Archive for the 'Brisas' Category

Setembro
18th 2008
Brasil passivo…

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Época de eleições, tento sempre provocar discussões políticas, mas ninguém está nem aí pra hora do Brasil; pergunto elegantemente: “Ei, idiota, em quem você vai votar?” - e recebo respostas como “- nulo!”, “- vou viajar!”, “- nem sei ainda!”, “naquele fulano de sempre que diz que rouba ma(i)s faz!”, “- naquele fulano de sempre porque dessa vez o plano de educação que ele promete vai me beneficiar!”… Só merda. Só passividade. Acredito que votar nulo é uma forma de expressar o descontentamento com as opções, mas só expressar não adianta nesse país “Dupiniquim”, pois mesmo que os votos nulos sejam maioria não servem pra anular uma eleição, que só é anulada caso se comprove fraude (que não é impossível no nosso pais, né?). Votar nulo não resolve, só expressa. Votar mal também é crítico, por isso não deveria ser obrigatório. Obrigar o cidadão que, por forças ocultas ou vadiagem, é burro demais pra discernir o que é melhor para a maioria deveria ser considerado crime de perigo.

O brasileiro é passivo, a menos que esteja comemorando alguma coisa. Geralmente destroem coisas pelo êxtase da alegria, basta ver que comemorações, festas, torcidas são sempre focos de violência. Claro, a violência estúpida já dominou a sociedade, ver traficantes como o Beira-Mar rindo pra câmera, programas que mostram a maravilha das Paraolimpíadas para os que perderam movimentos depois de encontrarem balas “perdidas”, a corrupção que insiste em privilegiar quem pode pagar um bom advogado e descolar um habeas corpuzinho… E o patriotismo que ataca o país a cada dois anos sempre é seguido de eleição pra alguma coisa, nunca sobra energia soberana para pensar que os atletas, que foram escolhidos disputando campeonatos e sendo os melhores, não vão decidir a verba pra incentivo ao esporte da escola do seu bairro. Parabéns para os atletas, a grande maioria, aliás, nunca recebeu incentivo nenhum do governo que nós escolhemos…

Toda vez que tenho de usar o metrô em horário de pico aqui em sampa é que fico pasma com a passividade do povo. É coisa de louco,mesmo. Muita gente, tanta que se você conseguir tirar um pé do chão, não encontra mais chão pra pisar de volta, só pés… E o povo se empurra, se aperta, se machuca, agride os outros, todos querem chegar logo. Ninguém questiona se é justo, se R$2,40 por viagem não pagaria pelo menos a dignidade de não ser pisoteado por não querer empurrar uma velhinha que está na frente, e o povo entra rindo nos trens superlotados, deveriam chorar ou quebrar tudo como fizeram nossos hermanos, que são muito menos passivos…

Sei que eu amo o Brasil, apesar dos brasileiros. E tem alguns deles que eu até gosto, mas são a minoria, realmente. Já que não se pode mudar o mundo sempre, me distraio sabendo mais sobre os idiotas que querem meu voto, que não será nulo. Eu me sinto pouco brasileira, apesar de nunca ter brigado por homem, já briguei muito pelas pessoas que não têm culpa da própria ignorância, me orgulho muito de mim por isso, que linda que eu sou… Sou barraqueira diante de qualquer injustiça. Dividir o que se sabe é o maior dos altruísmos. E acredito ser a única forma de erradicar a ignorância, mesmo que seja a longuíssmo prazo…

Música pro Brasil il il il do seu Creysson: Inútil - Ultraje a Rigor

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Setembro
16th 2008
Propriedade

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É minha propriedade, falar sobre o que sei, o que vejo, o que penso. Mais egocêntrico, impossível. Mais justo também é impossível. Sabe, aquela piada infame: “Copiar algo  de uma pessoa é plágio, de várias é tese”. Nunca me senti confortável com trabalhos em que tinha de analisar os pensamentos de pessoas de outras épocas, outros lugares. Pessoas não são tão iguais, o ambiente é fundamental para uma análise justa. E aí que a coisa pega, analisar uma obra fora de seu ambiente, de sua atmosfera geral, é leviano e digo mais: vulgar. Claro, o dom da criação é divino e nem todos acreditam possuí-lo, mas é mais interessante ter propriedade pra criticar se não há coragem pra criar.

Tampouco acho que esse pensamento seja novo, mas tenho propriedade pra falar do que vejo, do que aprendo nesse meu tempo, sobre as pessoas que acredito conhecer. Fico fula quando uma pessoa velha fala mal da juventude de hoje, pois acredito que suas análises não possuem propriedade, apenas a experiência da distante juventude que viveram, outro tempo. Acho que arte também não poderia ser criticada sem haver antes uma mente realmente aberta para o conceito de que expressão é tudo e tudo pode ser expresso, mesmo que o conceito não agrade e, algumas vezes, a intenção é essa.

O jornalismo… Putz, não consigo me livrar do idealismo egocêntrico, que me dá síndrome de Lara Croft e me faz querer revirar tumbas da podreira que sei que rola em tanto lugar, aqui perto, ali na esquina, “gente fina” - meu advogado jura… Não consigo parar de pensar em propriedade ao escrever, poderia fazer uma lista enorme e tão presunçosa quanto eu de tudo que acredito ter propriedade pra escrever a respeito. Ou não… A inconstância é mãe da minha imaginação e da insegurança em meus próprios talentos. Mas, tudo bem… Se eu não conseguir dominar o mundo com uma revolução hedonista, posso fazer uma tese sobre isso.

Música oferecida com demência: Come out and play - The Offspring

E uma linda imagem do meu fim de semana, meus dois amores mais lindos:

Americo e Thomas

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Setembro
8th 2008
Vale quando se perde

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É assim que funciona, na maioria das vezes. Não sabemos dar valor ao que temos, só quando não se pode mais ser é que importa, que faz falta. É comum ver homens que mandam chocolate, flores e jóias quando levam um pé na bunda, sei até de casos suicidas, a morte como homenagem ao fim mais trágico que a falta de amor pode causar. O amor acaba… Antes acaba a admiração, não se pode amar sem admirar. Mas o valor ao que se perde não se aplica só ao envolvimento emocional, é comum. Aquela velha estória de que só quem já passou fome aprendeu a não desperdiçar comida. Eu nunca passei fome, não me excluo dos que só valorizam quando perdem.

Já perdi muitas coisas, muitas vezes. Cada perda me trouxe novos ganhos, de outras maneiras. Hoje eu valorizo a liberdade que não tenho mais, pois hoje sou modelo de comportamento pro meu filho, não posso ser inconseqüente, viajar semanas, ficar bêbada, morrer. É incrível como ser responsável por uma nova vida nos faz dar muito mais valor para coisas que antes eram triviais. Ainda não precisei perder a infância do meu filho pra sentir o quanto faz falta, mas deixá-lo na escolinha sempre me faz sentir uma invejinha daquelas mães que não fazem nada além de criar seus rebentos. Hoje eu valorizo o tempo, pois sei que desperdicei bastante construindo essa personalidade fugaz, não me faz falta o tempo que foi, mas queria esticar ao máximo o que tenho agora. Queria mais tempo pra poder perder tempo…

Valorizar o que perdi tentando enxergar o que ganhei. Leva algum tempo… Sei que ganhei experiência, e com ela talvez um pouco mais de maturidade mas… não me basta. E ninguém me perdeu pois, até aprender a valorizar o tempo da liberdade, eu era só minha… Hoje eu sou só dele e vivo meu tempo para que sua liberdade seja a mais linda do mundo. Um dia vou perdê-lo pra vida, pro mundo. Quando o tempo da liberdade dele atingir o auge, vou sentir falta da sua dependência e ganhar netos. Tomara! A cada dia eu tento valorizar mais o que tenho, pois quanto mais o tempo passa mais percebo que tudo acaba, tudo muda, nada dura pra sempre. E eu não quero dar valor ao que realmente amo só quando for tarde demais…

Música pra uma segunda reflexiva e introspectiva: Thirty-Three - The Smashing Pumpkins

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Setembro
1st 2008
Perigosa pra quem?

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Só se for pra minha própria integridade psicológica…

Eu não queria parecer “a” perigosa, uma fêmea perigosa, uma rival, oponente perigosa… Mente perigosa, moça presunçosa… No fundo, queria ser perigosa pra quem me incomoda e me faz chorar quase todo dia: a intolerância aliada à indiferença (des)humana(s). QUase todo dia eu passo por uma escada onde dorme um menino que não tem nem 10 anos de idade. Ele dorme só ali, ninguém que pareça ser sua “família”, nenhum cobertor, sempre sujo, sempre invisível. Todos os dias, sempre invisível… É uma criança que não é muito diferente de outras tantas que perderam suas famílias para o vício, a violência, a doença ou as várias formas nojentas de guerra que ainda comprovam a incapacidade humana para a paz. São orfãos da vida, cujas origens só prestam como referência de desespero, só servem pra enriquecer pesadelos. Essas crianças fazem parte dos meus sonhos mais tristes, aqueles que me fazem chorar e gritar sem conseguir acordar e escapar. E não consigo deixar de olhar, virar o rosto, fingir que não é comigo. Algo de fascínio mórbido, mau gosto, síndrome de super-heroína frustrada, complexo de madre Tereza… Não sei o que pode ser, só sei que não consigo evitar.

Desde pequena me sinto desconfortável por ter mais e por não saber dividir o suficiente. Claro que mi madre, canceriana que só, sempre teve coração muito mole, sempre incentivou que doássemos o que não nos fizesse falta, estimulou nosso espírito altruísta com chantagens emocionais que sempre evocavam imagens das pobres crianças famintas da África ou do sertão árido tupiniquim, deu exemplos de generosidade e conduta benevolente e, assim, criou dois filhos que queriam carregar o mundo no colo. Meu irmão, apesar de ser um oposto, também tem latente essa vontade de acabar com a injustiça e a desigualdade de oportunidade, é o tipo de cara que é capaz de dar as próprias calças e andar pelado pra ajudar quem lhe procura. Mas nem sei se algum dia ele sentiu vergonha por ser caucasiano num país de miscigenados, por ter mais brinquedos que o coleguinha, por ter dinheiro pra pagar lanche na cantina enquanto a maioria comia da merenda gratuita.

Queria ser perigosa para os avarentos, os insensíveis e injustos o mundo, os emergentes que sobem pra pisar na cabeça de quem os serve; morro de vergonha alheia toda vez que vejo um “cliente” maltratar e/ou humilhar um funcionário por algum problema que o pobre empregado não poderia  resolver, como procedimentos que são regras estabelecidas por uma matriz invisível e distante, coordenada por algum “deus” que também é invisível e distante.  Queria ser mesmo uma ameaça aos que fomentam a desigualdade, mãe da injustiça. Aos que têm “coragem” de aumentar a margem de lucro sem pagar melhor seus funcionários, aos que têm “coragem” de bater em alguém indefeso, aos que não doam os bens que estragam em seus depósitos e porões, aos que não contribuem com a qualidade da educação para todos, aos que viraram o rosto pro menino que dorme todo dia nas escadas do Metrô Luz… Talvez eu seja uma hipócrita por não levar aquele menino pra minha casa, algumas vezes sinto que estaria muito mais realizada como pessoa se trabalhasse apenas pelos outros, em vez de pelos meus e para os outros…

Músika: Stand By Me - John Lennon

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Agosto
28th 2008
Deliciosamente perigosa…

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Super vontade de…. FÉRIAS!!! Sim, essa é uma vontade constante nos hedonistas. Pior é que nem sou tão ocupada assim, nada além do que é comum para as pessoas da minha idade. Ok, trabalho, estudo, sou mãe e filha. Mas não é um mistério da humanidade, muitas pessoas já fizeram assim antes e acho que não morreram ou ficaram aleijadas pelo esforço. Ser urbana e quase sedentária dá nisso. Ok, agora não sou mais tão sedentário porque voltei pro Jazz, mas chacoalhar o esqueleto uma vez por semana não me deixa “mais disposta”, como prometem os entendidos das atividades físicas.

Super vontade de viver uma aventura. Daquelas que o fundo é um cenário paradisíaco, e uma companhia de tirar o fôlego pra fazer tudo ser inesquecível. Ou mesmo ficar uma semana toda (ou mais) só com meu filhote, perto do mar, perto da natureza… Uma semana é um luxo que não posso me permitir, por enquanto. Mas seria tão legal… Curtir a vida mais intensamente. Claro que minha vida não é um tédio, tem dias chatos e dias incríveis, mas nunca dias iguais. Apenas queria mais… Tanta coisa, aliás.

Queria ser uma estrela do rock, uma sereia, uma pena flutuando na ventania, um espelho, uma janela, uma palavra bonita… Queria ser tudo pra sentir mais vida… Movida a sensações, as restrições sempre me desapontam muito.  Quando você é um tipo de pessoa muito imaginativa, que enxerga além e vislumbra muitas possibilidades em tudo, quase sempre acaba com aquela estúpida sensação de ser a cobra para qual os deuses negaram asas… Queria poder mais e também mais poder, talvez até superpoderes…

“Tia Lia, por que você sempre indica uma música em seus posts?” - Oras, porque eu posso! E quero dizer que considero meu gosto musical razoável. Claro que o mau gosto impera, mas não no meu caso. Posso ter mau gosto pra gente, mas pra música, não. E pra hoje, pra vocÊ, ouve isso, baby: I Put A Spell On You - Creedence Clearwater Revival

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Agosto
22nd 2008
Escreve aí

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Tanta gente que odeia escrever me fala: “Ai, eu queria tanto ter esse seu ‘talento’, mas eu não sei escrever”. E eu sei? Acredito que todo mundo sabe. Ei!!! Isso aqui, esse blog, é mais pra mim do que pra você, sabia? É um grande exercício de autoconhecimento e superação. Escrever alivia grandes probabilidades de desvios psicológicos na minha conduta quase imaculada. Duuuh! Fico em dúvida se consegui desvendar um grande mistério da humanidade: escrever. Se você pensa e sabe ler, então, você é capaz de escrever. Não requer um árduo treinamento ninja pra se colocar em palavras o que acontece na imaginação. Se as pessoas tentassem escrever o que sentem e guardassem esses textos, teriam material de sobra pra perceber a própria inconstância, burrice, fragilidade e comédia.

Seria bem legal ser lida não fosse pelos que não conseguem acompanhar o raciocínio selvagem das minhas palavras, não fosse o julgamento ao qual sou submetida pelos que nem imaginação têm, não fosse o mal-entendido que qualquer expressão pode desencadear. Seria incrível ganhar dinheiro pela minha grafomania, mas se eu fosse publicada acredito que receberia um prêmio pelo maior “Worst Seller” da história, perdão pela falta de modéstia, mas realmente não creio que alguém pagaria pra ler tanta bobagem. E quando me perguntam se não tenho interesse em publicar, digo que já está publicado na web. E eu acredito na web, gosto dessa liberdade que tenho aqui, gosto de saber que quem lê esse texto encontra o que eu realmente escrevi, sem edição, sem palpites e quase sem noção da própria força.

Escreve aí, cara! Coloca em palavras seus pensametos e leia. Não se surpreenda se começar a discordar de si mesmo assim que começar a se enxergar, ou ainda, se escrevendo você se atenha mais aos detalhes, coisas que passaram despercebidas, ou ainda, o quanto você não se conhece. “Conhece-te a ti mesmo”, socrático, básico, patético. Há quem resmungue que olhar pra dentro é pequeno, limitado. E, graças aos Deuses, há quem acredite que é fundamental se saber antes de fuçar a vida alheia. Somos nossas melhores referências, e somos as únicas que teremos de tolerar até o fim…

Música pra essa filosofia de boteco digna de “fried day”: Dostoievski - Wandi Doratiotto

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Agosto
20th 2008
Intrigas do Amor

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Até onde você se julga capaz de ir por amor? Amor de homem e mulher (ou coisa similar), amor paixão, daqueles que fazem os encalhados sonharem e os apaixonados sofrerem. Será que a sinceridade e o diálogo são peças fundamentais para o sucesso de uma relação? Ou será que são tantos os fatores que se torna mais uma enorme estupidez da minha parte chacoalhar minhas pulgas sobre o tema? Who cares?

Minha “vasta” experiência, nesse exato momento em que estou pensando sobre um determinado caso em particular, me faz parecer mi madre, a rainha dos provérbios, pra variar: “Quanto mais você abaixa, mais a sua bunda aparece…” É fato. Nos apaixonamos por uma pessoa que pode, com o passar do tempo, mudar totalmente para nos agradar ou testar. A primeira opção acontece quando a pessoa se anula e deixa a outra controlar sua vida. Claro que a maioria acha que cabe nessa primeira descrição, afinal somos todos mártires, super altruístas e jamais somos egoístas, né? O fato é que somos tão egocêntricos que só enxergamos o nosso próprio sacrifício, ignoramos o martírio alheio, empatia nem pensar quando são os nossos valiosíssimos sentimentos que foram feridos.

E testamos nosso oponente, ops, parceiro… Sim, queremos testar o limite do amor alheio, mesmo sabendo (se não sabemos, o problema é bem nosso) que é frágil e totalmente condicional. Só o amor de mãe pode ser incondicional, mas muita gente busca esse amor nos relacionamentos, e não só amor: estímulo, aprovação, compreensão, aceitação de mãe. Quando, na verdade, o outro não é nossa mãe, não nos conhece como quem nos pariu e criou, não sabe da gente como ela sabe e, logo, não é capaz de oferecer um amor tão intenso assim. Buscar esse amor num romance é doença corriqueira hoje em dia, muita gente perdeu a noção do que é mãe e pra quê ela serve.

Se bem que algumas pessoas amam o sofrimento, o drama, o melodrama, a coisa problemática em vez da problemática da coisa. Tem gente que faz questão de rimar amor com dor, em vez de rimar com calor, sabor, valor. Há quem se amarre num platônico, nem que tenha de partir o próprio coração só pra curtir a dor de cotovelo de ver a pessoa amada ser feliz ao lado de outro alguém. Tem amor que precisa de intriga pra se afirmar, pro casal poder dizer um dia: “enfrentamos o diabo, mas estamos juntos há quinze anos!” - claro que a esquisitona aqui prefere dizer que foi eterno durante o ano que durou a contar vantagem em cima do sofrimento, mas como sou gonza demaaais, nem me considero referência.

Sem contar o ciúme, a grande intriga quase favorita do amor. Tem fulanos que A-D-O-R-A-M se autoafirmar citando exs, como se o fato de ser bem rodado fosse qualidade. Ja passei algumas vezes pela cena de passar num determinado lugar e o infeliz ao meu lado me presentar com uma jóia do tipo: “Eu namorava uma menina que mora nessa rua!”. Nesses momentos tive de ter muito sangue frio pra ficar calada. Que eu poderia dizer, afinal? “Ah, sério? Nossa, obrigada pela informação! Qual o endereço exato pra eu visitá-la e pedir referências?” Ou, quem sabe: “Nossa, saber isso mudou minha vida e por isso nunca mais vou passar por aqui!”. Provocar ciúmes desse jeito soa como um grito desesperado por atenção, parece que a pessoa quer valorizar o produto, te dizer: “Olha, tem muita gente me querendo, você deveria se sentir muito feliz e se submeter totalmente à minha imaturidade.”

O fato é que parece que todo amor vive cercado por intrigas. Ciúme, família e/ou terceiros mal intencionados, diferenças de hábitos e opiniões, rotina, desgaste. Amor sem intriga é praticamente impossível. Há quem também acredite que o melhor de um romance é a briga, pois o sexo de reconciliação é melhor. Claro que a maluca aqui discorda, sexo de reconciliação não existe com pessoas não partidárias da segunda chance…

Som para corações partidos de hoje: Dido - Here with me

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Agosto
12th 2008
Cansa a beleza

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Beleza nem sempre é vantagem. Ok, pra acasalar é mais fácil conseguir parceiro se sua casca é comestível, mas não vejo muitas outras benesses além dessa. Um indivíduo pode até conseguir um emprego por ser mais apresentável que um concorrente, mas fatalmente terá de se esforçar o dobro para convencer de que não está ali por que está dando/comendo algum superior.  Ser belo é não se preocupar muito com a embalagem e então pode se encontrar duas vertentes básicas de gostosões no mercado: os que fazem da própria beleza conteúdo e se bastam na própria futilidade; e os que acham que ser só bonito não é suficiente e, por isso, entram em crises existenciais.  Ser bonito e não achar que isso basta é problemático e ridículo. Só quem passa por essas agruras é capaz de entender e avaliar o tamanho da estupidez, afinal a beleza vai acabar um dia, é só ter paciência de esperar e esperteza pra aproveitar enquanto ela dura assim, de graça.  Cansa a beleza a desconfiança que a mesma traz; o bonito acha que só o querem pela aparência e quem ama o bonito sempre desconfia dos  sentimentos da beldade. Como se beleza e volubilidade fossem sinônimos em alguma outra esfera que não a do tempo… Beleza é inconstante e muito particular. NADA é unânime quando o assunto é beleza. Uns acham que a cor mais bonita é o azul, muitos preferem o vermelho e o mesmo padrão pode se aplicar aos estúpidos que somos nós. Somos lindos enquanto temos todas as nossas partes inteiras, quando estamos limpinhos e perfumados, enquanto o tempo ainda não nos castigou o suficiente pra sumir com nossa esperança… E a vida é bela, a gente é que cansa dela…

Som pra hoje: Clocks - Coldplay

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Agosto
11th 2008
Saudades encantam…

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O dia começou cheio de saudades, cheio de saudades que começaram junto com essa semana e com saudades que terminaram assim também. Meus meninos, amores que deixam minha vida mais leve, mais divertida. Eles são minhas saudades, minhas agonias, preocupações… Meu fim de semana foi legal, num lugar super especial, um jeito gostoso de relembrar como é ser livre, ser feliz. E foi muito legal dividir isso tudo que eu sabia que seria bonito me ver sentindo, eu sou muito melhor assim, feliz por ser feliz. Tem dias que sinto culpa por ser feliz, são os dias cinzentos em que deixo a mesquinhez alheia me atingir a plenitude, me fazem encolher toda essa grandeza e sentir que talvez não seja digna de tamanha felicidade. Mas isso passa graças ao meu incrível jutsu de “Poderosa Aplicação de Empatia”.

Eu adoraria ser capaz de ensinar isso, empatia. Se cada filho da pucca aprendesse a ser empático, o mundo seria menos cruel, a vida seria mais bela, o diálogo seria menos hipócrita. É horrível sentir-se um alienígena por que se é franco, por ser direto em seus argumentos, até para admitir que embasou uma teoria aparentemente profunda em porcaria nenhuma, em suposições e presunções que saíram do nada. E talvez seja esse o Graal que eu vou buscar pela minha jornada,  o ensinamento da empatia. Melhor mesmo que não me publiquem se eu estiver escrevendo feito pau mandado. Por que eu sou um pau mandado muito duro e grande pra um idiota qualquer engolir.

Empatia, baby. Saiba se colocar aqui, na minha pele, e verá como é doce ser ácida, como é difícil parecer fácil e delicioso ser ruim… Estar aqui é ver que é possível se superar, evoluir e rir de si mesmo, da própria limitação, da própria condição efêmera, ridícula, precária e maravilhosa que é o ‘estar vivo’.  Eu queria te ensinar a se amar mais do que pode amar qualquer outra coisa, pra te ensinar a se deixar ser amado, pra aprender a amar alguém de verdade, venha aqui e enxergará a vida mais bonita através dos meus olhos, meus olhos que só se amam e por isso te amam tanto…

Som pra hoje: Wine in the afternoon - Franz Ferdinand

empatia | s. f. de em + Gr. páthos, estado de alma
capacidade psicológica para se identificar com o eu de outro, conseguindo sentir o mesmo que este nas situações e circunstâncias por esse outro vivenciadas.

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Julho
30th 2008
in & eu

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Incompreendida, como qualquer juventude, em qualquer tempo. Nem tão jovem, nem tão adulta, ainda… Inconstante, indecente, incoerente. Insossa, invertebrada. Insatisfeita, não pela juventude, mas pela velha guarda que chacoalhou muito suas pulgas pelo direito de expressão, e hoje a maioria nada tem a dizer, só lamentar. Inquieta pela avaliação, não dos velhos, mas dos jovens que amanhã podem achar que a velha aqui se conformou e calou também. Não quero deixar pro meu filho o fardo de dominar o mundo, pretendo fazer isso por ele, e ensiná-lo a fazer o mesmo, para que ele faça no tempo dele. Insuportável. Ter opinião é inaceitável. Saber pensar parece inválido. Inacessível, invejada, iniciante. Inflamada e com a vontade impotente, insolente ao olhar inquisidor. Indomada e, ainda sempre, inconformada…

Som bem in: Infected - Bad Religion

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