Posted under É com a Lia
Às vezes, acho que algumas pessoas não têm coração. Não estou falando de criminosos assustadores ou pessoas loucas de verdade. Estou falando de pessoas que conheço. Tem gente que parece que não tem coração. Julga sem conhecer, agride pelas costas, maltrata quem deveria ser amado. Tenho coração demais, eu acho. Tento não deixar transparecer para que ninguém se aproveite da minha nobreza. Talvez por isso esteja sofrendo tanto essa fase. Não enxergo se estou evoluindo profissionalmente ou se, na verdade, estou criando um futuro problema de culpa. Na verdade, a culpa está doendo, me consumindo de verdade. E estou bem sozinha nessa jornada. Não sei a diferença entre pai e mãe, afinal só tive mesmo mãe. E ela conta até hoje, algumas vezes com os olhos marejados, de uma vez em que ela me perguntou o que eu queria da feira, pois ela estava em um raríssimo dia de folga e queria comprar frutas para nós. Eu lhe respondi que queria morangos e, quando ela trouxe, eu, cruel infante, lhe disse com todas as letras que aquela caixa de morangos não me compraria; que queria que ela ficasse em casa em vez de comprar morangos uma vez por semana. A solução que minha pobre mãe encontrou foi trabalhar a noite para ficar em casa, conosco, durante o dia todo. Desde então, ela chegava do plantão às 8 da manhã e ficava sempre conosco. Olhava nossos cadernos todos os dias, fazia parte do conselho da escola, ajudava nos ensaios das peças de teatro, fazia cuzcuz-mirim para as festas juninas. Enfim, participava.
O Américo ainda não fala. Mas já vejo seus olhinhos me pedindo para não ir embora e deixá-lo na escolinha, já o vejo sentindo inveja das crianças que só precisam ficar meio período longe de casa, já me vejo comprando morangos para compensar a culpa que sinto por não poder ser apenas o que quero: mãe do Américo. O resto, se tiver de ser, será… Ou seria. Quando a pressão é inadequada, em vez de dar impulso, derruba. Eu sei que não demora pra explodir, se continuar cedendo assim. Trato é trato. Odeio quando as pessoas negligenciam a única coisa que um homem de verdade pode ter: palavra.
elaine on 13 Fev 2008 at 5:22 pm #
Olha, pode parecer um absurdo o que eu vou registrar aqui, mas pode acreditar: mãe demais também faz mal.
Nós ajudamos e atrapaçhamos numa medida parelha!
Faça o que te dá prazer, plante o que vai te embasar amanhã. O Américo quer uma mãe feliz, na dose em que ela for possível.
Esqueça os morangos e crie uma história nova pra vcs dois, sem culpa, só com amor e prazer.
bjs menina.