Phoenix Criminal Lawyer


Archive for September, 2007

Cosme e Damião

September 27th, 2007

Hoje é dia de Cosme e Damião. Não é uma festa muito católica, apesar de a igreja tê-los canonizado e tals. A maioria dos lugares que fazem essa festa são centros espíritas e aí vai de kardecismo à candomblé. Religião quase a parte, dia de Cosme e Damião é como um Halloween tupiniquim. A criançada adora ganhar doces, seja por que motivo for. E é uma delícia fazer esse agrado. Minha família, apesar de ou talvez por ser quase ecumênica, sempre comemora esse dia distribuindo doces, principalmente para crianças carentes. Esse ano eu fiz sozinha, só um pouquinho, mas foi o bastante para eu sentir que não deixei passar em branco essa tradição.

Foi muito legal, o investimento é bem baixo em relação ao retorno. As crianças ficam alucinadas. Não escondem quem são, não disfarçam o egoísmo que é natural em todos. Também é espontâneo o gesto de compartilhar. Vi muito irmão preocupado em guardar algum doce para o menor, que estava em casa. É tão bonitinho. Eu e meu irmão, quando éramos pequenos, não nos contentávamos com os doces que nossa madre comprava e saíamos pelo bairro descobrindo onde tinha doce para “catar”. E não tinha tanta desconfiança. Nossa mãe não ficava grilada querendo saber a procedência dos doces ou de quem os tinha dado. Era algo comum.

Hoje, enquanto eu distribuía doces para uns, algumas mães explícitamente evangélicas, faziam sinal da cruz e puxavam seus filhos para longe de mim e das outras crianças. Olhinhos confusos, expressão frustrada. Dava pra ver que eles queriam o doce, mas a ignorância de suas mães os impedia. O que eu poderia fazer? Nada… Terminei de distribuir os saquinhos de doces e entrei em casa com a sensação de que, apesar de tudo, a humanidade não evoluiu nada.

Os Simpsons, o filme

September 23rd, 2007

Hoje eu consegui uma super vóbá para o Américo e fugi com o queridão para ir ao cinema ver os Simpsons. Recomendo, dá boas risadas e um pouco de raiva do Homer, mas o final é sempre feliz… Simpsons é um retrato exagerado do comportamento da classe média ocidental, muitos o consideram lixo, muitos enxergam arte. Eu me divirto. Tenho medo de me tornar uma Margie, de meu marido ser um Homer, de meu filhote se tornar um Bart na vida, mas acho que todos temos um pouco de cada um deles. Eu me identificava muito com a Lisa, hoje não me vejo mais ali. Agora meu papel é outro.

E nos trailers eu vi que realmente tem um filme baseado em Stardust, do Neil Gaiman. Super produção, super elenco, super roteiro, cheio de subtítulos… mas  estou meio ressabiada de o filme estragar tudo. Nem de longe Claire Danes vai conseguir representar a Estrela que eu imaginei quando li o romance. Uma pena… Recomendo a leitura de Stardust, é maravilhoso!

Ombudsman

September 23rd, 2007

Algo de podre aconteceu no reino dessa Dinamarca e eu não conseguia postar durante a semana. Por isso eu estou postando dois de uma vez. É, não tenho uma explicação para isso. Sorry…

Excluir-se

September 23rd, 2007

Eu vejo grupos, comunidades e muito isolamento. Penso que muitas vezes é por opção. Nada mais é intocável, nada mais é respeitado. Nenhum princípio chega ao fim intacto. Nenhum valor tem falado mais alto que o dinheiro. Não que o dinheiro seja ruim, mas muitas vezes ele é usado como bode expiatório da falta de caráter inerente a alguns seres humanos. E essa característica em alguns destrói a confiança da maioria em qualquer grupo, em qualquer comunidade. É aquela velha história: diga-me com quem andas e direi quem és. Mas, e quem anda sozinho?

Eu ando sozinha. Tenho família, alguns amigos, amo e me sinto amada, mas ando sozinha. Concordo com muitas ideologias, muitas idéias me servem, admiro muitas pessoas, mas não sei seguir ninguém. Só consigo andar na minha própria estrada. Acho que isso se deve ao fato de eu ter me desiludido com muitas instituições. Algumas das quais eu participei e defendi, outras que apenas acompanhei a trajetória ou os acontecimentos. Percebi que não importa o partido político, a religião, a classe social, a opinião, o nível de cultural, o cheiro, a boa família, etc, etc, etc… Há pessoas más em todo lugar.

Não é só pelo dinheiro que muitos políticos roubam, é pela ganância, maldade. Eles já ganham muito bem e têm benefícios que nós, pobres mortais, nem sonhamos em receber pelo nosso trabalho. Não é só para roubar que um assaltante mata uma vítima. Dificilmente as pessoas reagem quando são assaltadas e, mesmo assim, muitas morrem por pura maldade dos bandidos, entre muitas outras situações. Eu poderia passar a vida dando exemplos que ilustram essa teoria que me parece muito verdadeira. Em todos os lugares há pessoas de má índole, desonestas, ruins. E, também, em quase todos os lugares é possível encontrar pessoas maravilhosas.

Resumindo, talvez, eu diria que a maldade e a bondade são inerentes ao ser. Claro que o ambiente influencia, mas não é fator determinante. A pessoa é o fator determinante. Quem se dispõe a ser bom geralmente o é, não importa o que aconteça. Quem é do tipo que quer sempre levar vantagem, mesmo que seja em cima dos outros, parece que sempre o é.

Por isso acredito em saber a pessoa, conhecê-la. Principal e primordialmente, saber-se e conhecer-se. Seguir o próprio nariz. Ouvir mais, falar menos, mas conduzir a própria trajetória. Ninguém é melhor que você, apenas tem outras habilidades. Não faça seguidores, não seja seguidor. Cultivar a liberdade é um caminho para a sabedoria. Ser uma boa pessoa boa é algo que nasce com cada um, ou não. Quem tem essa iluminação não atrasa a vida de ninguém. Essas pessoas deveriam se ocupar dos outros, mas a maioria apenas cuida da própria vida. Por isso estamos cada vez mais a mercê dos que nos atrasam.

A Revolta

September 23rd, 2007

Escrever, para mim, é um ato de desabafo, de terapia. Por que escrever? Nem sei… É algo até compulsivo. Eu ganhei minha primeira máquina de escrever com 8 anos, eu a queria muito. Datilografei muito poeminha fofo que escrevi nessa idade.Mas com 10 anos eu ganhei um computador, na época era MSX sei lá o que e eu abandonei a máquina. Sempre escrevi e desenhei em cadernos e papéis que me caem às mãos. Amo canetas e lápis de cor, amo pincéis e tintas. Amo ler as letras. As letras dos outros têm um ar de inspiração, as minhas, de expiração. A melhor maneira de me lembrar de quem eu sou é ler o que escrevi. Não reviso ou mudo nada, apenas me encontro com aquele momento. E ele me disse que minha escrita tem um ar de revolta. Fiquei meio chocada.

Sim, já fui chamada de revoltada muitas vezes, mas nunca me considerei assim. E, ultimamente, principalmente neste espaço, eu acho que estou mais serena do que nunca. Talvez eu esteja me enganando com a doçura da maternidade, mas eu estava me achando tão zen… Revolta passa longe das minhas intenções. Ou será que as letras deixam um subconsciente revoltado aparecer? Como andará este subconsciente, huh? Cheio de inspiração e sensações novas. O consciente está com medo de não corresponder as minhas expectativas. Talvez eu tenha nascido com uma inquietude latente, e acho que ela é interpretada como revolta; muitos aspectos podem ser distorcidos quando há um certo empenho por parte de quem vive angustiado com a afirmação para si da própria identidade. Como afirmar para mim quem sou? Como manter uma estabilidade quando prefiro dizer uma frase clichê do tipo “eu prefiro ser uma metamorfose ambulante” a admitir que prefiro conhecer tudo e formar opinião, sim. Como negar meu julgamento se eu sei? Se não posso julgar, então o que sei? Um animal não julga, apenas sobrevive. Se sou revolta, talvez esteja apenas julgando saber ser este o comportamento que me cabe no mundo de hoje, à despeito de qualquer situação maravilhosa pessoal. O mundo está revoltante.

Viajem pelos sonhos

September 16th, 2007

É um conselho também. Eu aconselho. Neil Gaiman. Tudo. Quando escrevi sobre a experiência com Vagabond, esqueci de contar que isso é freqüente. Eu tenho uma profunda teoria leviana sobre as obras impressas, em geral. Eu dou a qualquer livro 20 páginas. Na livraria mesmo, pego o exemplar e leio as primeiras vinte páginas. Se o assunto me prender, levo e devoro. Se não cativar em 20 páginas, já era. Raramente eu dei uma segunda chance para livros que não gostei das primeiras linhas e, para os que dei, não lembro o que li. Com Neil Gaiman foi assim.

Eu comecei com Sandman. Meu benzinho, que na época era só namorido, tinha toda a coleção de HQ do Sandman e da Morte. O que ainda não tinha saído na edição encadernada especial em português, ele tinha em inglês. Eu levei três dias para ler toda a coleção. Depois passei para os livros. Posso dizer que hoje eu tenho tudo o que ele publicou em português e inglês. E está para sair um novo livro. Já era hora, eu estava em abstinência. Sou apaixonada pela forma como ele escreve e pela imaginação dele.  Dizem que vai sair o filme Stardust. Só espero que jamais façam um filme do Sandman, seria deturpar um universo que só cabe mesmo em dois lugares: o papel e a mente.

Sandman me deixou pasma pela pluralidade das idéias e das conexões. Meu personagem favorito é a Destruição, que quase nem aparece. É o Perpétuo mais rebelde e mesmo assim, mais lúcido. Ele abdica de sua função, já que a humanidade se encarregou de destruir tudo sozinha e sem nenhum propósito além da ganância. É também o mais bonitão. Há quem ache o estilo mórbido, pálido e caidão do Sandman atraente,  mas mau gosto não se discute. Sandman é fascinante, mas deprimente. A Morte é muito mais interessante que o Sonho. Sonho = Sandman, para quem não conhece. Eu recomendo muito. O único que me falta não é do Neil Gaiman e sim de Jill Thompson,  Os pequenos Perpétuos, mas está esgotado. É para crianças. Vou adorar ler isso para meu neném. Mi madre lia mitologia para mim, deu nisso. Vai saber o que pode dar se eu ler Sandman…

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A política é um produto

September 13th, 2007

É uma teoria que eu acabei de inventar sem nenhum fundamento e, portanto, não levem por trás. A política é um produto. Sim, compramos os políticos. É assim que eu me sinto. Voto é crédito, não é? Dinheiro também. Honestidade, nem sempre. Não se pode medir honestidade, mas dinheiro sim. Os políticos se vendem, inicialmente, nas campanhas eleitorais. Produzidos, montados e preparados por publicitários especializados em induzir o consumidor a querer aquele produto, eles entram em nossas casas via propaganda. Propaganda enganosa é crime.

Quando compramos um produto que não presta, ficamos indignados. É um prejuízo e, geralmente, tentamos resolver o problema recorrendo a quem nos vendeu ou quem fabricou. Não é quem compra um produto estragado que tem responsabilidade pelo estrago. E quem sofre esse revés tem o DIREITO de ter o dinheiro reembolsado ou o produto trocado. Por que com a política não pensamos igual? Nós votamos, portanto, compramos esta safra de bandidos. Deveríamos estar articulando maneiras de devolvê-los, trocá-los. Por que não?

Nós acreditamos, damos crédito para tal propaganda, tal proposta. Quando somos lesados, enganados, sentimos que erramos. Mas o prejuízo não deveria ficar com a gente. Deveria haver um procon político. Deveriam haver promotores públicos sanguinolentos dispostos a processar os canalhas por propaganda enganosa. E também por lesões morais e psicológicas. Se algum magistrado estiver interessado, eu estou muito abalada com o caso da absolvição do Renan Calhordeiros.  Ele deveria pagar uma indenização para mim e para meus amigos.

Primeiro resfriado

September 13th, 2007

Eu não preguei os olhos na madrugada de domingo para segunda-feira. O Américo começou a tossir e respirar com dificuldade por que o nariz entupiu. Tadinho, um sofrimento agonizante ver ele tentar dormir e respirar com a chupeta na boca. Na segunda, levamos ele ao médico. Mais tranquilos, compramos um aparelho doméstico de inalação  e começamos um festival de tratamentos.

Rinosoro é a mesma coisa que água, não desentope nada. Sorine é melhor, mas tem de ser usado com mais moderação. Vicky Vaporub deu uma aliviada, apesar de não ser recomendado para menores de dois anos. Mas o que realmente ajudou e o deixou bacaninha foi a combinação de uma arte misteriosa chamada tapotagem, que mi madre veio me ensinar e disse que usou muito em mim no meu irmão que teve pneumonia, e a administração de um xarope caseiro feito de guaco, mel e hortelã. Hoje ele está respirando bem, foi pra natação e a tosse diminuiu consideravelmente.

É uma tortura para ele tirar o muco nasal com aquele sugador. Ele chora tanto que parece que o estão matando. Pingar o Sorine também é outro desafio. Mas é algo que fazemos, mesmo sofrendo muito com o choro dele, por saber que é o melhor. Eu nunca achei que teria essa coragem. Sempre fui a tia que só fazia o que o sobrinho queria. Falando em sobrinho, preciso atualizar o blog dele. Que vergonha….

Addicted to Mangá

September 11th, 2007

Passei a segundona revezando as mãos entre meu bebê e a coleção de Vagabond que meu querido comprou. Eu sempre fui viciada em mangá e anime. Ele ficou viciado apenas no primeiro gênero e já devorou toda a coleção de Buda e Adolf, de Osamu Tesuka e Gen, de Keiji Nakazawa.  A coleção tem 13 volumes e eu li todos ontem. Fiquei muito, muito frustrada mesmo quando li o 13° volume e constatei que não é o final da coleção.  Ai, quero muito saber se o Musashi fica com a Otsu. Sim, eu adoro finais felizes.

Quem sabe, um dia, eu compre a coleção de DVDs do Dragon Ball, desde o comecinho e o vicie em anime também. Não tem quem não goste de Dragon Ball se acompanhar desde o início da saga de Goku. E é muito legal conversar com quem sabe do que estou falando. Muitas pessoas me olham intrigadas quando começo a bater o maior papo com as crianças sobre o Mestre Kame ou sobre a Sakura. A maioria dos “adultos” bóiam quando ouvem falar de “ki” ou sobre as cartas de Yu Gi Oh.  Eu adoro saber o que as crianças pensam sobre isso.

Quanto aos adultos, bem, meu querido afirma que Mangá é legal por que é uma leitura fácil, bem humorada e que relaxa a mente. Bem, ele está terminando uma tése de doutorado, precisa refrescar as idéias. Viva o Mangá.

7 meses de “Invasão Americana”

September 6th, 2007

Hoje é aniversário do Américo. Sete meses de vida linda e cheia de alegrias. Ele já está com a corda toda, fala “BAAAA”, “BRRR” (com efeito especial de perdigotos), pega tudo, puxa cabelo, brincos e qualquer outra coisa que esteja pendurada na gente, anda de andador, adora ficar em cima dos ombros do papai, fica hipnotizado com o desenho “Boom and Reds”, come  quase tudo mesmo sem ter nenhum dente, sabe mostrar quando quer ou não alguma coisa… Enfim, está uma figura cada vez mais encantadora.

E o sorrisão? Menino de risada fácil, simpaticão. Puxou ao pai essa característica. Vai no colo de qualquer pessoa e não estranha, não é chorão. Segundo a professora de natação, ele já bate naturalmente os pézinhos como no nado Crawl. E nós,os pais, quase explodimos de tanto orgulho a cada elogio. Sim, estamos bestas e fascinados, como qualquer outro casal de pais de primeira viagem. Mas, olha só. Não é lindo de viver?

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