Phoenix Criminal Lawyer


Archive for the 'Maternidade' Category

Há 2 anos

June 13th, 2008

Há exatamente dois anos eu estava vivendo o dia seguinte a maior descoberta da minha vida: grávida. E eu fiquei tão feliz, mas tão feliz… Claro, fiquei muito insegura e ansiosa também. Mas, acima de tudo, me senti poderosa. Gerava uma nova vida. Nunca tinha ficado grávida antes, nenhum sustinho… Tinha até uma suspeita de que teria de fazer algum tratamento quando resolvesse ser mãe, mas quando tem quer ser, não adianta. E ele veio, eu não tive nem um segundo de dúvida que viria, que o queria… O neném mais lindo da maternidade. O dia seguinte da descoberta da gravidez foi um dia de pensar em nomes. Foi onde, por uma intuição presunçosa e errada, eu perdi uma aposta para o pai do meu filho. Eu apostava que seria menina e ele, que seria menino. Foi quando eu sugeri: se for menino, você pode escolher o nome! E eu adoro o nome dele, apesar de ter resistido no começo. Se um dia eu lhe der uma irmãzinha, seus nomes vão até combinar: Américo e Amora.

Hoje ele foi passar o fim de semana com o pai, e eu fico perdida em casa. Tudo é tão silencioso, sinistro sem ele. Ele é um neném tão gostoso que ganhou até presente de dia dos namorados de uma tia que é super coruja e o adora. Um carro, daqueles que pode entrar dentro e pedalar. Poxa, que tia legal! E ele fala pra ela: “Tia!” E ela se derrete! Guaci, eu sei que você me lê! Obrigada, amore! Você tem sido uma grande amiga!

Há dois anos eu já imaginava que tudo poderia estar assim, que ele me mudaria muito, mudaria minha vida. Claro que nunca poderia imaginar o quanto ele me ofereceria em troca, o quanto ele me ensinaria sobre felicidade, amor, paciência, vida. Nem em sonho eu imaginava ser capaz de fazer um ser tão melhor que eu, tão perfeito e iluminado. Claro, talvez coruja, talvez leoa, mas sem dúvida mãe. Há dois anos eu tinha decidido que seria isso, que queria mais esse título, fardo e honra! Há dois anos me tornei mulher, deixei de ser apenas menina. Valeu a pena, vale cada sacrifício!

Trilha de hoje: O Rato - Palavra Cantada

Oh, mundo cruel!

May 11th, 2008

Dia das Mães! Meu segundo nessa experiência, vigésimo sexto como filha. Aí hoje foi um dia muito bacana, apesar de mi madrezita ter feito questão de ir até o cemitério visitar a campa de minha avó. Eu farei o mesmo um dia, talvez. Mas não tive vontade de ir, faz um frio do cacete em Sampa, nem era tão chegada na vó. Ela dizia de mim: “Minha neta mais bonita, mas a mais malcriada” e entre seus carinhosos apelidos estava um que me encanta até hoje: feijão perdido. Preferia contar maravilhosas estórias de uma avó doce e carinhosa, mas a minha era bem figura, brava… Mas, que os Deuses a tenham em ótimo lugar, pois foi uma mulher muito guerreira e que morreu sem nunca engolir o próprio orgulho! Dei presentes e ganhei presente… Nem esperava! Obrigada, irmãozinho! Você tem me dado tanta força, apesar de nossas diferenças, você sabe que nosso amor é incondicional e que sempre estarei contigo (agüenta!).

Hoje foi um dia feliz. Continuação do churrasco de ontem que foi na casa da minha tia, ela veio com seu caçula, que é um adolescente que vi nascer e crescer, e hoje é quase um homem. E ele me falou de uma coisa que me encucou, um vídeo de um espancamento de um rapaz emo. Aí eu fui pesquisar e achei um monte de vídeos que simulam espancamentos de emos. Fiquei pensando: por que? Que é que tem os meninos curtirem um visual mais ou menos assim ou assado? Pois dizer que os emos são os caras que fazem rock and roll mela cueca é colocar muita gente nesse barco. Cantar as agruras da juventude sempre foi a moda, sempre foi ser diferente. Se agora a juventude chora por que o pai cancelou o cartão de crédito ou por que a jovem namorada resolveu ter outras experiências é apenas um reflexo da sociedade que criamos. Não precisamos de grandes problemas quando o egocentrismo é nutrido até a obesidade.

Hoje é um dia em que a palavra engajamento me faz todo o sentido, o engajamento verdadeiro, não o burocrático, duh. Mães, boas mães, têm como ideal um mundo melhor para seus filhos e que estes sejam pessoas melhores para o mundo. Eu vivo este ideal, me preocupo muito com o mundo que meu filho vai ver, como vou explicar. Gostaria muito que ele entendesse que a maior ignorância do ser humano é a intolerância, seguida pela indiferença. Se as pessoas pensassem mais no mundo de seus filhos, nos valores que nenhum dinheiro compra, na felicidade em vez do sucesso, nas semelhanças em vez das diferenças… Oh, mundo cruel! Esse mundo onde crianças crescem longe de suas famílias inspira essa moda deprê, tem que ter muita vontade para ver a beleza atrás dessa cultura do medo de ser quem realmente se é.

A trilha de hoje é bem “emo”, apesar de ter mais de dez anos, em homenagem a minha querida árvore: Creep - Radiohead

Sem ele aqui

May 1st, 2008

Sem ele aqui, a casa fica tão vazia… Meu dia parece tão longo, tão sem graça. O silêncio domina o ambiente, os brinquedos não querem brincar, falta meu toquinho de gente. E eu fico tão perdida! Desde que sou mãe, vesti a carapuça de leoa e me acostumei a nunca abandonar a cria. Mas sei, eu sei, tenho que me acostumar com essa rotina, infelizmente. E cada vez mais, como manda o figurino. A cada dia ele está mais independente, cresce rápido, e eu vou precisar ser muito forte cada vez que ele não estiver sob meus cuidados. Fico inerte, sem saber oque fazer do meu dia, acostumada com a rotina estreita dos horários dele, com as brincadeiras e músicas que ele gosta. Sem ele aqui, meu dia fica tão cinza, tão sem graça… Dá vontade de dormir e só acordar quando ele chegar, mas isso seria uma fraqueza, um fracasso da minha parte. Preciso continuar vivendo, seguir em frente e não me deixar abater, pois ele vai voltar. E, hoje, eu tive um ataque de cabelo e cortei tudo, fiz uma franja e enchi de pontas… Agora estou aflita: será que meu gatinho vai gostar ou vai estranhar? Afinal, a opinião dele é a que mais me importa.

Trilha de hoje: Leãozinho - Caetano Veloso

Colorindo de som

March 28th, 2008

Sair cedo e brilhar a luz do dia carregando você nos braços, a cor do dia e o cheiro de manhã úmida, pessoas acordadas e música em nosso caminho. É sua voz que não pára de falar coisas que só nós dois entendemos, você fica e eu sigo. E começo a pensar em você, mas agora é outra preocupação, é ser gente grande por que você precisa. E a manhã fica colorida de óculos escuros e a música é mais pauleira, por que preciso estar atenta, protegida. Começo meu dia protegendo você, depois eu saio para a selva, para caçar nossa vida e volto pra você o quanto antes, sempre. Cria pequena precisa do ninho. E mais uma vez sua voz é minha música e o dia tem cores de novo. Minha jornada de volta com você nos braços é a certeza de que as coisas ainda fazem sentido no mundo.

Trilha de hoje: Faltando um Pedaço

Primeiros passos

March 19th, 2008

Para registrar, ontem o Américo começou a andar… Pena que eu não estava com a câmera! Foi lindo ver sua carinha… sua carinha de lindo superando obstáculos, louco de alegria por se ver capaz. Foi lindo! Já está dando uns dez passinhos sózinho. QUE LINDO!!!

Questão de criação

March 15th, 2008

Dizem que a lendária Fênix renasce das próprias cinzas, isso é bem dramático… Eu fui criada para ser bem forte, descendo de uma linhagem de mulheres fortes e independentes. Até que ponto isso foi bom pra mim, só eu sei e agradeço horrores, afinal eu não me trocaria por outra por nada nesse mundo. Ser assim é uma delícia, desse jeito como eu sou… Mas será que foi bom pro meu irmão? Até que ponto ser uma mulher mais macho que muito homem pode transformar os filhos homens em cagões? Eles crescem acostumados que serão protegidos pelas mulheres, amparados, superestimados, superexigidos… Como será que aprendem a lidar com a frustração de não serem tão versáteis quanto suas mães, mulheres e filhas?  Acho que alguns nunca aprendem, e chegam até a agredí-las em tentativas covardes de autoafirmação. Alguns lutam a vida toda para escapar da opinião materna, aliás, as mães quase sempre nem fazem idéia de quanto suas opiniões pesam e podem atrapalhar a vida dos filhos. É um ditado (olha eu dando uma de mi madrezita) que é bem aplicável: o fruto nunca cai muito longe de sua árvore. Os filhos vão refletir a criação que tiveram, vão copiar os exemplos até que comecem a questioná-los, se tiverem aprendido que isso é bom. Até que ponto uma mãe forte pode sufocar seu filho? Eu me preocupo muito com isso, por que quero muito criar um filho forte, mais do que eu até. Fico sempre me policiando para não tratá-lo como um bebê mais novo do que ele é, para não subestimá-lo ou desencorajá-lo a viver suas aventuras. É difícil, já dá saudade de quando ele era menor, quando cabia nos meus braços inteirinho… Sei que um dia nem meu colo inteiro será capaz de comportar sua presença, sei também que meu coração todo vai sempre morrer de medo da sua ausência. Ser mãe é viver no limite das emoções, é viver sem limites.  Quando bate a incerteza, a dúvida sobre o futuro, sempre penso: A vida é curta, mas eu não tenho pressa…

Dias e noites

March 14th, 2008

Sexta-feira. Final de uma semana cansativa, estressada e linda. Noite de ficar um pouco na net, ler os camaradas, pesquisar a vida alheia, escrever uma bobagem a mais. Vida que não pára, dias que terminam exaustos, mas felizes por dormirem ao som dos chutes que o Américo dá no berço. Dias que começam com um brinquedo que me acerta a cabeça, acompanhado de um sorriso careteiro e um lindo bico falando “nonono”. E beijinhos mandados ao ar, com bracinhos estendidos e um olhar de “Olha, mãe! Eu tô me equilibrando sozinho já!”. Nem ligo pros seus quase onze quilos que insistem em ficar pendurados na minha cintura. Talvez até seja por isso que ainda tenho cintura… Sexta-feira. Dia de começar o fim de semana. Amanhã, nós não precisamos sair cedo, podemos ficar brincando por horas, posso curtir você o dia todinho, te mimar e agradar muito. Te dar a mão pra você pensar que estou te ajudando a andar mas, na verdade, acho que você já sabe andar faz é tempo e fica nessa preguicinha só pra eu me sentir mais útil, mais necessária. Aposto que você já sabe até sapatear quando eu não estou olhando, talvez até voe e fale francês… Seu sono bonito, seu rostinho de anjo, seu cheiro de vida nova, sua paz são meus tesouros, minha fortuna. Sexta-feira, e você parece advinhar que amanhã não precisamos acordar cedo, parece advinhar que é dia de balada. E fica fazendo festa no berço, brigando com o sono, pedindo para ficar mais um poucão acordado, brincando. E quem resiste? Mais uma horinha contigo… Você faz qualquer sexta-feira em casa ser uma festa!

Adaptação ao Berçário

February 11th, 2008

Hoje, segundona, primeiro dia de adaptação do Américo na escolinha. Como é novidade ele foi o único bebê que não chorou nem um pouquinho, mas fui advertida para não ficar muito animada, pois quando ele perceber que será uma rotina ficar ali, longe dos pais todos os dias, começa a chantagem emocional e as crises de choro que partem o coração…

Eu gostei bastante do lugar, a “tia” que vai cuidar dele me lembrou muito a minha “tia Nazaré” do jardim de infância. E até hoje a “tia Nazaré” é a “Tia Nazaré” e, quando a encontro em qualquer lugar, sempre dou um abração e sinto que ela foi muito importante na minha vida de criança. Obrigada, tia Nazaré. Nunca esquecerei a “Dança das Caveiras”(que eu gostava só porque era das “caveiras”), e hoje eu que canto pro meu filhote. Tumba lá catumba,  tumba tá!

As crianças dão o maior escândalo enquanto as mães e pais se despedem. Os pais ficam numa situação de dar pena. Dá pra ver a sensação de culpa estampada na cara deles. Mas é só virarem as costas e os pequenos esquecem e logo vão brincar. Na verdade só querem chamar atenção e conseguem. Imagino que essas mães e pais devem passar o dia pensando nas lágrimas da despedida… Eu passaria, acho.

Apesar de ter lido as revistas de praxe sobre educação, ter conversado com pais que passaram por isso, googlado o assunto, visitado outras escolinhas, sinto que não estou preparada para o dia em que ele chorar me pedindo para não ir embora. Eu sempre cedo aos bracinhos esticados do meu filhote me pedindo colo. Sempre. Ok, sei que isso não é bom e pode “estragar” o menino e etc… Mas se EU não posso mimar MEU filhote, quem pode? A vida de gente grande é muito difícil e dura muito tempo. Melhor ele ser mimado agora…

A trilha sonora perfeita para hoje é: Whole Wide World by Wreckless Eric

Essa música também é maravilhosa, né? Eu sei que é…

1 ano de Américo!

February 6th, 2008

Putz, nem acredito que já faz um ano que meu filhote nasceu. É clichê dizer isso, mas parece que foi ontem que nós filmamos um dia lindo de sol escaldante para mostrar ao nosso bebê como o dia estava quando ele veio ao mundo. Foi tanto nervosismo, tanta expectativa. E ainda me dá um nó na garganta lembrar do som do primeiro choro dele. Ainda me dá vontade de chorar… Foi amor ao primeiro grito. E esse amor só aumenta. Faz imaginar o tamanho do amor da minha mãe por mim, após quase 27 anos… É, esse amor só cresce, mesmo.

Apesar de ser uma data trimportante, estou longe do meu bebê nesse momento. Acordamos cantando Parabéns pra ele, a super vovó (mi madre) veio visitar e tomar o café da manhã conosco, até rolou um estresse quando tentamos terminar o painel dos passos do primeiro ano. É uma obra de arte, mas a mania de organização e limpeza do meu querido marido estragou o trabalho de um ano… Mas tudo bem. A culpa foi minha, com certeza, como sempre.

Agora estou no trabalho, escrevendo e pensando em quanto eu queria estar com ele, em quanto ele merece só por ser assim, todo especial. Todo mundo vê como ele é carinhoso, atirado. O tipo de bebê que vai no colo de todo mundo, sorri pra todo mundo, manda beijo pra todo mundo. Abençoado. Bem humorado. Safado. Ele é minha vida e estou sofrendo com a culpa por não estar com ele hoje. Sábado será a festinha. Comemorar tanta alegria em um dia é pouco. Eu comemoro a cada dia e, apesar de tudo o que só eu sei que passei e ainda passo para que ele seja feliz, acredito que tenho mais para agradecer que para pedir.

Acredito estar plantando o melhor quando penso assim.
 

Primeira vez no hospital

January 21st, 2008

Na sexta, consulta no pediatra. O dr. Zeca, médico muito legal, que cuida do Américo desde que ele tinha 10 dias de vida e até já apareceu numa propaganda do Danoninho; tem um consultório cheio de brinquedos espalhados, para as crianças brincarem e também, involuntariamente, deixarem seus vírus e contribuírem para a resistência do sistema imunológico alheio. O Américo estava dez, 76 centímetros e dez quilos. Saúde perfeita. Um tourinho. No dia seguinte…

Ele acordou afônico, mas estava bem. Sem febre, ativo, comendo numa boa. Não nos preocupamos. À tardezinha, quando o colocamos para tirar uma soneca, ele começou a chorar e ter dificuldade para respirar. Entrei em pânico. Fomos pro hospital, laringite viral. Tomar um remédio que só de ler a bula eu fiquei com medo, fazer inalação de seis em seis horas (ainda bem que eu tenho um aparelho em casa!) e rezar. Ele já está melhorzinho, a voz apareceu junto com uma tosse feia. Ele está dodói. Vomitando, de vez em quando por causa da tosse, aparentemente.

E eu estou me sentindo péssima. Hoje é meu primeiro dia em um novo emprego. Na verdade, é a primeira vez que vou trabalhar fora de casa e com horário definido desde que  o Américo nasceu. Tudo bem que é meio período, mas já me sinto tão culpada… Por um lado, eu preciso voltar ao trabalho de verdade, por outro, ele é só um bebê ainda. Sad but true. E parece que ele advinhou. Me disseram que isso é comum: o filho adoecer quando a mãe volta ao trabalho. Mas eu nem comecei ainda…

Nesse exato parágrafo o texto foi interrompido por uma vomitada fenomenal na Lu, a pessoa que me ajuda a cuidar dele. E ajudei a limpar toda a nojeira, dei um banho nele e ele adormeceu. TADINHOOOO! Me parte o coração em caquinhos saber que ele está assim e me dá um pouco de medo saber que o pai vai cuidar dele sozinho enquanto eu estiver no trabalho. Ele é um ótimo pai, supercarinhoso, mas é meio desajeitado. Ok, eu sei que o menino vai sobreviver. Mas onde fica o drama? Viu no que dar contar vantagem sobre o próprio sossego em relação aos filhos?