Coisa inútil tentar se fazer entender. Não me acho artista, mas sou uma incompreendida. Ok, eu me acho um pouco artista. Ok, eu me acho implacável. Ok, eu não sou um modelo de sanidade… Mas sinto que explicar não resolve. É melhor mostrar.
E eu falo demais, falo até me arrepender do que disse. Falo para expandir, ensinar, aprender, me divertir. Ah, eu adoro uma mentirinha… Se você não me conhece de verdade, pode ser que já tenha sido vítima de alguma história cabeluda que eu inventei só para me distrair enquanto o ônibus estava preso no trânsito. E aposto que, se foi uma das minhas vítimas, deve ter se sentido feliz por conhecer alguém tão interessante. Pelo menos é o que você deve ter pensado… Eu sei que deveria escrever essas ficções, mas sou melhor em contar do que escrever.
E isso pode parecer uma compulsão por mentir, mas eu juro que não é. Eu sou normal. Eu não menti por não conseguir evitar, mas sim para me distrair. Para quê contar minha vida de verdade? Ela até tem graça, mas seria muito mais interessante ser, de brincadeirinha e com sotaque, uma refugiada de Gorazde ou uma turista importada dos States em busca do amor latino de sua vida… Ou ainda, ser uma maluca que sofre de alguma doença que a faz cantar como se estivesse sozinha em seu quarto. É, eu sou bem ridícula. O papel da maluca que canta é o mais divertido, sem dúvida. As pessoas começam a cantar junto quando a música é daquelas que grudam na mente. Aposto que passam o dia inteiro me xingando por cantarem “Olha, olha, olha a água mineral, água mineral!” sem querer…
Não, eu não deveria considerar a carreira de atriz. Não sou bem interpretando papéis que não são meus de coração. Odiaria fazer um papel mais idiota que o que já faço por diversão. E, sim, eu acho divertido isso de envolver as pessoas nas minhas fantasias. O que posso permitir é que admitam, como poucos o fazem, que conviver comigo pode ser qualquer coisa, menos entediante. Só não me acusem de ser contagiosa, por que soaria como elogio…