Archive for Dezembro 11th, 2007

Dezembro
11th 2007
Despedido

Posted under Contos

- Você está demitido!

- Foda-se. Esse emprego era uma merda, você é um cuzão, sua mulher fede, seus filhos são retardaods que brincam de gerenciar. Você merece afundar nesse antro de merda.

- Você enlouqueceu, Palhares?

- Não, estou mais lúcido que nunca. Só esperava você me demitir para dizer tudo isso. Afinal, não quero perder nenhum centavo dos meus benefícios e tem mais: tenho provas de exploração de funcionários, assédio sexual e sonegação de impostos cometidos pelo senhor sua família-quadrilha. É bom eu receber muito bem, ou vai todo mundo preso nessa bosta!

- Você não está falando sério! Não há provas do que não existe… Você está blefando!

- Quer pagar pra ver, seu filho da puta? Então tudo bem. Eu vou acabar com você e com essa empresa de merda. 12 anos! 12 anos nessa merda, trabalhando como um vendedor de lixo, nunca recebi nem um aumento de salário digno nesse tempo todo. A cesta de Natal da empresa é uma miséria, não temos plano de saúde, só gozamos uma folga por semana, não emendamos feriado, trabalhamos até nas vésperas de Natal e Reveillon. Você merece se foder muito. Não vai ter dinheiro que pague a satisfação que eu vou sentir por saber que você está longe da sua casa em Angra, longe dos seus 4 carros importados, longe de suas viagens em cruzeiros nas férias…

- Você não vai fazer isso. Sabe por que? Por que essa arma está carregada e, contra a força, não há resistência…

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Dezembro
11th 2007
Espírito Comunitário

Posted under Conselhos Inúteis

Não existe mais senso de comunidade na vida urbana. Talvez por isso seja bem mais confortável viver em condomínios, pois pode-se chamar o síndico quando a alegria do vizinho está fazendo a tristeza da sua noite… Eu não moro em condomínio, ainda. Mas já estou cansada de ouvir que “os incomodados que se mudem” ou de chamar a polícia depois de ouvir isso. E a polícia nada pode fazer. Esse domingo foi um caso clássico do que acontece na minha rua.

Obras na casa de duas freiras. Além de elas fazerem caridade alimentando os moradores de rua e, entre eles, os viciados, bêbados e todo tipo de gente “simpática” aqui mesmo na rua, elas resolveram aumentar a “obra de Deus”, ampliando a própria casa. Até aí, tudo bem. Mas num domingo, ás 8 da madrugada, ninguém merece… Eu fui, transtornada, pedir para que elas parassem a obra ao menos aos domingos, pois a semana toda a vizinhança já se sentia incomodada com as “obras” das irmãs. Ela foi super mal educada e respondeu com um ” Tá incomodada? Muda!”. Eu fiquei fula de raiva e chamei a polícia, pois as velhas não têm alvará para efetuar a reforma e,  muito menos, licença para fazer isso aos domingos. A polícia chegou (2 viaturas! Afff) e disse que eu teria de ir à prefeitura reclamar com o fiscal de obras para que embargassem a obra das freirinhas dos infernos.

Fala sério! Eu só queria que o polícial fosse até lá, pedisse para verificar a licença delas e que pedisse para que retomassem a obra apenas na segunda-feira. Mas isso não é da alçada deles. Então foda-se eu. Tenho mais é que me mudar… Ou aprender a incomodar também. A questão é que não me sinto no direito de perturbar a paz de todos para azucrinar alguns, e me sinto tão ultrapassada por ser boazinha…

Essa crescente individualidade só alimenta o egoísmo e faz as pessoas se sentirem cada vez mais isoladas em sua própria bagunça. Pena. Eu odeio a maioria dos meus vizinhos e, se um dia eles vierem me pedir uma xícara de açúcar, vou dar sal e talvez misturar uns laxantes… Minha vingança será maligna! Meu conselho é: Não me peça açúcar se eu já chamei a polícia para acabar com a sua festa.

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