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É chato admitir, mas é mais pura verdade. Depois que o Américo nasceu, eu não dou a mínima pra Raiona. Dou comida, água, mando dar banho no veterinário, vermífugo, antipulgas e tal. Mas é difícil eu ter tempo para pegar ela no colo e apertar sua fofura loira. Eu sempre fui louca por gatos, mas desde que meu filhote nasceu, deixei a bichaninha de lado. Ela entende, parece. Deixa o Américo brincar com ela, ou seja, não reage ao seu carinho agressivo. Vive tentando entrar em casa, pede atenção sempre que tem oportunidade, caça passarinhos e traz quase todo dia pro nosso minúsculo quintal. Ela é uma graça de gata. Eu me sinto bem culpada por não dar mais toda aquela atenção fanática. Ela foi nossa primeira filha, mas quando o Américo nasceu, perdeu o posto. Agora ela é nossa primeira guardiã. E tenho certeza que entende a nossa ausência. Aposto que ela não trocaria toda a liberdade que tem junto com as mordomias por uma dona carente que a fizese de cadelinha… Mas, isso não é impossível de acontecer. Se ela durar uns 30 anos, talvez pegue a fase “ninho vazio” da minha vida…. Haja vidas pra chegar até lá.