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Escrever, para mim, é um ato de desabafo, de terapia. Por que escrever? Nem sei… É algo até compulsivo. Eu ganhei minha primeira máquina de escrever com 8 anos, eu a queria muito. Datilografei muito poeminha fofo que escrevi nessa idade.Mas com 10 anos eu ganhei um computador, na época era MSX sei lá o que e eu abandonei a máquina. Sempre escrevi e desenhei em cadernos e papéis que me caem às mãos. Amo canetas e lápis de cor, amo pincéis e tintas. Amo ler as letras. As letras dos outros têm um ar de inspiração, as minhas, de expiração. A melhor maneira de me lembrar de quem eu sou é ler o que escrevi. Não reviso ou mudo nada, apenas me encontro com aquele momento. E ele me disse que minha escrita tem um ar de revolta. Fiquei meio chocada.
Sim, já fui chamada de revoltada muitas vezes, mas nunca me considerei assim. E, ultimamente, principalmente neste espaço, eu acho que estou mais serena do que nunca. Talvez eu esteja me enganando com a doçura da maternidade, mas eu estava me achando tão zen… Revolta passa longe das minhas intenções. Ou será que as letras deixam um subconsciente revoltado aparecer? Como andará este subconsciente, huh? Cheio de inspiração e sensações novas. O consciente está com medo de não corresponder as minhas expectativas. Talvez eu tenha nascido com uma inquietude latente, e acho que ela é interpretada como revolta; muitos aspectos podem ser distorcidos quando há um certo empenho por parte de quem vive angustiado com a afirmação para si da própria identidade. Como afirmar para mim quem sou? Como manter uma estabilidade quando prefiro dizer uma frase clichê do tipo “eu prefiro ser uma metamorfose ambulante” a admitir que prefiro conhecer tudo e formar opinião, sim. Como negar meu julgamento se eu sei? Se não posso julgar, então o que sei? Um animal não julga, apenas sobrevive. Se sou revolta, talvez esteja apenas julgando saber ser este o comportamento que me cabe no mundo de hoje, à despeito de qualquer situação maravilhosa pessoal. O mundo está revoltante.
marilia on 24 Set 2007 at 11:17 pm #
Oi Lia. as vezes me sinto no meio desses dai.
e fico sozinha.
bjos