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Sim, este ofício, talvez nem tão nobre, foi escolhido por mim numa época mais idealista da minha personalidade. E, apesar de vislumbrar várias possibilidades de exercer essa profissão, confesso que estou decepcionada com o que se espera de um jornalista hoje em dia. Não acredito mais no mito de “informar a sociedade”, pois já vi muitas vezes que o importante é a polêmica, mesmo que seja a troco de nada, mesmo que seja a troco de apenas polêmica, ou melhor, dinheiro. Claro que todos os assuntos merecem ser discutidos, mas não vejo espaço ou esse tipo de proposta na maioria das reportagens, apenas falsa imparcialidade e muita presunção. E, talvez por ainda não ter matado meu espírito idealista de vez, me sinto deslocada entre tantos colegas empolgados por trabalhar para assessorias de imprensa ou redações de futilidade pública. Eu ainda tenho esperança de escrever coisas que façam a diferença, a História imediata da sociedade em vez da última galinhagem de alguma celebridade instantânea. Não quero apenas provocar as pessoas com perguntas hostis com a intenção de fazê-las perder a compostura e dar vexame para vender a notícia. Não quero ser apresentadora ou atriz; apenas uma jornalista como imaginava que seria, com boas intenções e algumas idéias… Acredito que nunca falta trabalho pra quem é bom no que faz, mas não sei se quero ser boa jornalista quando isso significa perder a noção do que é, de fato, importante para a informação da sociedade.