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Nome bonito pra coisa velha e feia, além de pra lá de indigesta. Não é tão difícil imaginar por que algumas pessoas continuam se matando em plena flor da idade. Não é um fenômeno novo. Assim como não o é a desigualdade de condições pelo mundo todo. Graças à internet, temos acesso ao horror da desigualdade, assistimos vídeos de covardia, vemos fotos de atrocidades. Quase toda semana, tem uma nova grande tragédia para deixar cada vez mais anestesiado aquele que ainda sente. E tem também os que nem sentem. Tem os que gostam dessa desigualdade e a fomentam com comentários do tipo: “- Pensamos que era uma prostituta (ou mendigo, ou gay)”. Há os que crescem alimentando-se da intolerância, que gostam de saber que sua babá é mais pobre e a humilha com brincadeiras cada vez menos infantis. São os futuros pitboys. E há os que não agüentam ter tantos privilégios e sentir impotência para diminuir essa desigualdade injusta. São os futuros “deprêssinhos”.
Essa é só uma opinião de uma ex-adolescente que foi deprê e que tentou suicídio por não se sentir acolhida por esse mundo tão cruel, apesar de ter tido muito amor e atenção em casa. Eu entendo esses jovens. Entendo a sensação de fracasso que sentimos antes mesmo de termos tentado, pois crescemos ouvindo que a vida é dura, o mundo é injusto, e que nada pode ser feito para mudar isso. Ouvimos que antigamente o mundo era melhor, mas não podemos voltar pra ver e documentários bem editados mostram apenas o que era interessante. Entendo quando pensam que a única saída é a morte, não os condeno. Sinto apenas muita dó dos pais. Agora que estou desse lado da mesa, não consigo nem imaginar a dor e a enorme impotência que sente um pai que perdeu seu filho pro suicídio.
Quem sabe quando o mundo for um lugar melhor e mais justo, as pessoas não sintam vontade de partir dessa pra melhor…