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É uma teoria que eu acabei de inventar sem nenhum fundamento e, portanto, não levem por trás. A política é um produto. Sim, compramos os políticos. É assim que eu me sinto. Voto é crédito, não é? Dinheiro também. Honestidade, nem sempre. Não se pode medir honestidade, mas dinheiro sim. Os políticos se vendem, inicialmente, nas campanhas eleitorais. Produzidos, montados e preparados por publicitários especializados em induzir o consumidor a querer aquele produto, eles entram em nossas casas via propaganda. Propaganda enganosa é crime.
Quando compramos um produto que não presta, ficamos indignados. É um prejuízo e, geralmente, tentamos resolver o problema recorrendo a quem nos vendeu ou quem fabricou. Não é quem compra um produto estragado que tem responsabilidade pelo estrago. E quem sofre esse revés tem o DIREITO de ter o dinheiro reembolsado ou o produto trocado. Por que com a política não pensamos igual? Nós votamos, portanto, compramos esta safra de bandidos. Deveríamos estar articulando maneiras de devolvê-los, trocá-los. Por que não?
Nós acreditamos, damos crédito para tal propaganda, tal proposta. Quando somos lesados, enganados, sentimos que erramos. Mas o prejuízo não deveria ficar com a gente. Deveria haver um procon político. Deveriam haver promotores públicos sanguinolentos dispostos a processar os canalhas por propaganda enganosa. E também por lesões morais e psicológicas. Se algum magistrado estiver interessado, eu estou muito abalada com o caso da absolvição do Renan Calhordeiros. Ele deveria pagar uma indenização para mim e para meus amigos.