Posted under É com a Lia
É um medo tão grande que se sente. Não se está seguro em lugar algum, não aqui onde eu vivo. Mas acredito que há lugares melhores para se viver. Qualquer pouco aqui é muito. A desigualdade é terrível. A impunidade rola solta, as leis privilegiam assassinos cruéis. Bandidos saem da cadeia no maior estilo Lex Luthor e prometem que vão se candidatar à prefeitura da cidade. E podem ganhar, como outros bandidos já ganharam.
Eu tenho um filhinho, ele é um bebê, tenho medo até de andar de metrô com ele. Tenho medo que o culto ao consumo faça dele um canalha, medo de que um dia eu não perceba onde ele está correndo riscos. Medo de trabalhar demais e não vê-lo crescer, não poder protegê-lo. Esse lugar inspira meu medo. As pessoas alienadas e/ou apáticas com a situação que vivemos me deixam apavorada. Eu também já quase faço parte da parcela apática. Já não acho que gritar e chorar pelo que quero resolve.
Talvez eu não seja a única a querer, nem seja a única a pensar em fugir daqui. O problema de fugir é que não posso levar todos os que quero. Muitos preferem ficar, ou não têm escolha mesmo. Medo de perder mais tempo aqui. Medo de amanhã ser tarde demais. Que mais devo esperar?
marilia on 04 Out 2007 at 12:03 am #
Lia, amiga..
Não fuja. eu criei duas filhas, e ainda tenho medo cada vez que o telefone toca, cada vez que elas não me ligam para dar boa noite.
Sabe, nossos filhos serão sempre parecidos com a gente. Não se preocupe, seu filho jamais será um canalha ou algo semelhante.ele é vc.
pode andar no metro, as pessoas dão passagem pras almas do bem… eu te garanto!
por favor, fique sem medo!!!!
prefero sempre enlouquecer que alienar ou morrer de medo!
Bjão!
worklover on 04 Out 2007 at 1:15 am #
Eu tb quero fugir mas, infelizmente, não adianta. O melhor é vc ser essa mãe dedicada e formar bem o seu filhote, para q ele seja um homem de bem. É assim q faço com o meu.
E, a despeito dos pesares da vida, nunca perder a Fé.
Beijos
Dri on 04 Out 2007 at 4:10 pm #
também tenho medo disso, queria fugir, mas ir embora já bastaria, acho que é até melhor, ir para um lugar diferente.
mas seu filho será uma grande pessoa, ele tem uma mãe que o ama… o futuro sem duvida parece ser assustador, mas acho que vamos todos sobreviver a ele.
sempre me pergunto o que podemos fazer para mudar o futuro, sinceramente eu não sei e por medo acabo banindo esses pensamentos, acho que sou covarde! rsrsss
Ana Fernandes on 05 Out 2007 at 10:38 pm #
eu, como já disse em vários posts, vou sair daqui.
Deus me livre passar a vida tooda neste lugar.
só volto pra ocupar minha vaga na procuradoria se for melhor que a carreira na área de direito internacional e relações internacionais..
CARLOS BAYMA on 18 Nov 2007 at 1:50 pm #
Lia,
sou médico da área de Urologia e fui portador do Transtorno do Pânico durante o ano de 1994. Felizmente as crises só ocorreram duranto esse ano. Mas fiquei com uma depressão residual que levou o meu casamento ao fim (hoje digo ainda bem!) e quase arruinou a minha careira profissional. Há 2 anos estou ótimo. Não utilizo medicamentos há + de 5 anos. Não tenho fobias e muito menos depressão e, talvez, isso se deva ao fato de ter ido a dois fundos: o do poço e o da questão. Fiquei financeiramente falido e como pessoa, um lixo. Ir ao fundo da questão foi descobrir onde estava o “foco” (ou os “focos”) que desencadeou todo o processo. Isto aconteceu há 2 anos e várias descobertas foram fundamentais, pelo menos pra mim.
1) Abolir religião(ões) da minha vida foi fundamental. Religião escraviza, emburrece e segrega. Nota: aboli religião, não Deus. Uma vez abolida, o que se chama de Deus cresceu em minha vida.
2) Parei de ser caridoso social (faz para ser aceito pelos outros). Caridade sem alma não vale nada. Só faço caridade (hoje chamo de generosidade) quando sinto na alma. Não me violo mais. Muitas pessoas não cuidam de si mesmas, por que eu, que hoje cuido de mim, vou ter que deixar de fazê-lo para ser o “bonzinho” com os outros. Não faço e não sinto culpa nenhuma.
3) Parei de sentir culpa em relação a ter dinheiro. Dinheiro é ótimo e, intrinsecamente, não é bom ou mau. É apenas um instrumento de realização. Quando a gente está sem dinheiro fica tão mal, não é? Essa história de que o dinheiro estraga a pessoa é conversa. A falta dele é pior. O estragado é o indivíduo, com ou sem dinheiro.
4) Exercício físico regular é fundamental. Vou repetir: fundamental.
5) Identifiquei e enfrentei cada um dos medos, cara-a-cara. Uns eu logo resolvi; outros levaram mais tempo (e uns poucos ainda estão em processo).
6)Selecionei amizades. Só gente alto-astral.
7) Fechei os ouvidos para críticas e elogios. Críticas: ou não dou ouvidos, ou aproveito o que ela tem de bom, mesmo vindo de um desafeto. Elogios: não mais me seduzem, pois já sei que sou muito bom em muita coisa. Não preciso ouvir de ninguém.
De lá pra cá, saltei de para-quedas, fiz rapel, trilha, mergulho oceânico, voltei a tocar bateria e fiz muita farra com pessoas positivas.
Uma coisa que bota o medo pra correr é: NO MEU PIOR, EU ME DAREI O MELHOR. Ou seja, se, por alguma razão eu for pra sarjeta, mesmo assim eu não me abandonarei, não me criticarei e não desvalorizarei. Duvido que eu caia. Estou sempre do meu lado e faço o melhor de mim pra mim, não me comparando aos outros.
Funcionou comigo!
Um abraço,
Carlos Bayma.
http://www.medicinaemfoco.blogspot.com
alan on 09 Jan 2008 at 6:33 am #
Criei um blog para compartilhar a minha experiencia com a Sindrome do Panico.
Deem uma olhada, pode ter coisas interessantes: http://fuiaoinfernoevoltei.blogspot.com/
Marcos Guerra on 18 Abr 2008 at 11:42 am #
Lia, este sintoma faz parte de uma época em que não existe ideais verdadeiros, uma sociedade hipocrita, e nós também temos nossa parcela de culpa. tenho uma filha de 04 anos e sinto-me um tremendo irresponsavel por tela feito vir a um mundo tão devastado de valores, porém temos de prosseguir e dar aos nossos filhos o melhor que pudemos em termos de educação e principios e torcer para que eles consigam ser felizes.
rita on 22 Out 2008 at 11:35 am #
pq as pessoas teimam em querer espantar o medo como se fosse algo que queremos ter. Essas pessoas desinformadas sobre a doença não tem a menor noção sobre os sintomas fisícos e q independem da gente sentir ou não, peço q aqueles q desconhecem o assunto não venha com frases feitas de apoio, mas sim procurem saber mais sobre sindrome do panico ok.