mente perigosa, moça presunçosa… No fundo, queria ser perigosa pra quem me incomoda e me faz chorar quase todo dia: a intolerância aliada à indiferença (des)humana(s). QUase todo dia eu passo por uma escada onde dorme um menino que não tem nem 10 anos de idade. Ele dorme só ali, ninguém que pareça ser sua “família”, nenhum cobertor, sempre sujo, sempre invisível. Todos os dias, sempre invisível… É uma criança que não é muito diferente de outras tantas que perderam suas famílias para o vício, a violência, a doença ou as várias formas nojentas de guerra que ainda comprovam a incapacidade humana para a paz. São orfãos da vida, cujas origens só prestam como referência de desespero, só servem pra enriquecer pesadelos. Essas crianças fazem parte dos meus sonhos mais tristes, aqueles que me fazem chorar e gritar sem conseguir acordar e escapar. E não consigo deixar de olhar, virar o rosto, fingir que não é comigo. Algo de fascínio mórbido, mau gosto, síndrome de super-heroína frustrada, complexo de madre Tereza… Não sei o que pode ser, só sei que não consigo evitar.

Desde pequena me sinto desconfortável por ter mais e por não saber dividir o suficiente. Claro que mi madre, canceriana que só, sempre teve coração muito mole, sempre incentivou que doássemos o que não nos fizesse falta, estimulou nosso espírito altruísta com chantagens emocionais que sempre evocavam imagens das pobres crianças famintas da África ou do sertão árido tupiniquim, deu exemplos de generosidade e conduta benevolente e, assim, criou dois filhos que queriam carregar o mundo no colo. Meu irmão, apesar de ser um oposto, também tem latente essa vontade de acabar com a injustiça e a desigualdade de oportunidade, é o tipo de cara que é capaz de dar as próprias calças e andar pelado pra ajudar quem lhe procura. Mas nem sei se algum dia ele sentiu vergonha por ser caucasiano num país de miscigenados, por ter mais brinquedos que o coleguinha, por ter dinheiro pra pagar lanche na cantina enquanto a maioria comia da merenda gratuita.

Queria ser perigosa para os avarentos, os insensíveis e injustos o mundo, os emergentes que sobem pra pisar na cabeça de quem os serve; morro de vergonha alheia toda vez que vejo um “cliente” maltratar e/ou humilhar um funcionário por algum problema que o pobre empregado não poderia  resolver, como procedimentos que são regras estabelecidas por uma matriz invisível e distante, coordenada por algum “deus” que também é invisível e distante.  Queria ser mesmo uma ameaça aos que fomentam a desigualdade, mãe da injustiça. Aos que têm “coragem” de aumentar a margem de lucro sem pagar melhor seus funcionários, aos que têm “coragem” de bater em alguém indefeso, aos que não doam os bens que estragam em seus depósitos e porões, aos que não contribuem com a qualidade da educação para todos, aos que viraram o rosto pro menino que dorme todo dia nas escadas do Metrô Luz… Talvez eu seja uma hipócrita por não levar aquele menino pra minha casa, algumas vezes sinto que estaria muito mais realizada como pessoa se trabalhasse apenas pelos outros, em vez de pelos meus e para os outros…

Músika: Stand By Me - John Lennon

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Julho
28th 2008
Juventude careta?

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Realmente vivemos numa geração de juventude careta. E por que não seria? Nada é mais careta que querer enfiar um maldito rótulo de esquerda ou direita em toda maldita geração. O que determina a liberalidade das opiniões são os assuntos velhos, assuntos que talvez nem interessem. Pedir para um jovem escolher o que é mais importante em sua vida, dando opções como família, amigos, dinheiro, beleza é, no mínimo, besteira. Declarar que essa juventude tem um cabedal pobre para discernir sobre esses assuntos é chover bem no molhado, mesmo. Perguntas sobre maioridade penal para um menor de idade deveriam ser feitas apenas de maneira retórica, para não ficar ridículo. Claro que a juventude é careta, claro que a nossa imprensa é esquerdista e não representa a sociedade que a consome, claro que o idealismo juvenil deixou de existir. Não há por que ser diferente… Os valores nunca mudaram, na verdade. A sociedade não evoluiu no que diz respeito ao comportamento, apenas no que se refere à tecnologia, e mesmo com tamanha capacidade de informação e de comunicação, não há estímulo a criatividade, ao questionamento. Só massa, muita massa e muita homogeneização de tudo e todos. Os desejos da juventude sempre são ignorados. Claro que a juventude quer dinheiro e bens, mas também quer sonhar, quer sentir-se representada. Podem ser contra a legalização das drogas ou do aborto, mas são a favor da liberdade de escolha, com certeza. Não conheço jovens que gostem de ter suas vidas decididas por outros. No momento, o que representa a juventude na grande mídia é a MTV, 99% besteirol e 1% de tentativa de aparentar consciência. Não poderia ser de outra maneira, pois é uma geração criada nos valores do entretenimento, o “veículo de informação” deixou de informar para influenciar, todos eles, principalmente os que não admitem. Essa é uma geração que não se informa por osmose, apenas ligando o rádio ou a TV. Quando se interessa por algo, quando tem qualquer dúvida, não pergunta para os pais ou amigos, simplesmente pesquisa na web. E o crescimento progressivo dos dados na internet é prova de que a juventude tem interesse, sim, mas não pelo que interessa aos velhos. Aliás, velhos não deveriam escrever sobre jovens. Há sempre um ranço de nostalgia, inveja e prepotência na avaliação que os velhos fazem dos jovens. Os velhos deveriam, sim, analisar a evolução da sociedade, já que têm experiência de vida pra isso. Mas não deveriam tentar explicar o que se passa na cabeça de gente que viveu de outra maneira, não deveriam tentar massificar mais essa. Esse tipo de padronização é o começo de toda a idiotice que as gerações futuras sofrem, desde já, e como sempre…

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Abril
7th 2008
Não vote nos mesmos

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Já está na mídia as pesquisas de intenção de voto para prefeito em São Paulo, sempre os mesmos nomes, as mesmas velhas facções criminosas. Eu nem acredito que o Maluf ainda tem a cara de pau de se candidatar, mas assim é o Brasil. Herança da colonização que só explorou e nunca educou o povo mais humilde, o sistema paternalista de assistência social é uma humilhação só.

E temos de votar, temos de escolher. Há poucas manifestações que incentivem o questionamento da obrigatoriedade do voto, do que pode acontecer se a população se negar a votar nos candidatos que são oferecidos. O pouco de conscientização que existe não é suficiente para atingir a horda de ignorantes que se deixam levar por propagandas bem produzidas e bolsa-esmola. Só que não dá mais pra agüentar tanto imposto e tanto descaso na cidade mais rica do país. Tudo sujo, tudo caro, tudo lotado, tudo lento, tudo ao extremo. São Paulo está um inferno de onde, quem tem condições, só pensa em fugir…

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Novembro
20th 2007
Polícia para quem precisa

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Hoje eu presenciei um desperdício boçal do investimento em segurança pública. Uma briga num posto de gasolina. Um gordélio e uns coitados. Chamamos a polícia, pois a briga poderia ficar feia. Sem exagero nenhum: 2 viaturas do GOE, 1 viatura do Garra, 1 viatura do DEIC, 2 viaturas da PM e mais duas unidades de polícia motoqueira. Só faltava helicóptero. Tudo bem, é a Vila Mariana… Aqui o contribuinte é de classe média.  Eles têm que mostrar serviço. Como quando saem em comboio de mais de 5 viaturas com as luzinhas acesas, para que as pessoas pensem que eles estão patrulhando. Enquanto 5 viaturas ficam numa rua, 5 carros são roubados na rua de trás. E aí? É só pra gringo ver? Polícia deveria ser inteligência, agilidade, honra… Mas tenho até pena. Eu não me sujeitaria a levar um tiro por dinheiro nenhum do mundo. Eles o fazem por… por… Por que? Sei lá…

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Outubro
22nd 2007
Hoje eu chorei

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Que merda de mundo. Tem vezes que a desigualdade bate a sua porta, numa noite de chuva, com uma criança nos braços, uma criança que poderia ser sua, é pouco mais nova que a sua… Você convida-a para entrar, divide algumas coisas com a desigualdade. Ouve sua história, ou a história que a desigualdade quer contar. Imigrante, veio de ambulância trazer a criança até o hospital, nenhuma das duas comeu desde o dia anterior, não tem família aqui, não tem emprego, a criança está doente. Você vê a criança, que não conta nenhuma história ainda, mas tem o peito chiando, os dedos de unhas compridas e sujas na boca para distrair a fome, os olhos assustados, as roupas molhadas e sujas. Você ajeita a desigualdade com coisas que não lhe são caras, mas sabe que não vai resolver o problema. Depois, se despede dela. E chora. Chora por ser tão privilegiada, mas ser impotente perante a desigualdade. Chora de raiva por não poder simplesmente consertar aquela vida, chora com o coração muito apertado, por que ainda não conseguiu deixar de fazer parte  dessa corja bestial que se diz sociedade humana… Que merda esse mundo.

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