Até onde você se julga capaz de ir por amor? Amor de homem e mulher (ou coisa similar), amor paixão, daqueles que fazem os encalhados sonharem e os apaixonados sofrerem. Será que a sinceridade e o diálogo são peças fundamentais para o sucesso de uma relação? Ou será que são tantos os fatores que se torna mais uma enorme estupidez da minha parte chacoalhar minhas pulgas sobre o tema? Who cares?
Minha “vasta” experiência, nesse exato momento em que estou pensando sobre um determinado caso em particular, me faz parecer mi madre, a rainha dos provérbios, pra variar: “Quanto mais você abaixa, mais a sua bunda aparece…” É fato. Nos apaixonamos por uma pessoa que pode, com o passar do tempo, mudar totalmente para nos agradar ou testar. A primeira opção acontece quando a pessoa se anula e deixa a outra controlar sua vida. Claro que a maioria acha que cabe nessa primeira descrição, afinal somos todos mártires, super altruístas e jamais somos egoístas, né? O fato é que somos tão egocêntricos que só enxergamos o nosso próprio sacrifício, ignoramos o martírio alheio, empatia nem pensar quando são os nossos valiosíssimos sentimentos que foram feridos.
E testamos nosso oponente, ops, parceiro… Sim, queremos testar o limite do amor alheio, mesmo sabendo (se não sabemos, o problema é bem nosso) que é frágil e totalmente condicional. Só o amor de mãe pode ser incondicional, mas muita gente busca esse amor nos relacionamentos, e não só amor: estímulo, aprovação, compreensão, aceitação de mãe. Quando, na verdade, o outro não é nossa mãe, não nos conhece como quem nos pariu e criou, não sabe da gente como ela sabe e, logo, não é capaz de oferecer um amor tão intenso assim. Buscar esse amor num romance é doença corriqueira hoje em dia, muita gente perdeu a noção do que é mãe e pra quê ela serve.
Se bem que algumas pessoas amam o sofrimento, o drama, o melodrama, a coisa problemática em vez da problemática da coisa. Tem gente que faz questão de rimar amor com dor, em vez de rimar com calor, sabor, valor. Há quem se amarre num platônico, nem que tenha de partir o próprio coração só pra curtir a dor de cotovelo de ver a pessoa amada ser feliz ao lado de outro alguém. Tem amor que precisa de intriga pra se afirmar, pro casal poder dizer um dia: “enfrentamos o diabo, mas estamos juntos há quinze anos!” - claro que a esquisitona aqui prefere dizer que foi eterno durante o ano que durou a contar vantagem em cima do sofrimento, mas como sou gonza demaaais, nem me considero referência.
Sem contar o ciúme, a grande intriga quase favorita do amor. Tem fulanos que A-D-O-R-A-M se autoafirmar citando exs, como se o fato de ser bem rodado fosse qualidade. Ja passei algumas vezes pela cena de passar num determinado lugar e o infeliz ao meu lado me presentar com uma jóia do tipo: “Eu namorava uma menina que mora nessa rua!”. Nesses momentos tive de ter muito sangue frio pra ficar calada. Que eu poderia dizer, afinal? “Ah, sério? Nossa, obrigada pela informação! Qual o endereço exato pra eu visitá-la e pedir referências?” Ou, quem sabe: “Nossa, saber isso mudou minha vida e por isso nunca mais vou passar por aqui!”. Provocar ciúmes desse jeito soa como um grito desesperado por atenção, parece que a pessoa quer valorizar o produto, te dizer: “Olha, tem muita gente me querendo, você deveria se sentir muito feliz e se submeter totalmente à minha imaturidade.”
O fato é que parece que todo amor vive cercado por intrigas. Ciúme, família e/ou terceiros mal intencionados, diferenças de hábitos e opiniões, rotina, desgaste. Amor sem intriga é praticamente impossível. Há quem também acredite que o melhor de um romance é a briga, pois o sexo de reconciliação é melhor. Claro que a maluca aqui discorda, sexo de reconciliação não existe com pessoas não partidárias da segunda chance…
Som para corações partidos de hoje: Dido - Here with me