Phoenix Criminal Lawyer


Archive for October, 2007

Hoje eu chorei

October 22nd, 2007

Que merda de mundo. Tem vezes que a desigualdade bate a sua porta, numa noite de chuva, com uma criança nos braços, uma criança que poderia ser sua, é pouco mais nova que a sua… Você convida-a para entrar, divide algumas coisas com a desigualdade. Ouve sua história, ou a história que a desigualdade quer contar. Imigrante, veio de ambulância trazer a criança até o hospital, nenhuma das duas comeu desde o dia anterior, não tem família aqui, não tem emprego, a criança está doente. Você vê a criança, que não conta nenhuma história ainda, mas tem o peito chiando, os dedos de unhas compridas e sujas na boca para distrair a fome, os olhos assustados, as roupas molhadas e sujas. Você ajeita a desigualdade com coisas que não lhe são caras, mas sabe que não vai resolver o problema. Depois, se despede dela. E chora. Chora por ser tão privilegiada, mas ser impotente perante a desigualdade. Chora de raiva por não poder simplesmente consertar aquela vida, chora com o coração muito apertado, por que ainda não conseguiu deixar de fazer parte  dessa corja bestial que se diz sociedade humana… Que merda esse mundo.

Exame de Elite - Quem é você na guerra

October 19th, 2007

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Que viagem… Eu nem gostei do filme Tropa de Elite, achei o tal Capitão Nascimento apenas mais um assassino que trabalha pro sistema, não me identifico com nada nele a não ser a impetuosidade…

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Exame de Elite - Quem é você na guerra  

Peixinho dourado

October 19th, 2007

Peixinho-gato da mamãe

Olha a carinha de medo no primeiro mergulho! Oh dó, modeusos…

Imaginação Sociológica

October 16th, 2007

“Quando uma sociedade se industrializa, o camponês se transforma em trabalhador;  senhor feudal desaparece, ou passa a ser homem de negócios. Quando as classes ascendem ou caem, o homem tem emprego ou fica desempregado; quando a taxa de investimento se eleva ou desce, o homem se entusiasma, ou se desanima. Quando há guerras, o corretor de seguros se transforma no lançador de foguetes; o caixeiro de loja, em homem do radar; a mulher vive só, a criança cresce sem pai. A vida do indivíduo e a história da sociedade não podem ser compreendidas sem compreendermos essas alternativas.

E, apesar disso, os homens não definem, habitualmente, suas ansiedades em termos de transformação histórica (…). O bem-estar que desfrutam, não o atribuem habitualmente aos grandes altos e baixos da sociedade em que vive. Raramente têm consciência da complexa ligação entre suas vidas e o curso da história mundial; por isso s homens comuns não sabem, quase sempre, o que essa ligação significa para os tipos de de ser em que se estão transformando e para o tipo de evolução histórica de que podem participar. Não dispõem da qualidade intelectual básica para sentir o jogo que se processa entre os homens e a sociedade, a biografia e a história, o eu e o mundo. Não podem enfrentar suas preocupações pessoais de modo a controlar sempre as transformações estruturais que habitualmente estão atrás deles (…).

O que precisam (…) é de uma qualidade de espírito que lhes ajude a perceber(…) o que está ocorrendo no mundo e (…) o que pode estar acontecendo dentro deles mesmos. É essa qualidade (…) que poderemos chamar de Imaginação Sociológica.”    C. Wright Mills

Ainda a mesma coisa…

October 13th, 2007

Desde os 13 anos, que foi quando eu conheci essa letra…  E, agora, ela ainda é bem atual para mim. A agonia é outra, mas ainda é agonia… A música deixou de ser um hit irritante a cada 20 minutos na rádio, mas hoje eu ouvi e pensei. “Whoa…. ”

Melhor eu não escrever o que pensei….

What´s up - 4 non blondes

Twenty-five years and my life is still
Trying to get up that great big hill of hope
For a destination
And I realized quickly when I knew I should
That the world was made up of this brotherhood of man
For whatever that means
And so I cry sometimes
When I’m lying in bed
Just to get it all out
What’s in my head
And I am feeling a little peculiar
And so I wake in the morning
And I step outside
And I take a deep breath and I get real high
And I scream at the top of my lungs
What’s going on?
And I say, hey hey hey hey
I said hey, what’s going on?
ooh, ooh ooh
and I try, oh my god do I try
I try all the time, in this institution
And I pray, oh my god do I pray
I pray every single day
For a revolution
And so I cry sometimes
When I’m lying in bed
Just to get it all out
What’s in my head
And I am feeling a little peculiar
And so I wake in the morning
And I step outside
And I take a deep breath and I get real high
And I scream at the top of my lungs
What’s going on?
And I say, hey hey hey hey
I said hey, what’s going on?
Twenty-five years and my life is still
Trying to get up that great big hill of hope
For a destination

Medíocre

October 10th, 2007

Medíocre… Sabe o que significa? Do Latim mediocre -  mediano; meão; que está entre o bom e o mau; ordinário; insignificante; aquele ou aquilo que tem pouca qualidade, pouco valor, pouco merecimento – Familiar? Somos todos bem medíocres, bem hipócritas e nos temos em alta conta. Mesmo com a pseudo moda depressiva dos jovenzinhos emos/góticos/whatever, que têm de tudo e não têm do que reclamar, o que floresce é bem um culto a si mesmo. A cada um de nós. E isso está errado? Não é certo se olhar e se conhecer bem antes de olhar para os outros? Mas é medíocre o auto-conhecimento de cada um. As pessoas se subestimam demais, se desculpam demais pela sua preguiça, desânimo, falta de inspiração. A coisa pode até virar uma doença psicossomática. Temos noção de que não usamos toda nossa capacidade mental. A nossa capacidade física vem se deteriorando, apesar de tantos avanços na medicina. Sedentários. Medíocres. Isso não é engraçado!

Acredito que o pobre só tem uma vantagem nessa vida sobre o rico. A pessoa que nasce pobre e sobe na vida, sabe que é capaz de fazer isso. E se sente segura e capaz de fazer tudo de novo. O indivíduo que nasce rico e não precisa se preocupar em melhorar de vida, não sabe da própria capacidade. E esses sujeitos ricos são a maioria das classes B e C. Classe C não é rica? Bem, conheço empregadas domésticas que trabalham em dois empregos para sustentar filhos homens de 17 anos, que ainda usam o dinheiro da mãe para usar droga. E o que fazer? As roupas caras e a comida boa nunca bastam. Elas se culpam por não ter dado aos filhos uma escola particular, acham que se o filho tivesse estudado num lugar melhor, seria uma pessoa melhor. Mas não é bem assim. Muitos jovens da classe B, a classe média alta da sociedade (que classificação idiota!) fazem a mesma coisa que os filhos dessas empregadas. Só que custam mais caro, a família geralmente tem mais condições de tirá-los da cadeia e dar-lhes uma “nova chance” em clínicas de desintoxicação. É medíocre que todos esses jovens ricos, e também os jovens realmente pobres que tiveram mais motivos para entrar na bandidagem, só aumentam estatísticas de violência, intolerância, ignorância. E isso me faz achar a minha geração medíocre. A maioria não percebe o que vejo. Talvez, só eu veja?

Quais os culpados por termos desevoluído em relação às gerações passadas?

Acasalamento

October 9th, 2007

As pessoas parecem que só se preocupam com isso. A maioria, pelo menos. É irritante não achar graça em saber a vida íntima dos outros. As “amigas” sempre querem dar e receber esse tipo de detalhe. É irritante pensar: “Coitada, se ela não sabe eu é que não vou ensinar…”. Acho muito chato a vida girar em torno da vida sexual. Como se toda a vida fosse só um caminho, uma desculpa, uma fuga para o sexo. Sexo é legal, mas não é tabu pra mim. Acho que é isso que ainda seduz tanta gente, o fato de sexo ainda ser tabu. Os tempos mudaram, mas os preconceitos não. Mulher rodada ainda é considerada vagabunda até pelas próprias mulheres, a cumplicidade masculina prevalece tanto quanto a rivalidade feminina, homem bom é homem rico, etc. Tanta asneira antiga e que se repete sem parar. Uma pena é notar que só a tecnologia evolui em grande escala. A sociedade continua feudal.

Conquistar e Melhorar

October 9th, 2007

É um grande mistério da humanidade… Como cuidar da própria vida de modo a não julgar o comportamento alheio, não fomentar injustiças, ajudar o mundo a ser um lugar melhor. É um grande mistério, perco o sono pensando em dominar o mundo só para proibir piadinhas que transmitem de pai para filho o preconceito velado da nossa sociedade. Ou adquirir superpoderes para influenciar as pessoas a nunca acreditarem que as coisas não têm jeito. Utópica e briguenta por natureza. Fui obrigada a assistir o tal filme “Tropa de Elite”. Fiquei chocada e com medo. Nada parece impedir a lei do Gerson, aquela em que o sujeito sempre tenta levar vantagem em tudo. O que sabemos sobre as instituições nos faz acreditar que boas pessoas são exceções, que a maioria das pessoas não presta. Mas, empiricamente, a verdade me parece o oposto. Ou somos hipócritas para caralho, ou as instituições não nos representam. Para as próximas eleições, talvez eu me candidate por que não tenho nenhum político para acreditar. E sou bem partidária da opinião de quem quer bem feito faz por si só. Não sou nada popular, sou bem bicho do mato… Os poucos amigos que tenho reclamam da falta de contato virtual comigo. Mas, pra mim, relações só existem pessoalmente. Não tenho celular, não vou a festas que fui convidada por email ou orkut, não telefono para ninguém. Não tenho chances de vencer uma eleição, jamais sujaria a cidade com minha foto em cartazes, jamais desperdiçaria papel com panfletos, não bancaria comícios para falar merda e prometer coisas que não sei ser capaz de cumprir. Mas, pelo menos, não vou me sentir tão desolada. Fazer sua parte significa participar. Cansei de reclamar dos políticos. 

Síndrome de pânico

October 3rd, 2007

É um medo tão grande que se sente. Não se está seguro em lugar algum, não aqui onde eu vivo. Mas acredito que há lugares melhores para se viver. Qualquer pouco aqui é muito. A desigualdade é terrível. A impunidade rola solta, as leis privilegiam assassinos cruéis. Bandidos saem da cadeia no maior estilo Lex Luthor e prometem que vão se candidatar à prefeitura da cidade. E podem ganhar, como outros bandidos já ganharam.

Eu tenho um filhinho, ele é um bebê, tenho medo até de andar de metrô com ele. Tenho medo que o culto ao consumo faça dele um canalha, medo de que um dia eu não perceba onde ele está correndo riscos. Medo de trabalhar demais e não vê-lo crescer, não poder protegê-lo. Esse lugar inspira meu medo. As pessoas alienadas e/ou apáticas com a situação que vivemos me deixam apavorada. Eu também já quase faço parte da parcela apática. Já não acho que gritar e chorar pelo que quero resolve.

Talvez eu não seja a única a querer, nem seja a única a pensar em fugir daqui. O problema de fugir é que não posso levar todos os que quero. Muitos preferem ficar, ou não têm escolha mesmo.  Medo de perder mais tempo aqui. Medo de amanhã ser tarde demais. Que mais devo esperar?

Mistério da meia-noite e onze.

October 2nd, 2007

Numa cabana muito fria, em uma montanha muito longe, ele estava prostrado numa cama. Apenas um outro, surdo de velho, lhe cuidava e fazia companhia. E os dias e noites passavam iguais. Ele só levantava para tomar um banho semanal, todas as outras tarefas eram feitas por seu companheiro. Ele era um inútil agora. Só esperava morrer, nem tinha forças para se matar. Todo dia ele tentava prender a respiração até o fim, mas o organismo não obedecia. Continuava vivo, respirava apesar de toda sua vontade do contrário. Só as lembranças o confortavam e, agora, nem elas podiam ser lembradas com o amigo, que nem conversava mais por viver no silêncio.

Aquela noite estava especialmente fria, o sujeito de cama está tremendo e outro percebe. Alimenta a lareira e aquece o lugar. O calor confortante faz os dois lembrarem, em silêncio, daquela noite insuportavelmente quente em que estavam na Tailândia. Foi uma aventura e tanto e, quase ao mesmo tempo, os dois deram um sorrisinho de canto de boca. Aquela tinha sido uma grande noite.  Perderam-se numa floresta, foram atacados por insetos, tiraram suas roupas e pularam na água. Foi quando ouviram risos de umas moças que pareciam estar muito a vontade na floresta escura e assustadora. Elas riram, gritaram e foram até eles.

Eram cinco mulheres jovens, cada uma tinha o cabelo de uma cor. Não pareceram estar envergonhadas com a nudez dos dois rapazes. Estavam curiosas, sorridentes. Eram rápidas como macacos, lindas como gazelas. Circundaram os dois, cantarolavam alguma coisa, uma delas, a de cabelos negros, se aproximou e os cheirou. Cheirou o pescoço, o peito, desceu a cabeça até a virilha. Ergueu-se com um sorriso enigmático e apenas disse que não eram maduros o suficiente para elas. Perguntou aos dois se queriam encontrá-las quando estivessem prontos. Ambos responderam que sim. Ambos estavam excitados. Ambos ficaram de queixo caído quando as mulheres evaporaram na neblina da floresta.

E ambos nunca acreditaram que aquilo foi real. Nunca conversaram seriamente sobre o assunto. Mas, ao mesmo tempo,  lembraram da grande noite em que apareceram nus na cidade onde estavam hospedados e apanharam de alguns homens por isso. As roupas tinham desaparecido assim como as mulheres. Evaporaram. Mas, para os dois moços que eram muito urbanos, aquela tinha sido a aventura de suas vidas. E pensavam: - Que vida besta!

Quando a lembrança estava sumindo da memória dos velhotes, o cuco anuncia as doze badaladas. Mas, os ponteiros marcam meia-noite e onze minutos. Resmungam qualquer coisa e o que ainda escuta ouve alguém bater na porta da cabana. O surdo nem percebe e então ele balança o braço, na tentativa de chamar a atenção do amigo. Nada. O surdo levanta e abre a porta por vontade própria, como se fosse ao banheiro. Não pareceu ter escutado as batidas, mas abriu a porta e parou. De onde o inútil estava, não podia ver quem estava na porta. Não adiantava perguntar. Mas não demorou para que a cabana toda ficasse tomada por uma neblina familiar.

Cinco mulheres jovens e com cabelos de cores diferentes entram na cabana. O amigo surdo cai de joelhos, o inútil fica boquiaberto. Há décadas nenhum dos dois vê mulheres tão lindas e com tão poucas roupas. Ficam excitados, o que não acontecia há séculos. Elas invadem o ambiente todo, preenchem cada espaço e sussurram deliciosamente: - Agora vocês estão prontos para o nosso encontro…

Os dois velhos evaporaram…