Phoenix Criminal Lawyer


Archive for April, 2008

Mulher irada

April 28th, 2008

O motivo são os incovenientes da vida. Mesmo lembrando de coisas felizes de ontem, fiquei meio triste hoje. E deu vontade de xingar algumas pessoas que eu deveria ter xingado quando me magoaram. Eu odeio reprimir meus instintos, dá nisso. Fico remoendo a raiva da pessoa e acabo sentindo raiva de mim mesma. Queria jurar que nunca mais vou levar outro sentimento que não o meu em consideração, adoraria prometer que nunca mais vou engolir a estupidez alheia sem reagir. Queria um botão mágico pra explodir inconvenientes, e outro botão pra descer o globo espelhado e começar uma festa. Realmente o inferno são os outros…

Trilha de hoje: No Rain - Blind Melon

Bem feito pra ele

April 28th, 2008

parte II

Talvez coragem não seja uma boa definição. No caso dela, acho que foi o desespero. Desde o dia em que me mandou cuidar de minha vida, passei a cuidar ainda mais dos rumores da casa ao lado. Encostava o ouvido nas paredes para escutar as discussões.  E foi quando realmente passei a perceber aquela mulher. Coitada… O marido lhe obrigava a ser sua escrava particular, e sempre a humilhava quando ela parecia fazer algo para agradar-lhe. E falava de um jeito que homem nenhum falaria com uma mulher, pelo menos não os  que gostam de mulher. Talvez ele não gostasse, mas nossa sociedade ainda aceita melhor um enrustido que um assumido. Ela chorava enquanto ele lhe dizia que era feia, que estava ficando flácida. Uma injustiça! Ela era realmente uma mulher linda, capaz de satisfazer os olhos de qualquer homem que admire de fato a beleza feminina. Ouvi os desmandos de seu marido florzinha por duas semanas e decidi lhe enviar uma carta. Mas fiquei num dilema terrível sobre o que escrever.

Depois de quase uma semana rabiscando páginas com a intenção de mostrar que queria ajudá-la, acabei por enviar um bilhete com apenas os dizeres: ” Quero te ajudar!”. Joguei o papel pelo quintal dos fundos quando ela estava em uma das suas sessões de choro escondido. Maldita hora! Ela não viu o papel e quem acabou encontrando foi o meticuloso marido, que adorava fiscalizar o trabalho da empregada ao final de todos os dias e infernizar a pobre com humilhações e gritos. O tal sujeito parecia sentir um imenso prazer em destratar as pessoas que lhe serviam. E, naquela noite, a briga foi um inferno. Se é que se pode chamar de briga o desconstrole de um homem que gritava histéricamente, acusando a mulher de traição com uma voz estridente, batendo os móveis e sozinho. Eu só a ouvia chorar. Chorar e soluçar. Imaginava qual a razão para ela não reagir, mas minha dúvida não ficou muito tempo  sem resposta.

Em uma briga dessas de todos os dias, ouvi ele ameaçar-lhe: “HA! Você quer saber? Nunca vai saber! E só vai colocar os olhos nele de novo se eu permitir!” - Fiquei imaginando quem seria ele, o que seria. Parecia ser esse o motivo de tanta submissão, ele escondia algo que pertencia a ela. O que seria? Uma semana se passou desde o papel que atirei, nem esperava qualquer resposta e já tinha desistido de tentar qualquer outro contato quando recebi um bilhete pelo quintal dos fundos. A letra parecia apressada, dizia apenas: “venha às 8, estarei só”. Não tinha data nem assinatura. Mas eu sabia que era dela e que tinha sido jogado naquele dia. Fiquei muito ansiosa pela noite, pois finalmente a veria e, talvez, saberia o que se passava naquela casa. Passei o dia todo pensando no que dizer, em como dizer. Não esperava saber de tanta tristeza…

Bem feito pra ele

April 15th, 2008

PARTE I

Quando ela me contou, eu nem acreditei. Foi de repente, ela soltou tudo de uma vez, foi desabafo ou um ataque verbal. Fiquei pasma e passei a admirá-la ainda mais. Não que eu admire atos de violência, mas o dela foi mais que legítima defesa, foi verdadeira desforra sobre a tortura. E foi preciso escutar muitas outras coisas antes, foi preciso conhecê-la melhor e saber além do que eu via e ouvia através do muro que separava nossas casas. Muitas pessoas falavam dela, mas nunca tinham ouvido nada diretamente de sua boca. Eu sempre ficava sabendo pela Leonora, minha empregada. “A dona Márcia disse que ela casou com ele por dinheiro, deve ser uma pilantra!”, “Fiquei sabendo que o marido fica nada em casa, vive pro trabalho. E ela fica em casa o dia inteiro, não sai pra nada… dizem que já foi bailarina, deve ter sido essas dançarinas de boate!”

Leonora era venenosa, eu sabia. Mas eu gostava de ouvir sobre a mulher com quem dividia as paredes da casa geminada e sobre quem nada sabia, mal tinha visto, para ser honesta…  Leonora era feia e invejosa, a vizinha era nova- talvez bonita- e misteriosa. E, pelo visto, tinha se tornado o assunto da rua desde que mudara com o marido para a casa que foi de Marlene… Que saudades da minha amiga! Quase todo dia Leonora me contava uma nova notícia sobre ela. O que eu pude entender de toda a intriga é que era mais nova que o marido, que era muito feio pra ela; que passava horas lendo trancada em seu quarto; que talvez tivesse medo da própria empregada e por isso quase não comia… Eu nem imaginava! Tudo o que Leonora me contava sobre ela me fazia entender que era infeliz, estava sozinha. Eu, antes, tentei me aproximar uma vez que a ouvi chorando no quintal dos fundos. Perguntei se ela estava bem, tentei vê-la por cima do muro, mas ela abaixou e respondeu que sim, e foi muito malcriada quando me disse para cuidar da minha vida. Fiquei sem reação na hora, mas perguntei por que chorava… Ela se levantou e sussurrou perto do muro: “cada escolha foi uma renúncia, estou chorando por que eu QUERO!!!” - então ela gritou o quero e saiu correndo, pude ver que vestia uma longa camisola vermelha muito bonita, mas não pude ver seu rosto direito, fiquei o dia inteiro pensando nela. Quem diria que seria capaz de tamanha coragem!

Não vote nos mesmos

April 7th, 2008

Já está na mídia as pesquisas de intenção de voto para prefeito em São Paulo, sempre os mesmos nomes, as mesmas velhas facções criminosas. Eu nem acredito que o Maluf ainda tem a cara de pau de se candidatar, mas assim é o Brasil. Herança da colonização que só explorou e nunca educou o povo mais humilde, o sistema paternalista de assistência social é uma humilhação só.

E temos de votar, temos de escolher. Há poucas manifestações que incentivem o questionamento da obrigatoriedade do voto, do que pode acontecer se a população se negar a votar nos candidatos que são oferecidos. O pouco de conscientização que existe não é suficiente para atingir a horda de ignorantes que se deixam levar por propagandas bem produzidas e bolsa-esmola. Só que não dá mais pra agüentar tanto imposto e tanto descaso na cidade mais rica do país. Tudo sujo, tudo caro, tudo lotado, tudo lento, tudo ao extremo. São Paulo está um inferno de onde, quem tem condições, só pensa em fugir…

Copyright

April 7th, 2008

Sou eu mesma que estou dizendo isso, coloque na categoria que sua cabeça comportar. Não me importo se minhas idéias forem usadas, copiadas, deturpadas, fuçadas. São minhas idéias, não é nada demais. Eu produzo esse monte de baboseira a cada instante, se eu tivesse mais tempo para o ócio, teria mais idéias profundas e utópicas. Por ser mulher, sou capaz de tomar banho, desenvolver teorias sobre banalidades na cachola, contar azulejos no banheiro, me olhar no espelho, cantar e lembrar de um compromisso tudo ao mesmo tempo. Todos os dias. Não tenho pressa de ser uma estrela do rock ou uma velhinha naturista num litoral distante. Eu sei que vou chegar lá, em quase tudo, quase sempre. Está tudo em letras, minha compulsão e pensamentos, um dia dou risada da minha História. Escrita no meio do bombardeio de informações que fomenta a cultura do medo e do consumo em que nasci e fui criada, quase sempre com letras virtuais, que passarão pra folha por processo mecânico-tecnológico, sem o qual eu nem saberia viver feliz hoje em dia…

É tudo meu, e tudo de todos. Me ame o odeie por isso ou aquilo, ou seja indiferente. O que importa é o que é meu, e o que eu penso. Não concordo com muita coisa pela vida e tomo medidas para corrigir, minhas medidas e com meu estilo. Apatia, aqui não. Hoje a vida me é doce e escrevo para celebrar a juventude, a capacidade e a boa vontade. Espero sempre celebrar, e até trazer mais pessoas para minha festa… Não guardo a alegria só pra mim, nem o carinho. É mais fácil ser alegre que ser triste, então não quero saber o que não importa, não quero coisas que não acrescentem, nem sentimentos que pesam. A vida é o tempo e são tudo o que tenho.

No Mercy

April 1st, 2008

Oh, por favor, se você tem a presunção de achar que me conhece um pouco, não sinta dó de mim nem tente me “ajudar”. Quem me conhece de verdade, sabe que eu não sou digna de pena e muito menos conto com os outros pra resolver meus problemas. Sei que minha vida é muito interessante, agitada. Mas isso não dá o direito de alguém vivê-la por mim. Pagar minhas contas, ninguém paga. E eu estou muito bem, se lhe interessa. Não, eu sei que isso não interessa. O podre, infelizmente, sempre parece atrair mais atenção. Sei que muitos adorariam encher minha caixa de comentários com mensagens “positivas”, me oferecer o “ombro” amigo, saber dos detalhes sórdidos para ter mais assunto “interessante” pra falar por aí, para poder dizer: Coitada da Lia… Jamais, baby!  Eu me amo muito para deixar a tristeza inundar meus dias. Eu tenho muito o que viver ainda, muita coisa pra fazer, quase nada pra lamentar. Se você pode dizer com certeza que tem quase tudo o que sempre sonhou, como eu posso, não vai se ocupar da vida alheia.