Phoenix Criminal Lawyer


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O jornalismo

June 1st, 2008

Sim, este ofício, talvez nem tão nobre, foi escolhido por mim numa época mais idealista da minha personalidade. E, apesar de vislumbrar várias possibilidades de exercer essa profissão, confesso que estou decepcionada com o que se espera de um jornalista hoje em dia. Não acredito mais no mito de “informar a sociedade”, pois já vi muitas vezes que o importante é a polêmica, mesmo que seja a troco de nada, mesmo que seja a troco de apenas polêmica, ou melhor, dinheiro. Claro que todos os assuntos merecem ser discutidos, mas não vejo espaço ou esse tipo de proposta na maioria das reportagens, apenas falsa imparcialidade e muita presunção. E, talvez por ainda não ter matado meu espírito idealista de vez, me sinto deslocada entre tantos colegas empolgados por trabalhar para assessorias de imprensa ou redações de futilidade pública. Eu ainda tenho esperança de escrever coisas que façam a diferença, a História imediata da sociedade em vez da última galinhagem de alguma celebridade instantânea. Não quero apenas provocar as pessoas com perguntas hostis com a intenção de fazê-las perder a compostura e dar vexame para vender a notícia. Não quero ser apresentadora ou atriz; apenas uma jornalista como imaginava que seria, com boas intenções e algumas idéias… Acredito que nunca falta trabalho pra quem é bom no que faz, mas não sei se quero ser boa jornalista quando isso significa perder a noção do que é, de fato, importante para a informação da sociedade.

Bem feito pra ele

May 25th, 2008

parte III

Passei o dia aflita pelas oito horas, na minha idade os dias parecem se arrastar, a curiosidade me tirou até a fome. Fui até o portão cinco minutos antes das oito e pude ver sua empregada sair. Assim que ela virou a esquina, toquei a campainha da casa dela. Ela abriu quase imediatamente, veio apressada abrir o portão e me fez entrar como se estivesse apavorada com a idéia de alguém nos ver. Eu entrei o mais rápido que consegui, em silêncio, e me deparei com uma casa que parecia mais uma sala de espera de consultório. Poucos detalhes, tudo impecável e impessoal, nada de porta-retratos ou enfeites trazidos de viagens, tudo muito limpo e até assustador. Ela me olhou nos olhos muito aflita, não me perguntou se queria sentar ou beber algo, parecia estar em pânico ou louca. Perguntou como uma acusação: “Então você pode me ajudar?” - “Olha, minha filha, eu ouço as brigas de vocês e fico com pena… queria ajudar, mas não sei…” - ” Você pode? Quer ajudar ou queria?” - “Eu quero!” - Não sei se disse isso só para saber a história, naquela hora o que me mais me corroía era a curiosidade, mas queria tanto saber que não me importei com o que viria.

Ela se sentou, sem tirar os olhos de mim. Eu fiz o mesmo. Começou a chorar, mas falava sem pausas: “Eu me casei com ele sem saber que era uma pessoa tão cruel. Tenho um filho, bem… é como se fosse. Sou orfã desde os três anos, cresci num orfanato de onde fugi aos quatorze anos, foi quando entrei para uma companhia de dança e encontrei minha vocação… Quando tinha dezesseis, estava voltando para uma casa que dividia com mais quatro amigos quando vi uma mulher abandonar uma criança na praça. Estava muito frio, eu sabia que não adiantaria ir atrás da mulher, peguei o bebê e o levei comigo, e o levei pra sempre. Era meu filho… Eu conheci meu marido há dois anos, ele parecia ser um bom homem, honesto e disposto a ficar comigo mesmo sabendo que eu tinha esse filho. Ele nunca soube que não é meu mesmo, ou sei lá o que seria capaz de fazer. Quando nos casamos, ele adotou meu filho como se fosse dele, e o colocou num colégio interno… Isso é o que ele diz. Eu preciso saber onde está meu filho! Isso é tudo o que me prende aqui… Não posso fugir sem saber onde procurá-lo… Me ajuda?”

Fiquei sem reação. Era um caso bem cabeludo pra se resolver, não sabia o que uma velha como eu poderia fazer pra ajudar, por onde começar ou o que procurar. Tentei acalmá-la, seus olhos estavam desesperados em mim, implorando por alguma esperança. Não pude desapontá-la, prometi tentar descobrir onde era o tal orfanato, prometi também que não contaria nada na vizinhança. Saí com a sensação de ter uma grande missão pela frente, uma aventura tardia, revigorada. Claro que ela só me pediu ajuda por falta de opção, ninguém mais sabia tanto de sua miserável vida além de mim, e passei a saber ainda mais quando comecei a investigar o lixo e a seguir o facínora. Depois desse nosso primeiro encontro não sabia quando poderia vê-la novamente…

Dancing days

May 18th, 2008

Estou de volta e dá vontade de gritar quando coisas boas acontecem. Tentando não me isolar, não me impedir de tentar mais uma vez, não me sabotar, pra variar… Não quero me tornar amarga pelas decepções, medrosa nunca fui. Reaprender a ser livre, a me deixar ao alcance, saborear aventura de novo, me permitir. É, eu estou muito bem hoje, queria agradecer a mim mesma por não ter sido covarde. Valeu muito a pena. Hoje o dia começou gostoso, estou de ótimo humor (raridade, pata Donalda), vontade de beijar o céu e deitar, de novo, nas nuvens… E pensar na noite.

Ouvindo nas nuvens: Dancing days - Led Zeppelin

Oh, mundo cruel!

May 11th, 2008

Dia das Mães! Meu segundo nessa experiência, vigésimo sexto como filha. Aí hoje foi um dia muito bacana, apesar de mi madrezita ter feito questão de ir até o cemitério visitar a campa de minha avó. Eu farei o mesmo um dia, talvez. Mas não tive vontade de ir, faz um frio do cacete em Sampa, nem era tão chegada na vó. Ela dizia de mim: “Minha neta mais bonita, mas a mais malcriada” e entre seus carinhosos apelidos estava um que me encanta até hoje: feijão perdido. Preferia contar maravilhosas estórias de uma avó doce e carinhosa, mas a minha era bem figura, brava… Mas, que os Deuses a tenham em ótimo lugar, pois foi uma mulher muito guerreira e que morreu sem nunca engolir o próprio orgulho! Dei presentes e ganhei presente… Nem esperava! Obrigada, irmãozinho! Você tem me dado tanta força, apesar de nossas diferenças, você sabe que nosso amor é incondicional e que sempre estarei contigo (agüenta!).

Hoje foi um dia feliz. Continuação do churrasco de ontem que foi na casa da minha tia, ela veio com seu caçula, que é um adolescente que vi nascer e crescer, e hoje é quase um homem. E ele me falou de uma coisa que me encucou, um vídeo de um espancamento de um rapaz emo. Aí eu fui pesquisar e achei um monte de vídeos que simulam espancamentos de emos. Fiquei pensando: por que? Que é que tem os meninos curtirem um visual mais ou menos assim ou assado? Pois dizer que os emos são os caras que fazem rock and roll mela cueca é colocar muita gente nesse barco. Cantar as agruras da juventude sempre foi a moda, sempre foi ser diferente. Se agora a juventude chora por que o pai cancelou o cartão de crédito ou por que a jovem namorada resolveu ter outras experiências é apenas um reflexo da sociedade que criamos. Não precisamos de grandes problemas quando o egocentrismo é nutrido até a obesidade.

Hoje é um dia em que a palavra engajamento me faz todo o sentido, o engajamento verdadeiro, não o burocrático, duh. Mães, boas mães, têm como ideal um mundo melhor para seus filhos e que estes sejam pessoas melhores para o mundo. Eu vivo este ideal, me preocupo muito com o mundo que meu filho vai ver, como vou explicar. Gostaria muito que ele entendesse que a maior ignorância do ser humano é a intolerância, seguida pela indiferença. Se as pessoas pensassem mais no mundo de seus filhos, nos valores que nenhum dinheiro compra, na felicidade em vez do sucesso, nas semelhanças em vez das diferenças… Oh, mundo cruel! Esse mundo onde crianças crescem longe de suas famílias inspira essa moda deprê, tem que ter muita vontade para ver a beleza atrás dessa cultura do medo de ser quem realmente se é.

A trilha de hoje é bem “emo”, apesar de ter mais de dez anos, em homenagem a minha querida árvore: Creep - Radiohead

Sem ele aqui

May 1st, 2008

Sem ele aqui, a casa fica tão vazia… Meu dia parece tão longo, tão sem graça. O silêncio domina o ambiente, os brinquedos não querem brincar, falta meu toquinho de gente. E eu fico tão perdida! Desde que sou mãe, vesti a carapuça de leoa e me acostumei a nunca abandonar a cria. Mas sei, eu sei, tenho que me acostumar com essa rotina, infelizmente. E cada vez mais, como manda o figurino. A cada dia ele está mais independente, cresce rápido, e eu vou precisar ser muito forte cada vez que ele não estiver sob meus cuidados. Fico inerte, sem saber oque fazer do meu dia, acostumada com a rotina estreita dos horários dele, com as brincadeiras e músicas que ele gosta. Sem ele aqui, meu dia fica tão cinza, tão sem graça… Dá vontade de dormir e só acordar quando ele chegar, mas isso seria uma fraqueza, um fracasso da minha parte. Preciso continuar vivendo, seguir em frente e não me deixar abater, pois ele vai voltar. E, hoje, eu tive um ataque de cabelo e cortei tudo, fiz uma franja e enchi de pontas… Agora estou aflita: será que meu gatinho vai gostar ou vai estranhar? Afinal, a opinião dele é a que mais me importa.

Trilha de hoje: Leãozinho - Caetano Veloso

Mulher irada

April 28th, 2008

O motivo são os incovenientes da vida. Mesmo lembrando de coisas felizes de ontem, fiquei meio triste hoje. E deu vontade de xingar algumas pessoas que eu deveria ter xingado quando me magoaram. Eu odeio reprimir meus instintos, dá nisso. Fico remoendo a raiva da pessoa e acabo sentindo raiva de mim mesma. Queria jurar que nunca mais vou levar outro sentimento que não o meu em consideração, adoraria prometer que nunca mais vou engolir a estupidez alheia sem reagir. Queria um botão mágico pra explodir inconvenientes, e outro botão pra descer o globo espelhado e começar uma festa. Realmente o inferno são os outros…

Trilha de hoje: No Rain - Blind Melon

Bem feito pra ele

April 28th, 2008

parte II

Talvez coragem não seja uma boa definição. No caso dela, acho que foi o desespero. Desde o dia em que me mandou cuidar de minha vida, passei a cuidar ainda mais dos rumores da casa ao lado. Encostava o ouvido nas paredes para escutar as discussões.  E foi quando realmente passei a perceber aquela mulher. Coitada… O marido lhe obrigava a ser sua escrava particular, e sempre a humilhava quando ela parecia fazer algo para agradar-lhe. E falava de um jeito que homem nenhum falaria com uma mulher, pelo menos não os  que gostam de mulher. Talvez ele não gostasse, mas nossa sociedade ainda aceita melhor um enrustido que um assumido. Ela chorava enquanto ele lhe dizia que era feia, que estava ficando flácida. Uma injustiça! Ela era realmente uma mulher linda, capaz de satisfazer os olhos de qualquer homem que admire de fato a beleza feminina. Ouvi os desmandos de seu marido florzinha por duas semanas e decidi lhe enviar uma carta. Mas fiquei num dilema terrível sobre o que escrever.

Depois de quase uma semana rabiscando páginas com a intenção de mostrar que queria ajudá-la, acabei por enviar um bilhete com apenas os dizeres: ” Quero te ajudar!”. Joguei o papel pelo quintal dos fundos quando ela estava em uma das suas sessões de choro escondido. Maldita hora! Ela não viu o papel e quem acabou encontrando foi o meticuloso marido, que adorava fiscalizar o trabalho da empregada ao final de todos os dias e infernizar a pobre com humilhações e gritos. O tal sujeito parecia sentir um imenso prazer em destratar as pessoas que lhe serviam. E, naquela noite, a briga foi um inferno. Se é que se pode chamar de briga o desconstrole de um homem que gritava histéricamente, acusando a mulher de traição com uma voz estridente, batendo os móveis e sozinho. Eu só a ouvia chorar. Chorar e soluçar. Imaginava qual a razão para ela não reagir, mas minha dúvida não ficou muito tempo  sem resposta.

Em uma briga dessas de todos os dias, ouvi ele ameaçar-lhe: “HA! Você quer saber? Nunca vai saber! E só vai colocar os olhos nele de novo se eu permitir!” - Fiquei imaginando quem seria ele, o que seria. Parecia ser esse o motivo de tanta submissão, ele escondia algo que pertencia a ela. O que seria? Uma semana se passou desde o papel que atirei, nem esperava qualquer resposta e já tinha desistido de tentar qualquer outro contato quando recebi um bilhete pelo quintal dos fundos. A letra parecia apressada, dizia apenas: “venha às 8, estarei só”. Não tinha data nem assinatura. Mas eu sabia que era dela e que tinha sido jogado naquele dia. Fiquei muito ansiosa pela noite, pois finalmente a veria e, talvez, saberia o que se passava naquela casa. Passei o dia todo pensando no que dizer, em como dizer. Não esperava saber de tanta tristeza…

Bem feito pra ele

April 15th, 2008

PARTE I

Quando ela me contou, eu nem acreditei. Foi de repente, ela soltou tudo de uma vez, foi desabafo ou um ataque verbal. Fiquei pasma e passei a admirá-la ainda mais. Não que eu admire atos de violência, mas o dela foi mais que legítima defesa, foi verdadeira desforra sobre a tortura. E foi preciso escutar muitas outras coisas antes, foi preciso conhecê-la melhor e saber além do que eu via e ouvia através do muro que separava nossas casas. Muitas pessoas falavam dela, mas nunca tinham ouvido nada diretamente de sua boca. Eu sempre ficava sabendo pela Leonora, minha empregada. “A dona Márcia disse que ela casou com ele por dinheiro, deve ser uma pilantra!”, “Fiquei sabendo que o marido fica nada em casa, vive pro trabalho. E ela fica em casa o dia inteiro, não sai pra nada… dizem que já foi bailarina, deve ter sido essas dançarinas de boate!”

Leonora era venenosa, eu sabia. Mas eu gostava de ouvir sobre a mulher com quem dividia as paredes da casa geminada e sobre quem nada sabia, mal tinha visto, para ser honesta…  Leonora era feia e invejosa, a vizinha era nova- talvez bonita- e misteriosa. E, pelo visto, tinha se tornado o assunto da rua desde que mudara com o marido para a casa que foi de Marlene… Que saudades da minha amiga! Quase todo dia Leonora me contava uma nova notícia sobre ela. O que eu pude entender de toda a intriga é que era mais nova que o marido, que era muito feio pra ela; que passava horas lendo trancada em seu quarto; que talvez tivesse medo da própria empregada e por isso quase não comia… Eu nem imaginava! Tudo o que Leonora me contava sobre ela me fazia entender que era infeliz, estava sozinha. Eu, antes, tentei me aproximar uma vez que a ouvi chorando no quintal dos fundos. Perguntei se ela estava bem, tentei vê-la por cima do muro, mas ela abaixou e respondeu que sim, e foi muito malcriada quando me disse para cuidar da minha vida. Fiquei sem reação na hora, mas perguntei por que chorava… Ela se levantou e sussurrou perto do muro: “cada escolha foi uma renúncia, estou chorando por que eu QUERO!!!” - então ela gritou o quero e saiu correndo, pude ver que vestia uma longa camisola vermelha muito bonita, mas não pude ver seu rosto direito, fiquei o dia inteiro pensando nela. Quem diria que seria capaz de tamanha coragem!

Não vote nos mesmos

April 7th, 2008

Já está na mídia as pesquisas de intenção de voto para prefeito em São Paulo, sempre os mesmos nomes, as mesmas velhas facções criminosas. Eu nem acredito que o Maluf ainda tem a cara de pau de se candidatar, mas assim é o Brasil. Herança da colonização que só explorou e nunca educou o povo mais humilde, o sistema paternalista de assistência social é uma humilhação só.

E temos de votar, temos de escolher. Há poucas manifestações que incentivem o questionamento da obrigatoriedade do voto, do que pode acontecer se a população se negar a votar nos candidatos que são oferecidos. O pouco de conscientização que existe não é suficiente para atingir a horda de ignorantes que se deixam levar por propagandas bem produzidas e bolsa-esmola. Só que não dá mais pra agüentar tanto imposto e tanto descaso na cidade mais rica do país. Tudo sujo, tudo caro, tudo lotado, tudo lento, tudo ao extremo. São Paulo está um inferno de onde, quem tem condições, só pensa em fugir…

Copyright

April 7th, 2008

Sou eu mesma que estou dizendo isso, coloque na categoria que sua cabeça comportar. Não me importo se minhas idéias forem usadas, copiadas, deturpadas, fuçadas. São minhas idéias, não é nada demais. Eu produzo esse monte de baboseira a cada instante, se eu tivesse mais tempo para o ócio, teria mais idéias profundas e utópicas. Por ser mulher, sou capaz de tomar banho, desenvolver teorias sobre banalidades na cachola, contar azulejos no banheiro, me olhar no espelho, cantar e lembrar de um compromisso tudo ao mesmo tempo. Todos os dias. Não tenho pressa de ser uma estrela do rock ou uma velhinha naturista num litoral distante. Eu sei que vou chegar lá, em quase tudo, quase sempre. Está tudo em letras, minha compulsão e pensamentos, um dia dou risada da minha História. Escrita no meio do bombardeio de informações que fomenta a cultura do medo e do consumo em que nasci e fui criada, quase sempre com letras virtuais, que passarão pra folha por processo mecânico-tecnológico, sem o qual eu nem saberia viver feliz hoje em dia…

É tudo meu, e tudo de todos. Me ame o odeie por isso ou aquilo, ou seja indiferente. O que importa é o que é meu, e o que eu penso. Não concordo com muita coisa pela vida e tomo medidas para corrigir, minhas medidas e com meu estilo. Apatia, aqui não. Hoje a vida me é doce e escrevo para celebrar a juventude, a capacidade e a boa vontade. Espero sempre celebrar, e até trazer mais pessoas para minha festa… Não guardo a alegria só pra mim, nem o carinho. É mais fácil ser alegre que ser triste, então não quero saber o que não importa, não quero coisas que não acrescentem, nem sentimentos que pesam. A vida é o tempo e são tudo o que tenho.