June 27th, 2008
Comércio exterior. Parece loucura, uma área totalmente nova, mas será minha nova área graças ao meu estilo de falar pelos cotovelos e até em outros idiomas. Novo desafio, novo emprego… Velha questão ética e sentimental das mães que trabalham quase o dia todo e pouco podem cuidar de seus filhos. Eu sei que já é hora de voltar ao trabalho de verdade, não dá mais pra segurar com aulinhas e freelas meu impulso de comprar logo outro ap. Estou feliz, sabia que voltaria logo ao mercado assim que decidisse, graças aos Deuses sempre me foi fácil arrumar trabalho, segunda-feira já vai ter cara de segundona de gente grande, de novo. Adoro novos desafios, adoro coisas novas, já estou adorando essa nova idéia… Uma coisa não impede a outra. Escrever, meu amor de perdição, é algo que nunca vou deixar de fazer.
Barulhinho de hoje - Nada será como antes - Elis Regina
June 17th, 2008
Eu sei o quanto já sofri por me achar insensível algumas vezes, por não me comover com declarações feitas sob forte impacto de emoções, por agir bem sob pressão e conseguir ver situações por ângulos diferentes dos meus. Talvez eu seja bem calculista, mas sempre me considerei tão impulsiva… Estou numa fase de questionar esse aspecto da minha vida. Percebi que muitas vezes eu não fui impulsiva, apenas fiz o que quis. As vezes que considero ter agido por puro impulso me valeram de experiência, mas foram poucas. Apesar de ser taxada até por mim mesma de impulsiva, vejo que meus impulsos estão cada vez mais sob controle. E ando com um sorriso no rosto, deixando as pessoas preocupadas com minha calma, saboreando escolhas e me divertindo comigo mesma até. É gostoso ser dona da própria vida… Claro, por uma questão de tempo ainda não tenho tudo o que quero, mas já consegui quase tudo que preciso. Viver com medo e indiferente ao medo que se sente. Nunca fui tão segura e forte quanto pareço, mas quanto mais medo eu sinto, mais coragem tenho. E, putz, eu tenho que me agradecer por isso! Obrigado, amada Lia, por ser tão corajosa e fazer da nossa vida uma história de amor! De nada, adorada eu.
Medo e indiferença. Parece feio sentir isso? Mas é só um lado da moeda que tenho agora. Tudo na vida tem, no mínimo, dois lados. Toda nuvem escura tem uma face iluminada voltada pro infinito…
Quase esqueci, o som de hoje: Little Acorns - The White Stripes
May 18th, 2008
Estou de volta e dá vontade de gritar quando coisas boas acontecem. Tentando não me isolar, não me impedir de tentar mais uma vez, não me sabotar, pra variar… Não quero me tornar amarga pelas decepções, medrosa nunca fui. Reaprender a ser livre, a me deixar ao alcance, saborear aventura de novo, me permitir. É, eu estou muito bem hoje, queria agradecer a mim mesma por não ter sido covarde. Valeu muito a pena. Hoje o dia começou gostoso, estou de ótimo humor (raridade, pata Donalda), vontade de beijar o céu e deitar, de novo, nas nuvens… E pensar na noite.
Ouvindo nas nuvens: Dancing days - Led Zeppelin
April 28th, 2008
O motivo são os incovenientes da vida. Mesmo lembrando de coisas felizes de ontem, fiquei meio triste hoje. E deu vontade de xingar algumas pessoas que eu deveria ter xingado quando me magoaram. Eu odeio reprimir meus instintos, dá nisso. Fico remoendo a raiva da pessoa e acabo sentindo raiva de mim mesma. Queria jurar que nunca mais vou levar outro sentimento que não o meu em consideração, adoraria prometer que nunca mais vou engolir a estupidez alheia sem reagir. Queria um botão mágico pra explodir inconvenientes, e outro botão pra descer o globo espelhado e começar uma festa. Realmente o inferno são os outros…
Trilha de hoje: No Rain - Blind Melon
April 7th, 2008
Sou eu mesma que estou dizendo isso, coloque na categoria que sua cabeça comportar. Não me importo se minhas idéias forem usadas, copiadas, deturpadas, fuçadas. São minhas idéias, não é nada demais. Eu produzo esse monte de baboseira a cada instante, se eu tivesse mais tempo para o ócio, teria mais idéias profundas e utópicas. Por ser mulher, sou capaz de tomar banho, desenvolver teorias sobre banalidades na cachola, contar azulejos no banheiro, me olhar no espelho, cantar e lembrar de um compromisso tudo ao mesmo tempo. Todos os dias. Não tenho pressa de ser uma estrela do rock ou uma velhinha naturista num litoral distante. Eu sei que vou chegar lá, em quase tudo, quase sempre. Está tudo em letras, minha compulsão e pensamentos, um dia dou risada da minha História. Escrita no meio do bombardeio de informações que fomenta a cultura do medo e do consumo em que nasci e fui criada, quase sempre com letras virtuais, que passarão pra folha por processo mecânico-tecnológico, sem o qual eu nem saberia viver feliz hoje em dia…
É tudo meu, e tudo de todos. Me ame o odeie por isso ou aquilo, ou seja indiferente. O que importa é o que é meu, e o que eu penso. Não concordo com muita coisa pela vida e tomo medidas para corrigir, minhas medidas e com meu estilo. Apatia, aqui não. Hoje a vida me é doce e escrevo para celebrar a juventude, a capacidade e a boa vontade. Espero sempre celebrar, e até trazer mais pessoas para minha festa… Não guardo a alegria só pra mim, nem o carinho. É mais fácil ser alegre que ser triste, então não quero saber o que não importa, não quero coisas que não acrescentem, nem sentimentos que pesam. A vida é o tempo e são tudo o que tenho.
April 1st, 2008
Oh, por favor, se você tem a presunção de achar que me conhece um pouco, não sinta dó de mim nem tente me “ajudar”. Quem me conhece de verdade, sabe que eu não sou digna de pena e muito menos conto com os outros pra resolver meus problemas. Sei que minha vida é muito interessante, agitada. Mas isso não dá o direito de alguém vivê-la por mim. Pagar minhas contas, ninguém paga. E eu estou muito bem, se lhe interessa. Não, eu sei que isso não interessa. O podre, infelizmente, sempre parece atrair mais atenção. Sei que muitos adorariam encher minha caixa de comentários com mensagens “positivas”, me oferecer o “ombro” amigo, saber dos detalhes sórdidos para ter mais assunto “interessante” pra falar por aí, para poder dizer: Coitada da Lia… Jamais, baby! Eu me amo muito para deixar a tristeza inundar meus dias. Eu tenho muito o que viver ainda, muita coisa pra fazer, quase nada pra lamentar. Se você pode dizer com certeza que tem quase tudo o que sempre sonhou, como eu posso, não vai se ocupar da vida alheia.
March 31st, 2008
Olha, por favor, não leve a mal o que vou dizer… Mas é o seguinte: Não é por que estou me divorciando que estou procurando outra pessoa. E, se estivesse, não seria alguém comprometido. Além do mais, você tem uma vida que seria demais pra minha cabecinha, você é muito ocupado, está sempre viajando fazendo coisas importantes, e eu não poderia te acompanhar. Ficaria triste e acabaria sendo uma megera, não vale a pena. Você é um cara muito legal, eu sei. Aposto que muitas aqui te paqueram e adorariam ser a outra da sua vida, mas eu me sentiria muito mais honrada se você quisesse minha amizade. Amigos?
February 26th, 2008
É uma fase altruísta e emocionante, muitas lágrimas e novas percepções. Mas se tem algo que faz parte da minha personalidade é a justiça, e sei que sou capaz de separar minha mágoa passageira do fato imutável que é o laço sanguíneo. Meu filho merece tudo de bom e nada vai lhe faltar por que eu não vou deixar. E não quero que lhe falte ninguém também. Sei que não sou a única que o ama demais e agradeço muito por isso. Amadureci mais nesse fim de semana que em muitos anos. Percebi muito além de mim e vislumbrei um futuro de paz e harmonia, onde seremos todos felizes, ainda que não mais sob o mesmo teto. Novas preocupações, nova rotina, mas nada de desespero. Apenas um frio na barriga com novo desafio e muita esperança na beleza da vida. Eu tenho um raio de Sol chamado Américo pra me fazer levantar a cabeça e dar a volta por cima todos os dias. Tudo vai dar certo!
February 20th, 2008
E não é que foi isso mesmo que me aconteceu? No final das contas, estou exatamte como queria. Posso ir pra faculdade de manhã e ficar com meu filhote à tarde. E estou TÃO feliz que não me agüento. Sabe quando a vida sorri e te mostra que tudo tem solução? Sabe quando se reaprende a usar o jeitinho, a delicadeza na persuasão? Existe um “ditado” bem escatológico, mas bem verdadeiro: “Com cuspe e com jeito se come o c* de qualquer sujeito”. Por aí. Agora terei mais tempo pra minha família, preparar o jantar toda noite, cuidar mais da casa e, conseqüentemente, me sentir mais em casa. E o meu Fá foi o campeão nessa jogada. Agora, eu preciso me aperfeiçoar para ser uma parceira à sua altura. Gracias, cariño. Também vou ter mais tempo para este humilde espaço. Vou poder pensar no que escrever, preparar alguma coisa em vez de apenas esparramar as palavras como costumo fazer…
February 13th, 2008
Às vezes, acho que algumas pessoas não têm coração. Não estou falando de criminosos assustadores ou pessoas loucas de verdade. Estou falando de pessoas que conheço. Tem gente que parece que não tem coração. Julga sem conhecer, agride pelas costas, maltrata quem deveria ser amado. Tenho coração demais, eu acho. Tento não deixar transparecer para que ninguém se aproveite da minha nobreza. Talvez por isso esteja sofrendo tanto essa fase. Não enxergo se estou evoluindo profissionalmente ou se, na verdade, estou criando um futuro problema de culpa. Na verdade, a culpa está doendo, me consumindo de verdade. E estou bem sozinha nessa jornada. Não sei a diferença entre pai e mãe, afinal só tive mesmo mãe. E ela conta até hoje, algumas vezes com os olhos marejados, de uma vez em que ela me perguntou o que eu queria da feira, pois ela estava em um raríssimo dia de folga e queria comprar frutas para nós. Eu lhe respondi que queria morangos e, quando ela trouxe, eu, cruel infante, lhe disse com todas as letras que aquela caixa de morangos não me compraria; que queria que ela ficasse em casa em vez de comprar morangos uma vez por semana. A solução que minha pobre mãe encontrou foi trabalhar a noite para ficar em casa, conosco, durante o dia todo. Desde então, ela chegava do plantão às 8 da manhã e ficava sempre conosco. Olhava nossos cadernos todos os dias, fazia parte do conselho da escola, ajudava nos ensaios das peças de teatro, fazia cuzcuz-mirim para as festas juninas. Enfim, participava.
O Américo ainda não fala. Mas já vejo seus olhinhos me pedindo para não ir embora e deixá-lo na escolinha, já o vejo sentindo inveja das crianças que só precisam ficar meio período longe de casa, já me vejo comprando morangos para compensar a culpa que sinto por não poder ser apenas o que quero: mãe do Américo. O resto, se tiver de ser, será… Ou seria. Quando a pressão é inadequada, em vez de dar impulso, derruba. Eu sei que não demora pra explodir, se continuar cedendo assim. Trato é trato. Odeio quando as pessoas negligenciam a única coisa que um homem de verdade pode ter: palavra.