Archive for Agosto, 2008

Agosto
28th 2008
Deliciosamente perigosa…

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Super vontade de…. FÉRIAS!!! Sim, essa é uma vontade constante nos hedonistas. Pior é que nem sou tão ocupada assim, nada além do que é comum para as pessoas da minha idade. Ok, trabalho, estudo, sou mãe e filha. Mas não é um mistério da humanidade, muitas pessoas já fizeram assim antes e acho que não morreram ou ficaram aleijadas pelo esforço. Ser urbana e quase sedentária dá nisso. Ok, agora não sou mais tão sedentário porque voltei pro Jazz, mas chacoalhar o esqueleto uma vez por semana não me deixa “mais disposta”, como prometem os entendidos das atividades físicas.

Super vontade de viver uma aventura. Daquelas que o fundo é um cenário paradisíaco, e uma companhia de tirar o fôlego pra fazer tudo ser inesquecível. Ou mesmo ficar uma semana toda (ou mais) só com meu filhote, perto do mar, perto da natureza… Uma semana é um luxo que não posso me permitir, por enquanto. Mas seria tão legal… Curtir a vida mais intensamente. Claro que minha vida não é um tédio, tem dias chatos e dias incríveis, mas nunca dias iguais. Apenas queria mais… Tanta coisa, aliás.

Queria ser uma estrela do rock, uma sereia, uma pena flutuando na ventania, um espelho, uma janela, uma palavra bonita… Queria ser tudo pra sentir mais vida… Movida a sensações, as restrições sempre me desapontam muito.  Quando você é um tipo de pessoa muito imaginativa, que enxerga além e vislumbra muitas possibilidades em tudo, quase sempre acaba com aquela estúpida sensação de ser a cobra para qual os deuses negaram asas… Queria poder mais e também mais poder, talvez até superpoderes…

“Tia Lia, por que você sempre indica uma música em seus posts?” - Oras, porque eu posso! E quero dizer que considero meu gosto musical razoável. Claro que o mau gosto impera, mas não no meu caso. Posso ter mau gosto pra gente, mas pra música, não. E pra hoje, pra vocÊ, ouve isso, baby: I Put A Spell On You - Creedence Clearwater Revival

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Agosto
26th 2008
Dia “pé no saco”

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É, o dia de contemplação compulsiva passou. Contemplei, pensei, imaginei e não cheguei a nenhuma conclusão além da velha certeza de que sou ridícula. Mas tudo bem, eu já estou acostumada e lido bem com isso. Aí, hoje é um novo dia, nova chance, tipo um reveillon dos infernos que se repete 364 dias no ano, só um reveillon é bem comemorado por que é um dia de ócio na véspera de mais um dia de puro ócio. Comemoro o último dia do ano como se fosse o último do mundo, mas todos os outros dias são empurrados com a barriga. Dias de ócio ou não…

Eu adoro os dias em que TUDO depende só de mim, principalmente na área profissional. Fico emburrada pra caramba quando não posso resolver sozinha os assuntos, quando não posso decidir por conta. Sou viciada em desafios, me mantêm estimulada, motivada e perigosamente esperta. Quero morrer quando sei um caminho melhor e sou obrigada a seguir pelo que é mais convencional só pra não contrariar (ou superar) os velhos padrões. Esses padrões contribuem muito pro meu tempo livre, pro meu besteirol blogueiro, pro meu tédio, pros meus planos malignos de dominar o mundo…

Pensa num dia que demora pra acabar e que parece que tudo o que você fez foi, praticamente, inútil… Tudo bem, pelo menos meu humor está melhor. Vou até colocar uma musiquinha legal, pra variar… Me Deixa - O Rappa

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Agosto
25th 2008
Contemplação compulsiva

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Dias em que não quero olhar pra fora, dias em que preferia poder curtir um silêncio, uma distância, um isolamento de verdade. Tem dias em que não sei o que dizer, que só queria ouvir uma boa estória, alguma mentira, ser entretida, pra variar… E aí eu ataco um chocolate, parece que sinto uma carência de mim, da minha energia, vontade de não ser a Lia pra encontrar com ela, e dar muita risada, ouvir teorias da sua imaginação louca e cômica. Rir, talvez chorar. Rir até chorar, ou chorar até me sentir ridícula e começar a rir. Eu me quero tanto quando me sinto assim. Que sem graça ser peça única no mundo… (ok, caríssimo leitor, todos somos). Seria legal me ver, me encontrar, falar comigo e me escutar. Como é impossível, fico a contemplar a impressão que causei, as marcas que deixei e as bostas que escrevi. Hoje, especialmente, chego a conclusão que padeço de um antigo mistério da humanidade: intolerância. Quando ninguém é como eu, nesses dias de contemplação compulsiva, sinto aversão. Medo também. Por que as pessoas não podem ser eu? Que saco… Só eu seria capaz de me fazer rir hoje, só eu conseguiria dar o que quero e preciso. Por que não sei explicar, só sentir e contemplar essa sensação que lembra um desgaste misturado com agonia… Que merda.

Música chata de hoje: Black - Pearl Jam

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Agosto
22nd 2008
Escreve aí

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Tanta gente que odeia escrever me fala: “Ai, eu queria tanto ter esse seu ‘talento’, mas eu não sei escrever”. E eu sei? Acredito que todo mundo sabe. Ei!!! Isso aqui, esse blog, é mais pra mim do que pra você, sabia? É um grande exercício de autoconhecimento e superação. Escrever alivia grandes probabilidades de desvios psicológicos na minha conduta quase imaculada. Duuuh! Fico em dúvida se consegui desvendar um grande mistério da humanidade: escrever. Se você pensa e sabe ler, então, você é capaz de escrever. Não requer um árduo treinamento ninja pra se colocar em palavras o que acontece na imaginação. Se as pessoas tentassem escrever o que sentem e guardassem esses textos, teriam material de sobra pra perceber a própria inconstância, burrice, fragilidade e comédia.

Seria bem legal ser lida não fosse pelos que não conseguem acompanhar o raciocínio selvagem das minhas palavras, não fosse o julgamento ao qual sou submetida pelos que nem imaginação têm, não fosse o mal-entendido que qualquer expressão pode desencadear. Seria incrível ganhar dinheiro pela minha grafomania, mas se eu fosse publicada acredito que receberia um prêmio pelo maior “Worst Seller” da história, perdão pela falta de modéstia, mas realmente não creio que alguém pagaria pra ler tanta bobagem. E quando me perguntam se não tenho interesse em publicar, digo que já está publicado na web. E eu acredito na web, gosto dessa liberdade que tenho aqui, gosto de saber que quem lê esse texto encontra o que eu realmente escrevi, sem edição, sem palpites e quase sem noção da própria força.

Escreve aí, cara! Coloca em palavras seus pensametos e leia. Não se surpreenda se começar a discordar de si mesmo assim que começar a se enxergar, ou ainda, se escrevendo você se atenha mais aos detalhes, coisas que passaram despercebidas, ou ainda, o quanto você não se conhece. “Conhece-te a ti mesmo”, socrático, básico, patético. Há quem resmungue que olhar pra dentro é pequeno, limitado. E, graças aos Deuses, há quem acredite que é fundamental se saber antes de fuçar a vida alheia. Somos nossas melhores referências, e somos as únicas que teremos de tolerar até o fim…

Música pra essa filosofia de boteco digna de “fried day”: Dostoievski - Wandi Doratiotto

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Agosto
20th 2008
Intrigas do Amor

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Até onde você se julga capaz de ir por amor? Amor de homem e mulher (ou coisa similar), amor paixão, daqueles que fazem os encalhados sonharem e os apaixonados sofrerem. Será que a sinceridade e o diálogo são peças fundamentais para o sucesso de uma relação? Ou será que são tantos os fatores que se torna mais uma enorme estupidez da minha parte chacoalhar minhas pulgas sobre o tema? Who cares?

Minha “vasta” experiência, nesse exato momento em que estou pensando sobre um determinado caso em particular, me faz parecer mi madre, a rainha dos provérbios, pra variar: “Quanto mais você abaixa, mais a sua bunda aparece…” É fato. Nos apaixonamos por uma pessoa que pode, com o passar do tempo, mudar totalmente para nos agradar ou testar. A primeira opção acontece quando a pessoa se anula e deixa a outra controlar sua vida. Claro que a maioria acha que cabe nessa primeira descrição, afinal somos todos mártires, super altruístas e jamais somos egoístas, né? O fato é que somos tão egocêntricos que só enxergamos o nosso próprio sacrifício, ignoramos o martírio alheio, empatia nem pensar quando são os nossos valiosíssimos sentimentos que foram feridos.

E testamos nosso oponente, ops, parceiro… Sim, queremos testar o limite do amor alheio, mesmo sabendo (se não sabemos, o problema é bem nosso) que é frágil e totalmente condicional. Só o amor de mãe pode ser incondicional, mas muita gente busca esse amor nos relacionamentos, e não só amor: estímulo, aprovação, compreensão, aceitação de mãe. Quando, na verdade, o outro não é nossa mãe, não nos conhece como quem nos pariu e criou, não sabe da gente como ela sabe e, logo, não é capaz de oferecer um amor tão intenso assim. Buscar esse amor num romance é doença corriqueira hoje em dia, muita gente perdeu a noção do que é mãe e pra quê ela serve.

Se bem que algumas pessoas amam o sofrimento, o drama, o melodrama, a coisa problemática em vez da problemática da coisa. Tem gente que faz questão de rimar amor com dor, em vez de rimar com calor, sabor, valor. Há quem se amarre num platônico, nem que tenha de partir o próprio coração só pra curtir a dor de cotovelo de ver a pessoa amada ser feliz ao lado de outro alguém. Tem amor que precisa de intriga pra se afirmar, pro casal poder dizer um dia: “enfrentamos o diabo, mas estamos juntos há quinze anos!” - claro que a esquisitona aqui prefere dizer que foi eterno durante o ano que durou a contar vantagem em cima do sofrimento, mas como sou gonza demaaais, nem me considero referência.

Sem contar o ciúme, a grande intriga quase favorita do amor. Tem fulanos que A-D-O-R-A-M se autoafirmar citando exs, como se o fato de ser bem rodado fosse qualidade. Ja passei algumas vezes pela cena de passar num determinado lugar e o infeliz ao meu lado me presentar com uma jóia do tipo: “Eu namorava uma menina que mora nessa rua!”. Nesses momentos tive de ter muito sangue frio pra ficar calada. Que eu poderia dizer, afinal? “Ah, sério? Nossa, obrigada pela informação! Qual o endereço exato pra eu visitá-la e pedir referências?” Ou, quem sabe: “Nossa, saber isso mudou minha vida e por isso nunca mais vou passar por aqui!”. Provocar ciúmes desse jeito soa como um grito desesperado por atenção, parece que a pessoa quer valorizar o produto, te dizer: “Olha, tem muita gente me querendo, você deveria se sentir muito feliz e se submeter totalmente à minha imaturidade.”

O fato é que parece que todo amor vive cercado por intrigas. Ciúme, família e/ou terceiros mal intencionados, diferenças de hábitos e opiniões, rotina, desgaste. Amor sem intriga é praticamente impossível. Há quem também acredite que o melhor de um romance é a briga, pois o sexo de reconciliação é melhor. Claro que a maluca aqui discorda, sexo de reconciliação não existe com pessoas não partidárias da segunda chance…

Som para corações partidos de hoje: Dido - Here with me

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Agosto
18th 2008
O cão da praia

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Quando ele invadiu, nem imaginava que acabaria assim… Aquela casa branca, perfeita, com a vista mais linda de toda a praia…  ele tinha que entrar lá, queria se bronzear pelado naquela praiazinha linda e particular, sabia que poderia chegar lá nadando, e foi. E chegou. Esperava uma praia deserta, já sabia que um caseiro cuidava da casa em dias alternados, aquele era um dia em que nenhuma pessoa além dele desfrutaria daquele pequeno paraíso. Ao chegar na areia já arrancou a sunga, avistou a espreguiçadeira luxuosa e disponível, mirou o traseiro e ali se postou, como um paxá em seus domínios, fechou os olhos e sentiu o Sol, o barulho do mar e um rosnado…

Abriu os olhos e não acreditou que estava diante de um monstro daquele tamanho. Babando e  erguendo as bochechas, a fuça raivosa de um Rottweiller gigantesco. E territorialista, como qualquer cão. Não tinha atacado, ainda. Mas se ele fizesse qualquer movimento estaria perdido, aqueles dentes enormes rasgariam sua cara, lembrava de ter visto em algum lugar que aquela raça atacava direto no pescoço. Em um segundo imaginou sua garganta aberta aos abutres, que comeriam cada pedacinho de carne do seu gogó ossudo, sentiu um calafrio no estômago, vontade de mijar, mas ficou imóvel. Ficou imóvel por muito tempo, o Sol castigava seu pau, que nunca tinha sido exposto ao bronzeamento e ardia bastante, o suor de sua testa fazia seus olhos arderem também, mas ele não se mexia, aquele cão dos infernos estava bem na sua frente, só esperando uma deixa pra lhe estraçalhar o rosto e o resto…

Pareceram horas. O Sol castigava mais a cada minuto, o medo o fazia suar e tremer. De repente aquele cão dos infernos resolve deitar, mas não sai de perto. Ele sente uma ponta de esperança, talvez se o cachorro adormecesse ele conseguiria chegar até o mar pra fugir nadando. E sua esperança aumentava conforme o cachorro pegava no sono. Conseguiu alcançar a sunga, bem em câmera lenta a vestiu, sem sair da espreguiçadeira, sem se levantar. Todo seu corpo tremia por dentro e por fora de pavor quando colocou um pé na areia, olhava pro cachorro com uma expressão lunática de desespero, o quadrúpede continuou sua soneca, pareceu nem perceber que o cara estava tentando escapulir. E pé ante pé ele chegou até o mar, sentiu-se salvo, era só nadar e voltar de onde tinha saído pr’aquela aventura estúpida em propriedade alheia. Olhou pra trás e gelou: o cachorro tinha acordado e parecia estar apreciando sua fuga, sentado, com um ar debochado de quem está dando corda pra alguém se enforcar.

Apavorado, ele correu pro mar, pulou as ondas e começou a nadar. Uma braçada mais forte que a outra, vontade de vencer o mar e fugir pra sempre daquele monstro canino. Quando o mar não dava mais pé, resolveu parar e olhar pra trás,  de novo.  Não acreditou no que seus olhos viam, mais uma vez… Aquele maldito animal sabia nadar perfeitamente, e estava indo atrás dele…

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Agosto
18th 2008
Pra longe…

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Vamos sair daqui
Pra um lugar melhor
Longe do cinza
Perto do azul
Onde o vermelho vive
E o ar é fresco
O dia é bonito
Mesmo sem o Sol…
Vamos sair da correria
Encontrar a vida besta
Dias vazios da pressa
E cheios de harmonia

Som pra essa viagem (em francês, voyage) : I can see clearly now - Jimmy Cliff

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Agosto
15th 2008
Ela é uma boboca…

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Sexta-feira. Um dia aparentemente comum para os seres humanos, mas pra mim é sempre um dia estranho, e tem sido mais estranho ultimamente. Hoje eu até tive um siricutico pela manhã, por que esqueci de comer devido ao atraso de sempre. Levar filho pra escolinha, ir trabalhar voando sem vassoura, chegar e ter de estar animada, motivada. Eu estou sendo muito paparicada aqui, tipo uma boneca que não pode ser quebrada. Quando os chefes disseram pra equipe que todo mundo tem que ajudar no que eu pedir, me senti tão vulnerável, tão boboca. Mas tudo bem, quero muito aprender a confiar e permitir. O pior que pode acontecer é aborrecer as pessoas ou eu mesma com essa idéia de cooperação, pois todo mundo parece curtir mesmo é competição, autoafirmação. E eu ainda estou meio zonza, meio fraca… Daria muito por uma soneca nesta tarde… Pra estar inteira à noite. Bosta. Sem fome, fraca e de mau humor. Minha cara deve estar mais pálida que o habitual e devo estar com um aspecto vampiresco. Já com saudades do filhote que fica com o pai nos finais de semana, rezando pra ele voltar inteiro, pra variar. Ai ai… pensa num desânimo grande… Ainda bem que a noite chega e eu vou ter melhores motivos pra ficar animada. Isso é, se eu chegar em pé até à noite…

Ah, e ‘ele’ disse que me ama…

Som pra essa sick friday:   I just want you - Ozzy Osbourne

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Agosto
14th 2008
Desejos Vespertinos

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Que a justiça seja feita
E o final seja breve
Aquele lugar distante
Seja, enfim, alcançado
E que ali me baste
Que todo meu medo de perder
Seja também vontade de ganhar
E que a vida me traga doçura
Que eu não fuja da tristeza
E com ela aprenda a superar
Que acabe com minha estupidez
De generalizar as pessoas
E de esperar mais do que podem
Que essa intolerância suma
Que eu aprenda a permitir
E minha fúria seja contida
Que o amor me envolva pra sempre
Nessas tardes de lembranças
E desejos…

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Agosto
12th 2008
Cansa a beleza

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Beleza nem sempre é vantagem. Ok, pra acasalar é mais fácil conseguir parceiro se sua casca é comestível, mas não vejo muitas outras benesses além dessa. Um indivíduo pode até conseguir um emprego por ser mais apresentável que um concorrente, mas fatalmente terá de se esforçar o dobro para convencer de que não está ali por que está dando/comendo algum superior.  Ser belo é não se preocupar muito com a embalagem e então pode se encontrar duas vertentes básicas de gostosões no mercado: os que fazem da própria beleza conteúdo e se bastam na própria futilidade; e os que acham que ser só bonito não é suficiente e, por isso, entram em crises existenciais.  Ser bonito e não achar que isso basta é problemático e ridículo. Só quem passa por essas agruras é capaz de entender e avaliar o tamanho da estupidez, afinal a beleza vai acabar um dia, é só ter paciência de esperar e esperteza pra aproveitar enquanto ela dura assim, de graça.  Cansa a beleza a desconfiança que a mesma traz; o bonito acha que só o querem pela aparência e quem ama o bonito sempre desconfia dos  sentimentos da beldade. Como se beleza e volubilidade fossem sinônimos em alguma outra esfera que não a do tempo… Beleza é inconstante e muito particular. NADA é unânime quando o assunto é beleza. Uns acham que a cor mais bonita é o azul, muitos preferem o vermelho e o mesmo padrão pode se aplicar aos estúpidos que somos nós. Somos lindos enquanto temos todas as nossas partes inteiras, quando estamos limpinhos e perfumados, enquanto o tempo ainda não nos castigou o suficiente pra sumir com nossa esperança… E a vida é bela, a gente é que cansa dela…

Som pra hoje: Clocks - Coldplay

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